Opinião

REFORMA MINISTERIAL

Quem é Flávia Arruda, nova representante do “toma lá, dá cá” entre Lira e Bolsonaro?

Entre as mudanças anunciadas por Bolsonaro na reforma ministerial, consta a deputada Flávia Arruda para a Secretaria do Governo. Mais nova articuladora de alas do centrão e que atuou como entusiasta da candidatura de Arthur Lira nas eleições da Câmara contra Baleia Rossi, a deputada federal vem como sinal de uma nova acomodação dos interesses do centrão no governo.

terça-feira 30 de março| Edição do dia

Foto: Najara Araujo/Agência Câmara de Notícias

Flávia Arruda (PL/DF) assume a Secretaria de Governo no lugar do General Luiz Eduardo Ramos, que agora passa a chefiar a Casa Civil. Com isso, Athur Lira estende mais sua influência às articulações do Palácio do Planalto.

A deputada surge como um dos novos nomes do congresso nacional no último período e herda grande parte do capital político de seu marido, José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal que foi afastado do cargo e preso por participar de um gigantesco esquema de propina de R$ 900 milhões na obra do Estádio Mané Garrincha. O ex-governador foi denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha e chegou a ser gravado recebendo maços de dinheiro do ex-delegado e então presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto, Durval Barbosa.

Apesar de recém chegada no congresso nacional, Flávia Arruda já foi vice de Jofran Frejat (PL) na chapa ao governo do Distrito Federal, após a prisão de seu marido em decorrência de envolvimento do Mensalão do DEM. Em 2018 ela se tornou a deputada federal mais votada do DF e recentemente foi escolhida para assumir a presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO) após a vitória de Arthur Lira para a presidência da casa.

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Em meio à crise entre Bolsonaro e militares, a nomeação de Flávia Arruda significa mais representação de alguns setores do centrão dentro do governo, mas longe de significar uma resposta definitiva aos atritos e fissuras entre os atores do regime político fruto do golpe institucional. Isto, nenhuma das 6 nomeações é capaz de garantir, muito menos de significar uma saída para a crise pandêmica.

Diante deste cenário assombroso de mais de 300 mil mortes e forte disputa nas alturas, a entrada em cena da classe trabalhadora enquanto sujeito político é fundamental. Somente os trabalhadores organizados, que hoje amargam com os milhares de mortes diárias pelo vírus, com a fome e o desemprego, podem dar uma resposta para que os capitalistas paguem pela crise e para que medidas efetivas de combate à pandemia sejam tomadas.

Para isso, é preciso que as as centrais sindicais rompam com a sua submissão e serventia ao regime do golpe e organizem a classe trabalhadora para lutar contra Bolsonaro, Mourão, militares e todos os golpistas. Somente isso para interromper o curso da barbárie capitalista em meio à pandemia no Brasil.

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