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Nova empresa terceirizada do bandejão da Unicamp serve comida estragada em presídios

330 trabalhadoras terceirizadas do bandejão da Unicamp estão sob ameaça de demissão. A licitação que regula qual empresa presta serviços à universidade, que é de responsabilidade da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), foi recentemente trocada, assim como a empresa que contrata as terceirizadas da alimentação. A nova empresa, no entanto, além de ter a possibilidade de demitir em massa essas trabalhadoras, já foi punida no Rio de Janeiro por falta de higiene e servir comida estragada em presídios aos quais presta serviço.

quarta-feira 20 de julho | Edição do dia

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A Soluções Serviços Terceirizados, que agora irá prestar os serviços no bandejão da Unicamp, já foi punida no Rio de Janeiro por servir comida estragada nos presídios do estado. De origem em SP, a empresa foi proibida por 6 meses de prestar serviços no estado do Rio de Janeiro após uma fiscalização que flagrou as condições de conservação da comida que era servida por ela. Essa mesma empresa já tem mais de 2,5 mil processos judiciais abertos contra ela.

O relatório apresenta que “o ambiente da cozinha central era quente e, em geral, apresentava condições higiênico-sanitárias inadequadas, inclusive com moscas circulando no local” e que “a temperatura inadequada das preparações predispõe o crescimento de microrganismos, inclusive, patogênicos o que poderia levar a surtos de doenças de origem alimentar”.

A Unicamp busca se apresentar como um exemplo nacional de progressismo, mas essa medida vai ao encontro de medidas típicas da direita, ao atacar ao mesmo tempo os trabalhadores por meio de uma ameaça de demissão em massa e os estudantes por meio da precarização dos serviços e permanência na universidade, por meio da contratação de uma empresa que já teve inclusive contratos suspenso por ter em seu galpão uma infestação de ratos em Nova Iguaçu, no estado do Rio de Janeiro.

Isso é uma expressão clara do funcionamento do trabalho terceirizado, já que a universidade, que cumpre aqui o papel de uma empresa contratante, se desvia da responsabilidade sobre as demissões e culpa a empresa terceirizada que contrata os trabalhadores. Essa, por sua vez, joga a culpa para a empresa contratante, e assim ninguém assume a responsabilidade pelos ataques. Além disso, a terceirização também cumpre um papel em dividir a classe trabalhadora ao colocar trabalhadores em diferentes posições dentro do mesmo local de trabalho, uma parte efetiva e uma parte terceirizada.

Não é possível ser uma oposição consequente à extrema-direita ao mesmo tempo em que se demitem centenas de trabalhadoras em um contexto de crise e aumento da carestia de vida com a inflação corroendo dia após dia o poder de compra das famílias. Como resposta a essa ameaça é necessário organizar o conjunto dos estudantes e dos trabalhadores, tanto efetivos quanto terceirizados contra as demissões. Além disso, para ser um verdadeiro exemplo nacional é preciso lutar pela efetivação imediata de todas as trabalhadoras terceirizadas sem a necessidade de um concurso público, já que elas já provaram há muito tempo que são capazes de realizar seu serviço.




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