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Movimento estudantil

Conclusões do 30M da UNE: para enfrentar Bolsonaro, militares e golpistas é urgente a luta pela base

Ontem, dia 30, ocorreu o dia de Luta convocado pela UNE. Em meio às fissuras e brigas entre os de cima, expressas nas trocas de ministros de Bolsonaro na segunda, precisamos refletir nossos desafios para enfrentar Bolsonaro, Mourão, os militares e todo o regime golpista, rechaçando as homenagens à ditadura e a Lei de Segurança Nacional que vem sendo utilizada para nos perseguir, uma herança do regime de 64.

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

quarta-feira 31 de março| Edição do dia

No dia de ontem aconteceram ações em várias capitais do país, como lambes, um corte de rua com pneus na Radial Leste em São Paulo e faixas em diferentes pontos das cidades, com manifestações minoritárias, organizadas pela UNE. A hashtag chegou aparecer no programa da Fátima Bernardes na Globo, e o que poderia ser uma demonstração de força, é uma contradição do movimento estudantil que queremos debater neste texto, como forma de contribuir à reflexão do que precisa ser o movimento estudantil.

Está colocado o desafio de superar a fragmentação imposta pelo ensino remoto, conseguir organizar os estudantes pela base, com a construção de espaços amplos onde se decida como atuar para batalhar pela unidade com os trabalhadores nas ruas, após um ano de pandemia e a desmoralização de taxas de evasão recordes, em meio a uma série de cortes aprovados, como nós da Faísca defendemos em uma reunião da UNE com mais de 500 representantes de entidades estudantis, que apesar de não ter sido divulgada, demonstrou disposição de luta na participação expressiva.

Bolsonaro está em seu pior momento desde o início do governo, justificado pela barbárie em curso que todos os dias ceifa milhares de vidas e joga a população na miséria. Com mais de 300 mil mortes, que são sua responsabilidade, mas também de Mourão e dos governadores, com esse regime que oferece somente reformas, fome e colapso da saúde, nossa luta organizada é a única que pode apontar a uma saída política para o país.

Na última semana, os estudantes da UNB realizaram uma manifestação para denunciar as larvas nas quentinhas entregues aos estudantes da Casa de Estudantes e foi votada a Lei de Orçamento Anual, com um corte de R 1,1 bilhão que atingirá principalmente a Assistência Estudantil e os gastos discricionários, ou seja, ataques aos terceirizados e à estrutura. As universidades poderiam estar à serviço do combate à pandemia integralmente, mas sufocam os estudantes em produtivismo e precarizam a permanência, enquanto passam mais ataques.

Para saber mais: Entenda a Lei Orçamentária que pode cortar 1,1 bi das federais

O movimento estudantil não deveria portanto se organizar da forma mais ampla e democrática possível para responder tamanhos ataques? Hoje se completam 57 anos do Golpe Militar, em um ano no qual a justiça deu às Forças Armadas o direito a celebrar a sanguinária máquina de torturas e assassinatos, contra os trabalhadores, estudantes e aqueles que não colaborassem ou se calassem aos militares e usam a Lei de Segurança Nacional, herança da Ditadura Militar para perseguir quem questiona.

Por isso, defendemos a necessidade de um calendário unificado com os trabalhadores, enquanto as centrais chamavam o dia 24, e a UNE, o dia 30, e que as Plenárias Locais apresentadas na reunião do dia 20 realmente fossem convocadas e amplamente construídas em todas as universidades, para que ontem não fosse mais uma data desconectada da realidade da maioria dos estudante. Assim como uma grande campanha contra a Lei de Segurança Nacional. Isso não se realizou. Mas por quê?

Após participarmos de ações do dia 30, como na UFMG, e chamarmos a partir da gestão proporcional do CACH-Unicamp reuniões que pautassem esse dia e debatessem com os estudantes nossos desafios, propomos que o movimento estudantil nacionalmente tire lições. O desafio desses 500 representantes de entidades, dirigidos pela majoritária do PT, do PCdo B e do Levante Popular, mas também pela Oposição de Esquerda do PSOL, da UP e do PCB era organizar os estudantes na base em defesa de uma política alternativa contra Bolsonaro e o conjunto do regime, em cada universidade, como parte de reerguer o movimento estudantil nacionalmente.

Veja também: Por uma campanha da juventude: abaixo a Lei de Segurança Nacional, fora Bolsonaro e Mourão

Nos estados em que governam os setores da majoritária da UNE, no Nordeste, diante do negacionismo grotesco de Bolsonaro e da extrema direita que agora fala em vacinação, o PT e o PCdoB são parte do bloco dos governadores que seguem buscando responder à crise sanitária sem medidas como testagem massiva, garantia de licenças remuneradas para serviços não-essenciais e liberação dos grupos de risco, reconversão industrial para termos insumos básicos na saúde, auxílio emergencial digno, contratação nos hospitais com todos os direitos e centralização de todo o sistema de saúde sob controle dos trabalhadores. Seguem sem defender a quebra das patentes para termos vacinas. Oferecem somente medidas repressivas, tendo aprovado reformas, não respondem à crise porque mantêm os lucros capitalistas intocados enquanto esperam as eleições de 2022.

É essa política consciente que se combina aos Dias de Luta da UNE e das centrais sindicais, marcados por ações midiáticas, que podem aparecer como radicalizadas, mas sequer nomeiam Bolsonaro, quem dirá os outros responsáveis por nosso sofrimento, o conjunto dos golpistas para os quais não se pode nutrir nenhuma ilusão, nem pela Globo. Não há construção na base porque apostam em uma saída institucional que só nos proporcionou derrotas. No máximo, batalham para que os estudantes sejam base de apoio de um impeachment, uma política institucional que depende do atual Centrão, colocaria Mourão, defensor da ditadura, na presidência e levaria mais de um ano para finalizar, segundo o próprio Lula. Ou seja, com medidas midiáticas por fora de organizar os estudantes pela base, a linha é esperar 2022.

Não podemos esperar. Os estudantes podem ser sujeitos da política hoje. Nós que desde 2016 enfrentamos o golpe institucional e suas reformas, os ataques à educação e Bolsonaro como representante nefasto do aprofundamento do golpismo, precisamos tirar lições profundas de todas as lutas que travamos, como no Tsunami da Educação. Contra toda desmoralização, é preciso saber com qual estratégia chegamos até essa situação calamitosa e colocar nossa força a serviço de levantar um programa nosso, que batalhe pela unidade com a classe trabalhadora, com as trabalhadoras da saúde, com as terceirizadas da limpeza de nossas universidades, com rodoviários, com trabalhadores dos Correios e petroleiros. Sabemos que os trabalhadores também enfrentam a política de suas próprias burocracias dos sindicatos, que estão em quarentena, enquanto seguem se expondo e sofrendo ataques dos governos. Nossa unidade pode ser o início de processos de luta muito superiores, como vimos no Paraguai e em outros países.

Nós que sempre lutamos por todos os direitos de Lula, sem apoiar sua política, ao contrário dele, não perdoamos cada uma das reformas que precarizam o futuro da juventude, ou esse regime que dá mais peso às Forças Armadas que hoje comemoram o golpe de 64 e nunca tiveram seus crimes julgados. Não podemos esperar 2022.

Precisamos, pela base, a partir de cada universidade, batalhar por uma política que aponte a um programa emergencial e que avance para a necessidade de, com o fora Bolsonaro e Mourão, impormos com a força da nossa luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Queremos que o povo decida os rumos do país e combata cada ataque aprovado no último período, anulando reformas. Isso está hoje na contramão da política da UNE e também da Oposição de Esquerda, que compartilham do mesmo programa.

Chamamos a Oposição de Esquerda a romper com sua adaptação à majoritária e sermos parte de dar exemplos nas universidades em que estamos, exigindo que a UNE e as centrais sindicais organizem um plano de lutas nacional contra toda essa crise preparando dias de luta construindo de fato pela base, e conformando um polo que aglutine pela base todos os que querem superar essa política.




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