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Desastre capitalista | Enchentes na Bahia completam um mês de tragédia capitalista. Por uma resposta dos trabalhadores!

As primeiras notícias das consequências das chuvas na Bahia e norte de Minas Gerais chegaram a cerca de 1 mês, chocando o conjunto da população dados os enormes estragos que um fenômeno cíclico gerou. Todos os anos as esperadas épocas de chuva geram algum dano em uma ou outra parte do país, não por falta de capacidade de previsão metereológica, na medida em que uma série de especialistas já alertavam sobre a quantidade de chuvas que estava por vir no território baiano, produto sobretudo do La Niña.

Ítalo DiasCoordenador do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

sexta-feira 7 de janeiro | Edição do dia

O que não se esperava era que seria o maior volume de chuvas desde 1961. Ainda assim, tamanho estrago visto em inúmeras imagens de casas alagadas, estradas destruídas, famílias que perderam tudo, não pode ser responsabilidade apenas das chuvas. A ganância capitalista, perpetrada pelos governos, desorganizou o clima no mundo todo, impediu que fossem criadas condições que pudessem ao menos reduzir seus impactos, e nesse momento obstaculiza a necessidade de organizar todos os esforços necessários em um plano de emergência de resgate às vítimas.

Segundo os últimos dados oferecidos pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) são 822 mil atingidos pelas chuvas no estado. O número de desabrigados registrados são 27.205, além de 69.132 desalojados e 2 desaparecidos. A cada dia dezenas de milhares de pessoas se somam ao número total de atingidos. Somente na Bahia 26 pessoas morreram e 520 ficaram feridas. Os números correspondem às ocorrências registradas em 175 municípios afetados. Desse total, 164 estão com decreto de situação de emergência. Números que, apesar de desacelerarem, não recuaram desde o início das enchentes.

As cheias já começam a atingir outras regiões do país. No norte de Minas Gerais foram 4 mortes por conta das enchentes de dezembro. No Tocantins foi decretado estado de emergência em todo estado, onde, segundo os números oficiais da Defesa Civil, já são 35 municípios do estado afetados pelas enchentes e 494 desabrigados ou desalojados, sendo 864 o total de pessoas afetadas. Mas as informações ainda estão sendo levantadas e o número de atingidos pode ser ainda maior. Em Teresina, capital do Piauí, 117 famílias foram desabrigadas por conta das chuvas nesse início de ano. A região metropolitana de Fortaleza, no Ceará, começou o ano com cidades debaixo d’água.

Enchentes

Nessa situação o governo Bolsonaro não se incomodou de interromper as suas férias, não só o presidente mas o ministro Rogério Marinho, do Ministério do Desenvolvimento Regional, responsável pelas ações em resposta às enchentes, encontrou de férias essa semana. Um governo que foi responsável pela redução de 75% das verbas de combate às enchentes em 2021, em prol da garantia de recursos para garantir os lucros dos bancos e empresários durante a pandemia, assim como a compra de parlamentares para sustentarem seu governo com o orçamento secreto.

Orçamento esse que recebeu R$16 bilhões para esse ano, enquanto Bolsonaro destinou apenas 700 milhões para a Bahia, sendo que a maior parte desses recursos ainda não chegou. Um governo responsável, junto aos militares, por “passar a boiada” para o agronegócio na Amazônia e outros biomas brasileiros, contribuindo com o aquecimento global através das queimadas, que levam ao descontrole climático e fenômenos como o La Niña ocorrerem com maior intensidade e frequência. Ou seja, um governo que é agente direto da tragédia em favor dos interesses capitalistas, que não estão nem aí para as vítimas das chuvas.

Mas também o governo de Rui Costa, que trata tudo como um “desastre natural”, é herdeiro do quarto mandato do PT no estado, que nem mesmo uma manutenção preventiva regular para evitar que as barragens se rompam ou transbordem, ou obras de absorção e escoamento das chuvas, foi feito durante tantos anos. Medidas que inclusive poderiam aproveitar as chuvas com reservatórios hídricos para atender regiões acometidas pelas secas. O PT também governou o país de 2002 a 2016 e poderia ter tomado medidas para retirar as pessoas das áreas de risco, oferecendo moradia digna e combatendo a especulação imobiliária.

Apesar do descaso dos governos, é visível como foi forte a entre os trabalhadores de todo o país, com uma série de campanhas de arrecadação de doações por PIX, ou a emocionante corrente humana feita por moradores passando alimentos de mãos em mãos para transpor uma cratera na rodovia BA-561 e permitir que as doações seguissem viagem noutro veículo. Uma real resposta a essa situação só será possível mobilizando essa solidariedade e o conjunto dos esforços dos trabalhadores, da região e do país, junto aos intelectuais das universidades e técnicos em prol de um plano de emergência pago com os lucros capitalistas.

Um plano de emergência que comece pela exigência aos governos que socialize os quartos de hotéis e moradias desocupadas para abrigar as famílias, assim como a organização de restaurantes públicos deveriam ser organizados e colocados sob administração dos trabalhadores e sob controle da população, junto à agricultura familiar.

E para que a população tome nas suas mãos um plano como esse, é fundamental que as grandes centrais sindicais, como a CUT(PT) e a CTB (PCdoB), e as entidades estudantis, como a UNE (PCdoB e PT) nacionalmente, mas também os DCE’s nas Universidades, se coloquem a serviço dessa mobilização e de uma ampla campanha de exigência a que todos os recursos disponíveis sejam colocados à disposição dessa organização. Uma campanha que necessariamente deverá se enfrentar com os interesses empresariais e capitalistas, que farão todo tipo de demagogia para manter seus lucros de fora dos recursos urgentes para responder à tragédia que eles mesmos são responsáveis.

Para financiar um plano como esse não faltam recursos, e os empreendidos por Bolsonaro, Rui Costa não serão suficientes. É preciso pôr fim aos subsídios de empresários, ao dinheiro do orçamento secreto, junto ao não pagamento da criminosa dívida pública que enriquece banqueiros bilionários e a taxação das grandes fortunas com impostos progressivos, confiscando os exorbitantes lucros do agronegócio que não perdeu um centavo durante a pandemia. Um plano como esse que avance para tomar medidas que previnam essas destruições no sentido de uma profunda reforma urbana em prol da maioria da população, retirando as pessoas de potenciais áreas de risco através do combate à especulação imobiliária e da construção de moradias para todos.

Junto ao apoio técnico e intelectual das universidades, será possível planificar um grande plano de obras públicas, iniciando imediatamente com a vistoria e manutenção de todas as barragens que necessitem, mas que também reconstrua as moradias, escolas, postos de saúde, estradas destruídas só será possível convertendo cada empresa nacional e estrangeira, como a ACELEN compradora à preço de banana das instalações da Petrobras na Bahia, que libere todos seus recursos humanos e materiais de engenharia e geologia para essas obras.

Em um plano como esse, os desempregados poderiam ter trabalho, recebendo mais que um mísero salário mínimo, nos restaurantes, nas obras de reconstrução e em todas as tarefas necessárias, combatendo o desemprego, a fome e o retrocesso de 10 anos em 2 promovido por todos os ataques aos trabalhadores que reduziram a renda média do trabalho ao patamar de 2012. E com isso, apontar o caminho para a revogação da mentirosa reforma trabalhista, que não gerou mais emprego como prometeram, apenas mais informalidade e facilitou as demissões.

Não é possível esperar passivamente que os governos garantam a resolução dessa situação crítica da qual eles também são responsáveis e demonstram, há anos, que em tempos de crise social, sanitária e econômica governam para descarregar a crise sobre os trabalhadores. Por isso, essa auto-organização em cada local de trabalho e estudo, que tome nas suas mãos a solidariedade e uma resposta dos trabalhadores às vítimas é o que pode reverter o conjunto de medidas que nos trouxeram à situação de miséria, como a reforma da previdência, a lei do teto de gastos e as privatizações. E nesse sentido, enfrentar o governo Bolsonaro e Mourão e os militares que sustentam seu governo, mas também a direita neoliberal que se faz de opositora, como Alckmin, o PSDB, assim como o STF e esse judiciário golpista e privilegiado, que andam juntos para aprovar os ataques contra nós. E nesse caminho, será necessário superar o PT e suas burocracias sindicais e estudantis, que abriram caminho para a direita e fortaleceram os capitalistas nos seus governos, oferecendo uma alternativa verdadeiramente socialista e revolucionária, acabando com toda forma de opressão, exploração e devastação ambiental.




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