RACISMO

Estados disponibilizam dados que reafirmam o racismo estrutural no Brasil

Os dados disponibilizados pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP, mostram que a população negra é a que mais sofre com os assassinatos sistêmicos das polícias no Brasil, 78% das vítimas letais são negras.

quinta-feira 22 de abril| Edição do dia

Foto: Agência Brasil

Este levantamento, que usou como base os dados fornecidos pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, deixa evidente que o racismo no Brasil é uma ferida que segue sem cicatrização, o que contraria o discurso do governo Bolsonaro, através de seu vice Hamilton Mourão.

O Núcleo de Estudos da Violência da USP é um dos Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAP) da Universidade de São Paulo (USP), sediado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP), desde de 1987, lá se desenvolvem pesquisas e formação de pesquisadores por meio de uma abordagem interdisciplinar na discussão de temas relacionados à violência, democracia e diretos humanos.

Neste estudo, os estados brasileiros não sabem ou não informam a raça de mais de 1/3 das pessoas mortas pela polícia em 2020. Ao menos 11 unidades da federação não passam nenhum tipo de informação sobre a raça/cor da pele das vítimas das duas corporações (polícias Militar e Civil). Mesmo entre os que coletam e disponibilizam os dados, há vários casos de “raça não informada”. Considerando apenas os casos em que a raça é divulgada, os números revelam que 78% dos mortos pelas polícias são negros. Fato que demonstra que o número verdadeiro de negras e negros mortos, fruto da ação das polícias, é ainda maior.

Os pedidos foram feitos para as secretarias da Segurança Pública dos estados (e diretamente para as corporações em alguns casos) por meio da Lei de Acesso à Informação e das assessorias de imprensa. Foram solicitados os casos de “confrontos com civis ou lesões não naturais com intencionalidade” envolvendo policiais na ativa. O preenchimento dessa informação sobre raça/cor nos instrumentais das polícias, assim como ocorreu nos serviços públicos de saúde, vai jogar mais luz à triste e brutal realidade vivenciada pela população negra aqui no Brasil.

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O enfrentamento para tal situação não deve, e não irá passar por um treinamento mais “humanizado” dos oficiais dessas instituições racistas, que historicamente cumprem um papel de fortalecimento e legitimação das mortes nas camadas mais empobrecidas da nossa sociedade, como podemos ver aqui e aqui também.

Na mesma semana em que saiu a condenação do policial Derek Chauvin, que assassinou por asfixia o americano George Floyd aos olhos do mundo inteiro, e aumentou a visibilidade dos casos de violência gratuita das polícias imposta aos negros e negras, esse estudo gera ainda mais indignação.

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Devemos lembrar que nos dias seguintes ao assassinato brutal de George Floyd, diversas cidades dos EUA registraram protestos por conta da violência policial cometida contra a população negra, esses atos e manifestações ganharam o mundo e ocorreram também no Brasil, e seguem tomando proporções ainda maiores, que nos colocam em uma reflexão profunda: Quais são os interesses dessa instituição? A quem, e para que servem?




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