DEPENDÊNCIA E FRAGILIDADE TECNOLÓGICA

Sem independência tecnológica, Fiocruz produz só 18% das 15 milhões de vacinas prometidas

A Fiocruz não cumpriu com suas promessas. A fundação havia prometido a entrega de 15 milhões de doses de vacinas, contudo, encerrou o mês entregando apenas 18% da quantia, um total de 2,8 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford. Diretor afirma que uma maquina chave na produção ficou 1 semana parada, além de problemas na linha de produção, que antes servia para a produção de vacinas contra febre amarela

sexta-feira 2 de abril| Edição do dia

Foto: Rogerio Santana/GOV RJ

Na quinta-feira (1), a direção da Fiocruz afirmou em nota que mais 1,3 milhão de doses do imunizante do PNI seriam entregues. O diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, afirmou que o atraso inaceitável das doses foi causado, parcialmente, pelo mal funcionamento de uma máquina recravadora, item básico para produzir as vacinas.

A recravadora, que ficou quebrada por uma semana inteira, é responsável por selar com alumínio os frascos de vacina. O Instituto de Biotecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) foi obrigado a comprar peças na Itália, origem empresa fabricante da máquina, já que o Brasil não possui nacionalmente tal ramo industrial tecnológico e nem a capacidade de consertar máquinas tão essenciais.

Para resolver o problema foi necessário um técnico da empresa italiana que acompanhou um especialista em controle de qualidade da Fiocruz para fiscalizar se os concertos foram efetivos.

Cerca de 450 mil doses estão separadas para análise, já que o lote foi selado pela máquina quando apresentava defeitos. Logo, 459 mil pessoas não estão sendo imunizadas não pela simples quebra da máquina, mas pela completa dependência do Brasil de indústrias imperialistas.

De acordo com a Transparência Brasil, um contrato de R$ 1,35 bilhão foi estabelecido com a fabricante para o fornecimento do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima da vacina, cerca de R$991 milhões já foram pagos.

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Não só o gasto tremendo com os valores especulativos que oligopólios estabelecem é um problema, a conversão de uma linha de produção de vacinas de febre amarela para a de Covid-19 também. O que pode significar que o combate a uma pandemia pode abrir margem para o desenvolvimento de uma epidemia, da febre amarela.

A Bio-Manguinhos sofre problemas de um país gerido por capitalistas que não se interessam pelo desenvolvimento da indústria tecnológica nacional. Bolsonaro, mas também o congresso, o STF e todos que comandam o regime brasileiro trabalham para manter essa situação, de subordinação, dependência e incapacidade produtiva tecnológica.

A pesquisa, ciência e tecnologia brasileira sofreram duros ataques nos últimos anos. A reestruturação da CNPq e o corte de milhares de bolsas do governo Bolsonaro é um exemplo disso.

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Da mesma maneira que o Instituto Butantan sofreu uma precarização nas mãos do PSDB nas últimas décadas, o mesmo ocorreu com a Fiocruz, que é vinculada ao Ministério da Saúde, um dos ministérios centrais na tragédia sanitária que arrasa a vida da população trabalhadora e pobre.

A completa desvalorização da ciência, pesquisa e tecnologia brasileira por parte do Governo Bolsonaro, mas também daqueles taxados como seus “opositores”, como Doria, explica a total insuficiência nacional na produção de vacinas.




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