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UNICAMP | Como fortalecer o DCE-Unicamp contra Bolsonaro, Mourão e os ataques, por outro futuro à juventude?

Está aberto o processo de inscrição de chapa ao DCE-Unicamp, e nós da juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária e que impulsiona o Esquerda Diário queremos contribuir com ideias para fortalecer essa entidade que é tão fundamental, por ser responsável por articular e organizar os estudantes de todos os cursos e campi da universidade.

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sexta-feira 17 de setembro | Edição do dia

Sabemos que os desafios vividos pela nossa geração são imensos. Há quase dois anos da pandemia, é impossível ter otimismo com o futuro que nos reservam os grandes capitalistas, já que estamos assistindo à rápida degradação das condições de vida, ao aumento da fome e da inflação, à devastação ambiental, à destruição de direitos e à precarização do trabalho e da educação. Tudo isso é reforçado por uma extrema direita asquerosa, racista, machista e LGBTfóbica, que quer garantir a destruição do nosso futuro das piores maneiras. Não é à toa que grande parte da juventude está enfrentando doenças psicológicas.

Infelizmente, em meio ao processo eleitoral, sabemos que a maioria dos estudantes mal ouviu falar do DCE e dessa entidade, e isso se deve em alguma medida pelo ensino remoto, que nos fragmenta, isolados, mas também pela última gestão, nas mãos do PCdoB (UJS), que abandonou essa entidade, em um momento em que os desafios do movimento estudantil se aprofundaram. Por isso, agora, pensar como fortalecer o Diretório Central dos Estudantes (DCE), uma ferramenta de organização da juventude que pode ser parte do desafio de lutar por outro futuro para quem está dentro e fora da universidade, é central.

Nós, da Faísca, viemos chamando as organizações de esquerda que se dizem na oposição à atual gestão e todos os estudantes que querem se dar esse desafio a debater qual política e programa poderiam fortalecer nosso DCE. Infelizmente, nossos chamados ainda não foram respondidos, mas apresentamos algumas ideias que poderiam contribuir nesse sentido:

1)Por um DCE que lute contra Bolsonaro, Mourão e todos os ataques, confiando somente nas nossas forças

A juventude, neste ano, tomou as ruas em meio à pandemia e mostrou que tem disposição para enfrentar Bolsonaro e seu projeto de extrema direita negacionista e anti-trabalhadores. Entretanto, os atos da oposição ao governo vieram diminuindo. Defendemos que isso se deu porque a estratégia das direções, das centrais sindicais e da UNE, cuja direção também é da UJS, como em nosso DCE, foi confiar mais na CPI da Covid, no Congresso e no STF, do que em nossas próprias forças, sem organizar um plano de luta sério, a partir de cada local de trabalho e estudo, que pudesse inclusive preparar uma greve geral, para derrotar o governo.

Para nós, para enfrentar Bolsonaro, Mourão e os militares que os sustentam, não podemos confiar em nenhuma instituição e setor da direita que os levaram ao poder, como o MBL, BolsoDoria, ou o Congresso e o Judiciário do golpismo de 2016. Doria e o PSDB, inimigos da educação em São Paulo, tentam se colocar como a “terceira via” em oposição a Bolsonaro, mas assim como o governo federal, defenderam a privatização da Eletrobrás e dos Correios, também a reforma da previdência e a trabalhista, que levam a juventude e o conjunto dos trabalhadores ao desemprego e a precarização.

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Não podemos ficar de mãos atadas. Acreditamos que o programa do impeachment deixa a esquerda à mercê desses setores, à espera de Lira, enquanto os ataques se aprofundam, e o resultado seria Mourão, defensor da ditadura e racista declarado, na presidência. A energia e disposição da juventude acabam utilizadas a serviço dos objetivos eleitorais para 2022 e de desgaste a Bolsonaro, enquanto passam todos os ataques e ao mesmo tempo em que Lula e o PT sentam com a direita e empresários para seguir apostando em conciliar com os interesses dos que nos odeiam.

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Precisamos de assembleias em cada curso e em nossa universidade, impulsionadas por um DCE que aposte em nossa força e impulsione auto-organização dos estudantes, por um plano de luta pelo fora Bolsonaro, Mourão e militares, contra todos os ataques, sem nenhuma confiança na direita golpista!

2) Por um DCE que batalhe pela unidade entre estudantes, povos indígenas e trabalhadores

No último período, vieram ocorrendo vários focos de resistência e luta contra os governos e patrões. Os indígenas deram um grande exemplo ocupando Brasília contra Bolsonaro e o Marco Temporal do STF, dizendo a verdade: o Brasil é terra indígena! Demarcação já! Além disso, em Campinas, vivenciamos a forte greve dos operários e operárias da construção civil da MRV, em sua maioria negros e nordestinos, que se chocaram com condições de trabalho análogas à escravidão e arrancaram conquistas.

Nós da Faísca e Esquerda Diário, por meio da gestão proporcional do CACH, junto a várias organizações de esquerda, impulsionamos um Comitê de Apoio à greve da MRV, que foi reconhecido pelos trabalhadores como uma iniciativa importante de solidariedade. Mas o DCE da Unicamp não tomou parte nesse processo, fechando os olhos às lutas dos trabalhadores, enquanto sua organização (PCdoB) não hesitou em saudar e compor os atos do MBL imediatamente.

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A crise e precarização que vemos hoje na Unicamp é um reflexo de uma conjuntura nacional. Por isso, toda batalha dentro da universidade se fortalece se nos organizamos também com os setores de fora dela. Nesse contexto, a aliança dos estudantes e dos trabalhadores é essencial. Os trabalhadores são o setor mais estratégico que pode paralisar suas atividades com greves afetando diretamente os lucros dos capitalistas, e a juventude pode contagiá-los com sua disposição revolucionária e sua perspectiva de mudança.

Mas para isso, a energia da juventude deve estar voltada à luta de classes, como foi o exemplo do comitê em apoio à greve da MRV, e não aos atos conciliados com a direita, como fez o DCE da Unicamp dirigido pela UJS no dia 12. Por essa razão, nós da Juventude Faísca e do Esquerda Diário fizemos um chamado aos setores à esquerda do DCE, colocando que o comitê seria um ponto de apoio para pensar uma chapa conjunta para as eleições com os que o compuseram, e propusemos uma plenária unificada entre nós, com estudantes que se interessarem e organizações do PSOL como Afronte, Juntos e Vamos à luta. Infelizmente as organizações não concordaram e decidiram fazer um chamado de plenária sem nos incluir, mostrando que não estavam abertos ao debate.

Precisamos unificar nossas forças, de fato, contra todos os nossos inimigos. Essa é a unidade que falta. Qual diferença faria se o DCE organizasse os estudantes para apoiar a luta da MRV e dos indígenas em Brasília? Qual diferença faria se o DCE organizasse os estudantes para estar junto às terceirizadas da universidade, lutando para que sejam efetivadas sem necessidade de concurso público? Essa força poderia ser um ponto de apoio maior também para arrancar nossas demandas na universidade, como a permanência estudantil e a ampliação da Moradia, além de pelo fim do filtro social do vestibular, que deixa a maioria dos filhos dos trabalhadores de fora da universidade todos os anos.

3) Por um DCE independente da Reitoria e do Conselho Universitário: não ao Código de Conduta

A Reitoria de Tom Zé vem realizando eventos para propagandear sua demagogia em relação à condução da pandemia por parte da universidade, mas não nos esquecemos da falta de EPIs contra a qual os trabalhadores da linha de frente fizeram atos no Hospital, do arrocho salarial que sofrem há anos, de cada trabalhador que morreu desempenhando sua função na Unicamp, como Luci, Fábio e Edvânia. Além disso, não nos esquecemos que quiseram cortar nossas bolsas em meio à crise sanitária, e de todas as decisões impostas sem qualquer consulta à comunidade universitária. O retorno às atividades presenciais, como e quando fazê-lo, precisa ser decidido pela comunidade de conjunto, incluindo as terceirizadas, com comissões democráticas dos três setores que acompanhem e decidam sobre os procedimentos em cada unidade.

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Também, na Unicamp e na USP, o Doria, por meio dos Conselhos Universitários, vem querendo aprovar novos Códigos de Conduta, que significam aprofundar o autoritarismo nessas universidades, que já são governadas por uma casta com privilégios materiais, que deixam os estudantes em minoria nas decisões.

Na unicamp encontramos artigos propostos claramente para perseguir a articulação dos estudantes, docentes e trabalhadores, como o 4° artigo que fala que devemos “não apresentar atitudes que resultem no transtorno à comunidade universitária”. O 17° diz que “Ficam autorizadas às autoridades competentes, quando verificada a violação das condutas preconizadas neste código, a adotarem as medidas cabíveis para a cessação dos atos impróprios (...)”. Ou seja, esses são apenas alguns de absurdos exemplos das mudanças que propõem aprovar para podar a luta e organização dos setores na universidade.

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O DCE precisa enfrentar essa antidemocrática estrutura de poder da universidade que serve para aumentar e aprofundar o interesse privado aqui dentro, calando a voz dos que se colocam contra esse modelo de universidade. Por isso, achamos importante defender uma Estatuinte Livre e Soberana para que possamos de fato opinar e decidir sobre que universidade queremos.

Por meio desse processo, poderíamos defender a necessidade de abolir a reitoria que é uma burocracia dentro da universidade e controla todo seu dinheiro e que tem no Consu integrantes do Dória e do prefeito Dário de Campinas, além de representantes das associações patronais como a FIESP, todo que apoiaram o golpe de 2016 e os ataques. Nos inspirando nos estudantes de Maio de 68, queremos lutar para conformar um governo de estudantes, trabalhadores e professores, de acordo com seu peso real na universidade. Acreditamos que esse é o caminho para lutar por uma universidade a serviço dos interesses dos trabalhadores, dos indígenas, das mulheres, dos negros e do povo pobre, e não das empresas.

4) Por um DCE democrático e proporcional

No último período, as principais reuniões chamadas por essa entidade nem foram divulgadas pública e amplamente, bem como tivemos somente uma assembleia geral neste ano. É preciso que o DCE se dê a tarefa de se ligar às bases dos cursos e articulá-las. Não achamos que isso seria possível sem fortalecer a democracia na gestão e engajar distintos setores na defesa da entidade como ferramenta de organização. Por isso, defendemos uma gestão proporcional, na qual tomem parte todas as chapas que concorrerem no processo eleitoral, de acordo com o número de votos que receberam, unificando, assim, as forças de todos os que querem defender a importância dessa entidade e testando diferentes concepções de entidade na prática.

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Por meio dessas propostas, acreditamos que estamos melhor preparados para lutar para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Se você concorda com essas ideias, entre em contato com a Faísca Unicamp, pelo número (11) 99597-7908.




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