MILÍCIAS

Segundo estudo, 57% da área do Rio de Janeiro é dominada por milícias

As milícias do Rio, que possuem laços estreitos com a família Bolsonaro e diferentes agentes do Estado carioca, controlam, de acordo com esse estudo, 57% da capital fluminense, enquanto as três maiores facções do tráfico têm, somadas, o domínio de 15%.

segunda-feira 19 de outubro| Edição do dia

Foto: AFP / BBC News Brasil

Os dados estão no estudo Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, feito em parceria entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, o Disque-Denúncia e as plataformas Fogo Cruzado e Pista News.

Ainda segundo o estudo, um a cada três moradores ou 2,2 milhões de pessoas, vivem em áreas controladas por milícias. A rápida expansão dos milicianos não se limita à capital eles se espalham cada vez mais pela região metropolitana, especialmente a Baixada.

As milícias vêm se expandindo há pelo menos duas décadas, controlando territórios e populações. Nos últimos anos, elas têm crescido rapidamente e não se pode desagregar a relação da família Bolsonaro e do governo do estado com esse aumento recente. O caso de Fabrício Queiroz, amigo da família e ex-assessor de Flávio Bolsonaro, preso devido as rachadinhas na Alerj, e que tem ligações com milicianos, inclusive nomeando parentes deles para cargos na secretaria do então deputado mostra essa proximidade com as milícias. Além da relação com Queiroz, Flávio já condecorou na Assembleia Legislativa o miliciano Adriano da Nóbrega em 2005, morto no inicio do ano em operação policial na Bahia e que, inclusive é suspeito no assassinato da Marielle Franco. Fica claro então a relação próxima dessa família com as milícias, que inclusive tem como vizinho de condomínio no Rio de Janeiro, Ronnie Lessa, principal acusado do assassinato de Marielle.

No Mapa dos Grupos Armados também chama a atenção o percentual superlativo de territórios em disputa: 25% da capital. Apenas 2% da área do Rio não estaria passando por nenhum domínio criminoso ou conflito entre grupos. Os pesquisadores observaram uma nítida mudança no cenário do crime. Se antes o tráfico disputava entre si os territórios, hoje a milícia é quem desponta como principal adversária do Comando Vermelho, enquanto as demais facções têm poderio reduzido. Isso desconstrói a ideia de paz que a milícia historicamente tenta vender ao ocupar locais antes pertencentes ao tráfico.

"Segundo o mapa, as milícias entram em disputas territoriais violentas e atuam em territórios cada vez mais extensos, onde controlam esses bairros ilegalmente, cobrando taxas extorsivas sobre os mercados de serviços essenciais como água, luz, gás, TV a cabo, transporte e segurança, além do mercado imobiliário", aponta o pesquisador Daniel Hirata, da UFF.

As milícias já não se limitam mais a atividades de venda ilegal de gás e outros produtos básicos. Ela realiza atividades ilícitas como grilagem e construção de prédios que tem consequências desastrosas como quando uma dessas construções desabou em Muzema deixando 24 pessoas mortas.

Com informações de Estadão Conteúdo




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