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20 DE ABRIL

Trabalhadores sinalizam disposição de luta, dia 20 poderia ser maior

Há incipientes focos de luta de trabalhadores espalhados pelo país, qual seria o potencial da nossa força se as direções sindicais se apoiassem nessa sinalização de disposição para articular nacionalmente e massificar o movimento?

sábado 17 de abril| Edição do dia

Registro da forte greve dos metroviários de São Paulo em 2014 - Foto: Mídia Ninja

Espalhadas pelo país, lutas de resistência contra ataques aos direitos, melhorias trabalhistas e por vacina sinalizam que os trabalhadores estão dispostos a se mobilizar. Essas lutas poderiam se unificar no dia 20 de abril, quando setores estratégicos dos transportes de SP farão paralisações, mas para isso, as Centrais precisariam sair da quarentena sindical em que estão e cumprir seu papel de articulação das lutas nacionalmente.

Em São Paulo, metroviários e rodoviários votaram paralisações para dia 20, assim como também os rodoviários de Porto Alegre. Os trabalhadores da CPTM aprovaram greve a partir do dia 27. Em outros estados já há movimentações dos trabalhadores do transporte, marcadas ou em curso, como no RJ, ES, CE, RN, DF. As pautas são variadas, se mobilizam contra demissões, redução de frota, ataques contra acordos coletivos e vacinação, nada mais justo, se tratando de categorias da linha de frente que nunca pararam em mais de um ano de pandemia e passam por enormes dificuldades para manter o serviço o mais seguro possível diante do descaso dos governos.

Mas não são apenas os trabalhadores dos transportes que estão sinalizando disposição de lutar. Diante do fechamento de um setor da fábrica da LG em Taubaté, os trabalhadores metalúrgicos entraram em greve contra as demissões e pelos seus direitos, junto às fábricas de terceirizadas, com as mulheres na linha de frente. Um exemplo pequeno, mas muito significativo por se tratar de um setor industrial importante, que vem sendo profundamente golpeado pelas demissões e fechamentos.

Saiba mais: É possível lutar contra o fechamento da LG e todas as demissões unificando os trabalhadores

Trabalhadores da educação também estão resistindo. Professores estaduais e municipais de vários estados estão contra a imposição de retorno inseguro às escolas, coisa que tanto Dória em SP, quanto Paes no Rio estão fazendo, contraditoriamente ao hipócrita discurso de oposição ao negacionismo de Bolsonaro. Há também lutas de resistência pelo mínimo, como por salário, como as merendeiras do Rio que já tem 4 meses de salários atrasados. Garis do Rio e de BH também se mobilizam por vacina, uma pauta que inclusive unifica todos esses setores que são parte da linha de frente.

Entenda: Carolina Cacau: "Toda solidariedade às merendeiras em luta contra Paes e os empresários!"

Essa semana, entregadores de SP voltaram a se mobilizar, mostrando como essa categoria mantém sua disposição, depois de ser protagonista de uma das mais marcantes lutas durante a pandemia no ano passado. Na carreata de ontem, os entregadores foram acompanhados por professores municipais, que estão em greve, um importante exemplo de solidariedade e de como a unidade pode fortalecer a luta.

Como não poderia ser diferente, trabalhadores da saúde também vem lutando, assim como fizeram muitas vezes ao longo da pandemia, demonstrando sua centralidade na linha de frente e denunciando o descaso dos governos que não garantem nem o básico para o trabalho seguro desses profissionais, como EPIs e vacina, e ainda atrasam salários, bolsas ou benefícios, como dos residentes de diferentes locais do país que atuam na linha de frente dos serviços de saúde.

Saina mais: Residentes pelo país chamam dia de luta contra atraso de bolsas e por condições de trabalho

Essas lutas incipientes apontam como, mesmo diante de uma situação reacionária no país, trabalhadores de diferentes categorias sinalizam disposição de luta, e motivos para isso é o que não falta. O que falta é a atuação das direções sindicais na construção de base e coordenação dessas lutas parciais, unificando o que é possível das pautas e atuando para contagiar outras mais categorias e erguer uma forte luta massiva que, para impor todas as demandas e um plano de emergência para contra a crise que vivemos, passa por enfrentar os governos, Bolsonaro e Mourão em primeiro lugar, mas também seus falsos opositores nos estados e municípios, que falam falam, mas na prática atacam os trabalhadores com reformas da previdência, como Paes no Rio.

O verdadeiro boicote de Centrais Sindicais patronais como a Força, que veio chamando dias separados de lutas em categorias que eles mesmos dirigem, claramente para descoordenar, já era esperado. Já a CUT, dirigida pelo PT e a CTB, pelo PCdoB, atuam com a mesma prática por objetivos um pouco diferentes, mas igualmente traidores. Convencidos da estratégia de derrotar Bolsonaro nas urnas em 2022, com Lula, abandonam a luta dos trabalhadores agora, porque temem mais a luta de classes do que o regime político cada vez mais autoritário que se desenvolveu depois do golpe, na contramão, querem se mostrar capazes de ocupar seu espaço de governo neste mesmo regime.

Leia nosso editorial: Unificar os focos de resistência: que as centrais sindicais construam um dia nacional de lutas no 20 de abril

Mas essa força dos trabalhadores que se expressa em cada luta, por mais incipiente ou parcial que seja, é capaz de impor que essas direções mudem de postura. Por isso precisamos insistentemente exigir, inclusive como parte das demandas de cada mobilização, que os sindicatos têm que aparecer, tem que chamar espaços de discussão nas bases, tem que coordenar as categorias, o que poderia ser aproveitado já neste dia 20, possibilitando uma primeira demonstração de forças da nossa classe em meio a tanta dificuldade, já que é a única capaz de dar uma saída sanitária, social e política para a crise que os capitalistas e governos criaram.




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