Mundo Operário

NENHUMA FAMÍLIA NA RUA

É possível lutar contra o fechamento da LG e todas as demissões unificando os trabalhadores

O destino da luta das trabalhadoras da Suntech, Bluetech e 3C pela manutenção dos seus empregos está unido ao destino dos trabalhadores da LG contra o fechamento da fábrica. Por isso, a unidade e o apoio popular são fatores decisivos para vencer. É preciso manter e unificar as greves!

sábado 17 de abril| Edição do dia

Trabalhadoras da Suntech, Bluetech e 3C, empresas terceirizadas da LG, estão em greve desde terça-feira (6) contra as ameaças de demissão que estão sofrendo após o anúncio de que a LG não produzirá mais celulares no Brasil. Na segunda-feira, 12, os trabalhadores da LG seguiram o exemplo das trabalhadoras das empresas terceirizadas, recusaram a proposta da empresa e decretaram greve. O fechamento dessas fábricas significa pelo menos 1.000 trabalhadores sem emprego e renda em meio à pandemia, isso contando apenas os empregos diretos.

Ontem (16), em audiência de conciliação no TRT, fruto da mobilização dos trabalhadores, a justiça determinou que a negociação da indenização deve começar com um piso de 30 mil de indenização, contra a proposta inicial da empresa de 8 mil. Mas, segundo o sindicato, a condição para abrir esta negociação é que os trabalhadores encerrem a greve. Também dão a garantia do pagamento dos dias parados. Essa negociação trata apenas dos trabalhadores da LG, desconsiderando as trabalhadoras das 3 empresas terceirizadas da LG que também sofrerão com o fechamento.

Desmontar a greve agora e retomar a produção para garantir os prazos de entrega com os quais a LG se comprometeu significa enfraquecer os trabalhadores para seguir a negociação, porque não terão nenhuma moeda de troca. A greve deve seguir até o final da negociação, considerando também a situação das trabalhadoras terceirizadas. A greve unificada mostrou sua força, não podemos cair na chantagem da empresa e da justiça que burca dividir e enfraquecer os trabalhadores.

A LG é uma gigante sul-coreana que está reestruturando sua produção mundialmente para sair do ramo dos celulares, nesse caso se trata de uma luta dura dos trabalhadores, mas o destino da luta não está dado. É possível lutar contra o fechamento da fábrica, desde que as trabalhadoras e trabalhadores das 4 fábricas construam uma forte unidade entre si, discutam juntos quais medidas tomar a cada dia para fortalecer e ampliar a greve e também para conquistar apoio da população e de outras categorias. Nesse sentido, não teria sido melhor que o sindicato de Metalúrgicos de Taubaté (da CUT) tivesse unificado a assembleia da LG, no dia 12, junto com as trabalhadoras das 3 fábricas terceirizadas? Ou ainda, não seria bom organizar atividades de greve nos piquetes onde todos dessas fábricas pudessem se conhecer, estreitar laços como forma de fortalecer a unidade e a própria luta? Pensando assim ações conjuntas e organizando de forma unificada essas ações, através de comitês votados pelos trabalhadores para fortalecer a luta unificada desde a base.

As trabalhadoras terceirizadas relatam que a maior parte do trabalho para a fabricação de um celular da LG é feito por elas. Produzem com as máquinas e matérias primas da marca. Do ponto de vista da produção, fazem parte da mesma linha de montagem dos trabalhadores efetivos, apesar de estarem em fábricas diferentes. A terceirização é uma forma que os patrões encontraram para dividir e enfraquecer trabalhadores para que não possam reagir às demissões, à retirada de direitos. Por isso fazem de tudo para que trabalhadores diretos e terceirizados mantenham-se separados, separando serviços só de mulheres, com salários menores, contratos de trabalho diferentes etc. Não podemos aceitar essa divisão.

É muito importante que a direção do sindicato de metalúrgicos de Taubaté se unifique às ações do sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos, e isso precisa se reverter em que trabalhadores das 4 fábricas atuem em ações, assembleias e comitês unificados mostrando para os patrões a força da nossa classe. Por exemplo, não poderia ser feito um ato unificado no consulado coreano, na Av Paulista, chamando também outras categorias e a população a apoiarem? Ou na frente do posto de atendimento da LG, que fica em São Paulo próximo a Av Rebouças? Seria uma forma de dar visibilidade pra luta contra as demissões que atingem também outras categorias.

A responsabilidade pelas crises sanitária e econômica, que são descarregadas nas costas de trabalhadores, mulheres, negros, é de Bolsonaro, junto dos militares, e também do Congresso, STF e governadores, com as já mais de 4 mil mortes por dia, e também por estarem todos juntos na hora de atacar os trabalhadores com as reformas, como a Reforma da Previdência e Trabalhista, e as MPs da morte, que desde 2020 vem permitindo todo o tipo de abuso e desmandos dos patrões e muitas vezes fome aos trabalhadores e operários.

As centrais sindicais deveriam organizar e potencializar a insatisfação crescente dos trabalhadores que vêm sofrendo cada vez mais com a precarização da vida e do trabalho.

O Esquerda Diário está a serviço dessa perspectiva e nos colocamos ao lado de cada foco de resistência que se expressa no país em meio à situação reacionária atual. Colocamos as forças da nossa imprensa militante para o que as trabalhadoras precisarem na luta contra as demissões e fechamento da LG.




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