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O recente caso de assédio sexual envolvendo o presidente da CBF, Rogério Caboclo, escancara mais uma vez o machismo do alto escalão e da Confederação Brasileira de Futebol, que junto a Bolsonaro estão impondo a realização da Copa América no Brasil em meio a catástrofe sanitária. Mas o caso nojento de Caboclo não é um caso isolado, aqui elencamos pelo menos 6 vezes (poderiam ser inúmeras!) que a CBF e seu alto escalão foram machistas, mostrando que essa é uma marca que eles deixam no futebol brasileiro. A luta das mulheres, junto aos trabalhadores, é a única que pode enfrentar esses casos de machismo e a máfia da CBF.

segunda-feira 7 de junho | Edição do dia

foto: Lucas Figueiredo/CBF

Segundo pesquisas desenvolvidas pelo Fórum de Segurança Pública, 1 a cada 4 mulheres foram vítimas de violência no último ano, a pesquisa ainda revela que 8 mulheres são agredidas fisicamente por minuto. São dados que mostram que diante da pandemia, do governo Bolsonaro e Mourão, dos ataques do STF e do Congresso, se aprofunda a violência às mulheres, como vimos recentemente com o feminicídio da jovem Vitória em um shopping no Rio de Janeiro.

Além disso, o que está tomando os jornais agora é o recente caso escandaloso, envolvendo o agora ex-presidente da CBF Rogério Caboclo, de assédio sexual. Abaixo, elencamos pelo menos 6 fatos que mostram o machismo da CBF e do seu alto escalão.

1. “Você se masturba?”

Uma funcionária da CBF gravou uma conversa que teve com o ex-presidente da Confederação, Rogério Caboclo, em que é assediada por ele. Na gravação, Caboclo faz várias menções a sua vida sexual e a vida sexual da funcionária, inclusive chegando a perguntar se ela se masturba. A funcionária está claramente constrangida e desliga o telefone. Esse caso, junto a outra denúncia da mesma funcionária, veio a tona e levou ao afastamento de Caboclo da CBF.

2. Abuso e chamava de “cadela”

A mesma funcionária também acusa o ex-presidente por assédio moral, segundo ela, Caboclo a fez comer um biscoito de cachorro enquanto a chamava de cadela. A funcionária decidiu formalizar a denúncia à Comissão de Ética da CBF e à Diretoria de Governança e Conformidade. Ela diz que há pelo menos um mês e meio já havia relatado a superiores e colegas da CBF o que vinha acontecendo.

3. Desigualdade salarial entre homens e mulheres

Há muito tempo existe a reivindicação de igualdade salarial também no futebol, já que a diferença entre os jogadores do futebol masculino e do feminismo é um abismo, a jogadora Marta é uma das que dá voz a essa reivindicação. Segundo matéria da Folha de S.Paulo, quando o jogo era no exterior as mulheres ganham em reais, e os homens em dólar. Para cada jornada de treino no Brasil as mulheres recebiam metade do valor dos homens, e quando iam ao exterior as mulheres recebiam o mesmo valor, mas os homens recebiam 34 vezes maior e em dólares. As premiações também tem valores distintos quando se trata do futebol feminino e masculino. Em setembro do ano passado, depois de muitas reivindicações das jogadoras, Caboclo anunciou que iria igualar o pagamento das diárias e das premiações, ele só não explicou porque que até agora a CBF paga menos às mulheres, além disso há uma série de condições de trabalho para as jogadoras que seguem sendo inferiores aos homens e que seguem intocados pela CBF, como mostrou o abaixo-assinado organizado pelas jogadoras na copa do mundo de futebol feminino em que jogavam em gramado sintético e em sensação térmica de quase 50 °C.

4. Sem formalização de trabalho para as mulheres

Em 2016, jogadoras da seleção feminina de futebol declararam que o contrato que fizeram era “de boca”, sem nenhuma formalização, e que assim recebiam descontos e valores indevidos que não podiam contestar, mesmo depois de entregarem todos os documentos para a contratação. Mais um fato que mostra que a CBF utiliza do machismo para lucrar mais em cima das mulheres jogadoras.

5. Casos de estupros com jogadores

São inúmeros casos de denúncias de estupros e violência machista envolvendo jogadores, alguns mais antigos como de Cuca, ou mais recente como no caso do jogador Robinho, em todos os casos o que vemos não é uma busca por uma investigação que possa de fato chegar em respostas sobre as denúncias, mas sim uma tentativa de preservar os jogadores, a CBF e seus patrocínios, e além disso não há nenhuma punição aos jogadores que cometem abusos sexuais ou qualquer tipo de violência machista, racista e lgbtfóbica. Mostrando mais uma vez que a CBF busca apenas se preservar e preservar o seu alto escalão que segue nadando em rios de dinheiro e é uma verdadeira máfia do esporte hoje junto aos empresários.

6. Presidente torturador da ditadura militar

Um dos presidentes recentes da CBF foi José Maria Marin, reconhecido torturador da ditadura militar, que foi parte da construção do AI-5 e é acusado inclusive de envolvimento indireto na morte de Vladimir Herzog. O AI-5 foi responsável por uma grande escalada de repressão, tortura e mortes durante o regime militar. Do ponto de vista das mulheres, o AI-5 foi responsável não só pela tortura direta das mulheres, mas também por usar mulheres como tortura para seus companheiros, de estupros e até empalamento, mostrando que a ditadura também aprofundou a violência machista. Além disso, quem agora assumiu no lugar de Caboclo foi Coronel Nunes, da PM, o que mostra as afinidades da CBF com as forças repressivas do Estado.

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