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“Você se masturba?”: é divulgado áudio que denuncia assédio de Rogério Caboclo da CBF

A funcionária relata que Caboclo já havia a deixado constrangida em outras situações e que com frequência o presidente a insultava e a humilhava na frente de outros diretores.

segunda-feira 7 de junho| Edição do dia

Imagem: Foto: Mauro Pimentel/AFP

Segundo o Globo, o áudio foi gravado no dia 16 de março: Caboclo chamou a funcionária à sua sala, que se sentiu desconfortável e mandou mensagem a dois outros diretores da CBF pedindo ajuda. Um dos diretores encontrou um pretexto para entrar na sala e ajudou a funcionária, que aproveitou a desculpa para se retirar. Logo que o diretor deixou a sala, entretanto. Caboclo a chamou novamente e ela decidiu gravar a conversa entre eles.

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Veja uma parte da reprodução do áudio segundo o Globo:

Rogério Caboclo: Seu coração tá no Cabeção ou no Pilotão? [dois funcionários da CBF]
Funcionária: Em nenhum dos dois
RC: Em quem tá?
Funcionária: Não tá em ninguém, é verdade. Mulher consegue ficar bem sozinha.
RC: Eu conheço minha mulher há 26 anos... Já apaixonei, pirei por amor.
[...]
RC: Eu tinha te jurado que eu não ia falar sobre assuntos particulares. Ela tem a buceta dela e eu tenho o meu pau [...] Eu sou horroroso?
Funcionária: Chefe, eu não vou entrar no assunto da vida sexual de vocês [ri constrangida].
RC: [...] Ela vai fazer ginástica, vai voltar tesuda [...]
Funcionária: Então, todo mundo… deixa ela ser feliz.
RC: Sabe o que eu sou contra? Nada [...] Você quer uma taça de vinho? [...] Não... se não parece que eu tô louco [...] Posso te fazer uma pergunta?
Funcionária: Chefe, não vou me meter na sua vida sexual seu e da [...]. Não vou, não vou.
RC: Não é isso. É na sua [vida pessoal].
Funcionária: Deixa a minha [vida pessoal] quietinha.
RC: Você consegue resistir ao [...] todo dia dando em cima de você?
Funcionária: Consigo, nós somos amigos. Acabei de falar, consigo, ponto, nós somos amigos. E tá tudo bem, tá tudo certo, nós somos amigos, a gente se dá bem, ele no sofá, eu no quarto e tá tudo bem. [Aqui a funcionária fala sobre um colega de trabalho com quem divide apartamento]
RC: Eu não acredito.
Funcionária: Eu não tenho por que mentir, não.
RC: Tá bom. Segunda pergunta. Posso?
Funcionária: Fala.
[...]
RC: Você se masturba?
Funcionária: Chefe, tchau.
RC: Ei...
Funcionária: Não quero falar disso, não quero. Eu vou avisar ao [...] que você tá lá embaixo.

A funcionária contou que não foi a primeira vez que o Caboclo a deixava constrangida. Uma semana depois ocorreu o caso já denunciado pela funcionária na casa do presidente, onde ele a chamou de cadela e a ofereceu biscoitos de cachorro. Após ela ter protestado e afirmado que nunca se sentiu tão ridicularizada, Caboclo disse que não se intrometeria mais na vida pessoal dela, mas exigiu que ela não mantivesse nenhuma relação pessoal nem de amizade com ninguém da CBF.

Em outra ocasião, Caboclo exigiu que ela mudasse a maneira de se vestir e chegou a afirmar que providenciaria o dinheiro para que ela pudesse comprar roupas novas.

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Dia 09 de abril a funcionária pediu licença por motivos de saúde e logo após seu afastamento teve início a negociação entre Caboclo e a funcionária para abafar o caso. A defesa de Caboclo afirmou que a funcionária teria pedido R$12 milhões para que ela não divulgasse o áudio, mas segundo ela essa quantia foi oferecida pelo presidente para que ela desmentisse a denúncia para a imprensa.

Em nota, a defesa de Caboclo nega o assédio apesar das provas e tenta justificar o ocorrido: “Embora ele reconheça que houve brincadeiras inadequadas e excesso de intimidade, é preciso deixar claro que essas decorreram do fato de que havia uma relação de amizade entre ambos, que a denunciante esteve várias vezes na casa dele, convivia com sua família e que ambos conversavam com frequência sobre assuntos de natureza pessoal. Mas jamais ele se aproximou fisicamente da denunciante, menos ainda fez qualquer movimento ou proposta no sentido de se aproveitar de forma libidinosa dela.”

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