Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Basta de feminicídios e violência machista! Bolsonaro, Mourão e os golpistas são responsáveis!

No início da pandemia, um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que houve um aumento de 22% em casos de feminicídios em 12 estados brasileiros. Nos últimos 4 anos, o Rio de Janeiro teve um crescimento de 127% nos casos de feminicídio. Números que mesmo subnotificados mostram a que veio o governo Bolsonaro, fazendo as mulheres serem espremidas entre o medo da fome, da covid, do desemprego e da violência machista.

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

quinta-feira 3 de junho| Edição do dia

Foto: Eitan Abramovich, AFP

Só nesta semana de junho de 2021 vimos o caso atroz da jovem Vitória Melissa, de 22 anos, que foi assassinada por um amigo em um shopping em Niterói. Cristiane da Silva, de 35 anos, levou 61 facadas do agressor, que era seu companheiro, e foi encontrada morta em sua própria casa em Três Rios, RJ.

Maria de Fátima Viana, de 47 anos, também foi morta a facadas por seu companheiro em Taiobeiras, norte de Minas Gerais. Indiana Geraldo Tardett, 42 anos, foi encontrada morta 4 dias depois de denunciar o ex-marido e fazer pedido de medida protetiva, o que mostra que a polícia e a justiça são completamente incapazes de proteger as mulheres. Uma outra mulher foi morta pelo ex-namorado em Lages, Santa Catarina, o feminicídio aconteceu na frente de seu filho de 5 anos de idade.

Essas foram algumas das manchetes da primeira semana de junho, sem contar as inúmeras que acontecem dia a dia e que se multiplicam diante da crise sanitária, social e econômica que vive o país.

No início da pandemia, um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que houve um aumento de 22% em casos de feminicídios em 12 estados brasileiros. Nos últimos 4 anos, o Rio de Janeiro teve um crescimento de 127% nos casos de feminicídio. Só no mês de abril de 2021 o Rio Grande do Sul teve aumento de 55% nos casos de feminicídio.

Números que certamente são subnotificados, já que muitas vezes a violência machista não é registrada em nenhum lugar. Mesmo assim mostram a que veio o governo Bolsonaro, fazendo as mulheres serem espremidas entre o medo da fome, da covid, do desemprego e da violência machista. Violência que é alentada dia a dia pelo governo da extrema direita, que é profundamente machista, misógino e odeia o feminismo e as mulheres.

Um governo que quer normalizar insultos machistas, como chamar uma jornalista de “quadrúpede” em rede nacional, ou dizer que uma mulher merece ser estuprada. Mas Bolsonaro não está sozinho, lembremos de Mourão que disse que família sem pai ou avô é fábrica de elementos desajustados, ou mesmo Damares, que atua fortemente contra o direito ao aborto e quer aprovar o ensino domiciliar para jogar ainda mais uma jornada de trabalho nas costas das mulheres. Mas podemos falar também do autoritarismo machista do STF e do “estupro culposo” no recente caso de Mari Ferrer, mostrando que não vão ser com medidas judiciais que podemos avançar em nossa luta.

Além disso, nesse momento vemos o Congresso nacional com o Senado organizando uma verdadeira farsa da CPI para que sejamos espectadores passivos do teatro, usando o discurso que vão salvar vidas, quando o mesmo legislativo faz avançar com a Reforma Administrativa que ataca diretamente os servidores públicos, como as trabalhadoras da saúde, maioria mulheres.

Bolsonaro, Mourão, STF e Congresso estão todos de mãos dadas quando o assunto é atacar o direito dos trabalhadores e aprofundar a exploração e opressão das mulheres. Por isso, dizemos que eles também são responsáveis pela violência machista e os feminicídios, porque são parte, junto a todos os capitalistas, de manter e naturalizar a nossa opressão. Também são os mesmos que com suas polícias assassinam o povo negro, por isso não será com medidas mais repressivas, como mais delegacias da mulher, que é possivel conquistar nossa proteção. Porque a polícia que chacina não pode proteger as mulheres.

Querem nos ver submissas, sem direitos, para renovar as engrenagens de exploração desse sistema. Assim, também aprofundar a naturalização da violência machista na sociedade, fazendo na pandemia os feminicídios aumentarem a níveis alarmantes. Por isso, nós mulheres do Pão e Rosas também saímos nas ruas neste dia 29 lutando por Fora Bolsonaro, Mourão e militares, e dizendo que não confiamos nos golpistas do STF e Congresso.

Também exigimos que para potencializar nossa luta, precisamos que os sindicatos, que são em grande maioria dirigidos pelo PT e PCdoB, organizem a nossa luta pela base, chamando a uma grande paralisação nacional contra Bolsonaro, Mourão e os ataques. Esse chamado também poderia estar sendo feito pelo movimento de mulheres, que em grande parte também é dirigido pelo PT. Assim, mais mulheres também poderiam ser parte das mobilizações desde já para derrotar os planos desse governo, levando a frente também a luta contra a violência machista.

As mulheres hoje carregam mais do que a submissão que querem nos impor, carregam a luta internacional que sacudiu o mundo contra a violência machista, por direito ao aborto, no 8 de março, e contra os governos misóginos da extrema direita, como Trump e Bolsonaro. Carregam a luta pela liberdade, sobretudo as mulheres negras, porque não é possível seguir morrendo vítimas dos companheiros que nos querem aprisionadas em relacionamentos que não queremos. Não é possível seguir morrendo apenas pelo fato de ser mulher.

Por isso nós do Pão e Rosas defendemos nos locais de estudo e trabalho onde estamos a importância da luta das mulheres também ser a luta contra esse sistema que aprofunda nossa opressão. Que separa os trabalhadores entre homens e mulheres, negros e brancos, e fortalece essa visão que temos que ser "recatadas e do Lar". São as mulheres nas ruas, juntos aos trabalhadores, as únicas que podem impor justiça! Por isso, hoje na Argentina estivemos cortando avenidas contra a feminicídio e para expressar essa luta das mulheres.

É preciso impor com essa luta um programa emergencial de combate a violência contra mulheres e lgbts, que fosse implementado pelo Estado, com assistência econômica, casas abrigos, plano de moradia, licença do trabalho a todas as vítimas, a luta pela igualdade salarial, pela efetivação dos terceirizados sem concursos, já que a maioria desses são mulheres e negros com péssimas condições de trabalho, a luta pela legalização do aborto e educação sexual nas escolas.

A força da luta internacional das mulheres, junto aos negros e negras que vimos recentemente se levantando contra a violência racista, aos LGBTS que no mês do orgulho LGBTQIA+ retomam a experiência de Stonewall, e junto a toda classe trabalhadora que se enfrenta com os ataques de mais de uma década de crise capitalista por todo o mundo, pode colocar abaixo esse sistema miserável onde precisamos lutar para sobreviver.

Por nenhuma a menos, contra a violência machista e os feminicídios, contra as reformas e os ataques, e por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, nós mulheres do Pão e Rosas seguimos em luta, gritando por todas as Vitórias, Marias, Indianas e Cristianes!




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