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Racismo | "Favelado de corpo, alma e pensamento" diz juíza racista à entregador em condomínio no Rio

Cleyton Pires, de 43 anos, que trabalha como entregador de aplicativo, foi humilhado por uma juíza residente de um condomínio Nova Ipanema, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro que o chamou de ’vagabundo e favelado’.

terça-feira 19 de outubro | Edição do dia

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A ofensa, que aconteceu no último sábado (16), foi registrada nas redes sociais de Cleyton, que trabalhava na entrega de pacotes no condomínio de luxo.

O entregador era acompanhado de um segurança do condomínio e tentou entregar um pacote na casa da juíza Adriana Silva de Oliveira.

Ele relata:

“Quando chegamos na casa dela, o segurança tocou a primeira vez, pois eu estava saindo do carro. Eu fui, tirei o produto dela do carro e coloquei na porta dela. Aí toquei mais uma vez. Quando olhei para o lado, a casa dela tinha três portões. O outro portão, que imaginei que pudesse ser de caseiro, também tinha uma campainha. Eu fui e toquei a outra campainha e fiquei esperando um tempinho”.

Ou seja, Cleyton, que trabalha como entregador desde 2020, tocou a campainha por três vezes e não foi atendido. Como ninguém respondeu, ele pensou que a campanha estava quebrada e resolveu bater no portão.

Ele conta que chegou a avisar ao segurança que como ninguém estava atendendo, por via das dúvidas, iria bater no portão. "Porque às vezes a gente vai fazer entrega e a campainha está ruim, ou o interfone. Então a gente dá um grito ou bate no portão. E foi o que eu fiz”, explicou.

Entretanto, após ouvir as batidas, a moradora saiu gritando da casa o ofendendo. Segundo Cleyton, Adriana o chamou de favelado e vagabundo e disse que, como juíza, o prenderia se ele tivesse quebrado o portão.

Cleyton conta que chegou a pensar em gravar com a câmera do celular, mas ficou com receio de que pudessem alegar que as imagens fossem adulteradas e, por isso, optou pela transmissão no Facebook.

Segundo ele, o objetivo da transmissão não era que o caso tomasse grandes proporções, mas que gravou por medo de que a juíza realizasse uma denúncia à empresa e que ele fosse impedido de trabalhar.

Nas imagens gravadas por ele, é possível ouvi-la repetindo as ofensas racistas: “Favelado eu repito. Fa-ve-la-do. De corpo, alma e pensamento”.

“Ela me chamou de cretino, me chamou de favelado, me chamou de vagabundo. Eu falei: ‘não sou vagabundo não que eu estou trabalhando’. Partiu para cima de mim três vezes para meter a mão no meu telefone”, diz Cleyton no vídeo.

O caso foi registrado na segunda (18) na 16ªDP (Barra da Tijuca). Segundo a Polícia Civil, a delegacia instaurou inquérito para apurar o crime de injúria por preconceito e que diligências estão em andamento para esclarecer o caso.

Esse caso é mais uma situação emblemática das situações a que a classe que move o mundo e que, como nesse caso, enfrenta diariamente situações precárias de trabalho é vista pelas classes dominantes.

Veja abaixo o vídeo gravado por Cleyton:




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