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Estaduais paulistas | Reitores da USP, UNESP e Unicamp mantém intransigência: 0% de reajuste e mais arrocho salarial

Hoje, em reunião de negociação entre o Fórum das Seis, mais uma vez ficou remarcado o desrespeito dos Reitores com os trabalhadores, professores e estudantes das Universidades.

quinta-feira 15 de julho | Edição do dia

Hoje, dia 15/07, ocorreu a segunda reunião de negociação entre o Fórum das Seis (que reúne as entidades representativas dos trabalhadores, professores e estudantes da USP, Unesp, Unicamp e Centro Paula Souza) e o Cruesp (Conselho de Reitores das universidades estaduais paulistas).

Desde abril, o Fórum das Seis tem buscado o CRUESP para a negociação em torno da campanha salarial e somente depois de meses de insistência foi marcada uma primeira reunião em que os Reitores mostraram que não tem disposição nenhuma para negociação. Hoje, mais uma vez, ficou remarcado o desrespeito dos Reitores com os trabalhadores, professores e estudantes das Universidades.

Os trabalhadores e professores das Universidades Estaduais Paulistas têm acumulado 29,81% de perda salarial desde maio de 2012. A principal reivindicação do Fórum das Seis era baseado em um aumento salarial imediato de 8% retroativo a maio, e mais um valor fixo de R$500,00 para todos, garantindo um aumento proporcionalmente maior para os pisos básicos da categoria, além de um Plano de Recuperação das Perdas Salariais acumuladas desde 2012.

A argumentação jurídica e a sustentação política que os Reitores utilizaram para negar qualquer reajuste salarial se apoiou centralmente na Lei Complementar 173, um ataque do governo Bolsonaro que impede até dezembro de 2021 qualquer reajuste salarial para funcionários públicos. O que eles escondem é que as Universidades Estaduais Paulistas dispõe de autonomia universitária e não necessitam se submeter à tal Lei Complementar.

Os representantes do Fórum das Seis evidenciaram a hipocrisia dos Reitores, que utilizam ao bel-prazer tanto a autonomia universitária, quanto a LC 173, à favor dos seus próprios interesses e contra o conjunto da comunidade universitária. Também evidenciaram que por trás da demagogia de se colocarem contra Bolsonaro, quando se trata de atacar os trabalhadores, professores e estudantes, os três Reitores não pensam duas vezes em se apoiar nas suas medidas políticas, legais e econômicas.

Os Reitores alegam que é necessário ter responsabilidade financeira e comemoram que as Universidades estão, pela primeira vez em décadas, com o menor comprometimento do orçamento com a folha de pessoal (uma média de 73,23% em junho nas três universidades). É a melhor situação financeira que as Universidades de São Paulo já tiveram. Não à toa, na USP, o último Conselho Universitário aprovou a reserva de 340 milhões de reais.

Essa economia, porém, tem sido alcançada exatamente às custas do salário e condições de trabalho dentro da Universidade e prejuízos no ensino e na permanência dos estudantes e à implementação de medidas de desmonte da educação e da universidade pública como os Parâmetros de Sustentabilidade econômico-financeira (que são a implementação da Lei de Responsabilidade Fiscal no âmbito das universidades) como o congelamento da contratação de trabalhadores, o arrocho salarial, a implementação de PIDVs que levaram à demissão de milhares de trabalhadores, o corte de bolsas e verba de permanência estudantil, o fechamento de unidades, a demissão em plena pandemia de centenas de trabalhadoras terceirizadas e a precarização das condições de trabalho, pesquisa e ensino nas universidades.

Enquanto isso, esses mesmos Reitores e suas camarilhas de professores dos Conselhos Universitários aumentam seus próprios super-salários ganhando mais de R$30.000,00.

Esses ataques contra as Universidades são parte de um conjunto de ataques que vem afetando e estão sendo planejados contra os serviços públicos e contra os trabalhadores nacionalmente. Para além da reforma trabalhista, da reforma da previdência e das privatizações segue em processo a reforma administrativa para acabar de vez com o serviço público pela via de atacar o funcionalismo.

A pandemia veio para facilitar os ataques, inclusive com as Reitorias negligenciando a vida dos trabalhadores, mantendo os terceirizados trabalhando e se expondo sem necessidade, mantendo os trabalhadores da área da saúde sem EPI’s e buscando pressionar os demais trabalhadores ao retorno presencial de maneira irresponsável. Ao mesmo tempo, ensaiam manter as medidas extraordinárias e necessárias durante a pandemia de maneira permanente como os ataques do ensino híbrido e do trabalho remoto permanente.

É necessário fortalecer a organização dos trabalhadores em unidade com estudantes e professores, unificando nossas pautas junto com a defesa da permanência estudantil, e ligando a nossa luta com a situação nacional e a luta do conjunto da nossa classe contra o governo Bolsonaro, Mourão e todos os ataques desse regime golpista.




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