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ESTUDANTES DA USP | Por uma Assembleia Geral que organize os estudantes da USP rumo ao dia 29! Todo apoio à greve dos metroviários!

Na semana passada, vimos as ruas de São Paulo e outras cidades do país serem ocupadas em repúdio à chacina promovida pela polícia e pela política de Claudio Castro na favela do Jacarezinho. Na mesma semana foram anunciados cortes aprovados por Bolsonaro e o Congresso que causarão o fechamento de universidades federais, como a UFRJ, UFBA, Unifesp e UFG. Os metroviários de São Paulo acabam de aprovar uma greve contra os ataques de Doria. Nós, estudantes da USP, precisamos de assembleias de base para tomarmos as ruas contra os cortes, a pandemia e a fome! Contra o Estatuto de Conformidades da Reitoria da USP! Contra a PM no Campus! Todo nosso apoio à luta dos metroviários!

quarta-feira 19 de maio | Edição do dia

A tragédia no Rio de Janeiro marca um retrato da situação desesperadora de grande parcela da população pobre em nosso país, espremida entre o medo de contágio e morte pela Covid, de morrer pelas balas da polícia, sem nem dizer dos níveis crescentes de fome e desemprego, enquanto Bolsonaro e os militares aumentam seu próprio salário para 63 mil reais.

Somado ao nosso ódio ao ouvir discursos como o de Mourão, que justifica a barbárie em Jacarezinho dizendo que eram “todos bandidos”, veio também na semana passada o anúncio de que os recentes cortes de R$1,1 bilhão aprovados pelo governo federal junto ao Congresso causarão o fechamento de universidades federais, como a UFRJ, UFBA e Unifesp e UFG.

O governo Bolsonaro e os golpistas deixam assim bem claro o projeto de futuro que reservam para a população, ameaçando fechar mais de 50 hospitais universitários, linhas de frente do combate à Covid-19. A juventude vem amargando todas as consequências da crise sanitária, econômica e social que o regime do golpe institucional no Brasil faz questão de descarregar sobre as nossas costas, nos relegando às piores e mais precárias condições de estudo e trabalho. Eles nos querem com uma bag nas costas pedalando por 12h, precarizados, trabalhando até morrer sem direito à aposentadoria, ou mortos pelas balas da polícia. Querem que os jovens não entrem nas universidades, não tenham direito à educação. Como diria o antecessor de Weintraub, Ricardo Vélez: “A universidade não é para todos, apenas para uma elite intelectual”.

Ao mesmo tempo, o Governo Doria, juntamente com o Metrô, acelera e trabalha duro para precarizar ainda mais o Metrô e as condições de trabalho dos metroviários, que hoje entraram em uma importante greve que precisamos cercar de apoio e solidariedade.

Os cortes na educação e nas Universidades não são de agora

A expansão precária do ensino superior durante os anos do PT começou a ser atacada com cortes bilionários no governo Dilma, sendo aprofundados com os ataques resultados do Golpe Institucional de 2016, como a Lei do Teto de Gastos aprovada por Michel Temer, que congelou o orçamento na saúde e educação por 20 anos. Esses ataques são levados a frente agora por Bolsonaro e seus interventores em dezenas de Federais. Tudo isso tem ligação com o religioso pagamento que todos os governos mantêm à ilegítima e fraudulenta dívida pública que neste ano de 2021 já ocupa R$1 trilhão do orçamento.

O anúncio de provável fechamento iminente de várias federais vem gerando amplo rechaço em setores da sociedade e despertando nos estudantes universitários a necessidade de organização para dar uma resposta à altura de reverter tamanho ataque. Em 2019, foi também a juventude organizada nas ruas a primeira a demonstrar sua força contra o projeto bolsonarista do Future-se, que já naquele momento tornava claro as intenções deste governo em se apoiar em sua ala mais obscurantista para precarizar e elitizar ainda mais a produção de conhecimento em nosso país, estrangulando o orçamento das universidades.

Fomos mais de 1 milhão nas ruas em todo o país lutando contra os cortes na educação em 2019, mostrando nossa fúria e força gigantesca que, se ligada aos trabalhadores, poderia ter se unificado com a necessária luta contra a reforma da previdência que estava sendo votada naquele momento e que nos condenou a trabalhar até morrer. Defendemos a unidade com os trabalhadores colocando como a luta contra os cortes na educação e a reforma da previdência eram uma só luta, mas a direção da UNE, composta pelo PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude, foram contrários à unificação e, junto com as reitorias, recuaram na mobilização.

Hoje novamente nos encontramos com ameaças de ataques à educação e às Universidades. Precisamos voltar às ruas, pois como dizem os cartazes dos nossos irmãos colombianos, “se um povo vai às ruas em meio a uma pandemia, é porque o governo é mais perigoso que o vírus”. Ao citar nossos irmãos e irmãs da Colômbia, lembramos também dos e das chilenas, que batalharam fortemente nas ruas contra o neoliberalismo e toda a herança do regime podre de ditadura, dando exemplos magníficos de auto-organização para toda a América Latina.

Auto-organização para unificar e massificar a luta! Rumo ao dia 29!

O medo de que os sopros de luta e resistência ultrapassem as fronteiras faz os governos dos mais reacionários como Bolsonaro recuarem, ao menos parcialmente. Entretanto, o cenário continua catastrófico e precisamos estar organizados para levar a frente as batalhas.

O dia 29 é um primeiro passo. Mas é preciso desde já uma organização pela base para enfrentarmos os cortes e os ataques. O movimento estudantil precisa ressurgir e se alçar como força, que aliado aos trabalhadores, pode potencializar a luta contra todo esse regime de Bolsonaro, Mourão e os golpistas e contra todas as reformas que precarizam nossa vida de conjunto.
Por isso, nós da Faísca estamos batalhando em cada Universidade para que existam espaços de auto-organização. Aqui na USP, o DCE é dirigido pelos mesmos setores que dirigem majoritariamente a UNE: PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude. Por que a UNE não organiza milhares de assembleias nas Universidades e Institutos Federais e Universidades Estaduais para unificar e massificar a luta? Por que o DCE da USP não organiza uma Assembleia Geral dos Estudantes para decidir democraticamente os próximos passos de nossa mobilização?

É necessário que esses espaços democráticos existam para que possamos organizar um verdadeiro plano de lutas, que questione
os cortes e a falta de verba para realização do Enem, o que para nós da Faísca tem que passar por questionar o caráter de classe da universidade tal como existe hoje, defendendo a autonomia universitária diante das tentativas de ingerências e também lutando contra a estrutura de poder ainda vigente que preserva muitas heranças da ditadura, como o Estatuto de Conformidades e Condutas da USP, uma ferramenta obscurantista e inquisitória que a Reitoria da USP quer renovar; lutando também contra a presença absurda da Polícia Militar nos Campi, dado que a polícia em Jacarezinho mostrou a sua real natureza e função social: MATAR e REPRIMIR a juventude e os trabalhadores.

Chamamos a Oposição de esquerda da UNE (Juntos, Afronte, RUA, Correnteza e UJC) a exigir da majoritária que rompa essa paralisia, e organize assembleias democráticas em todo país, com direito a voz e voto de todos os estudantes, não assembleias-live, em que os estudantes não direito sequer de colocar suas posições. A entidade nada fala ou faz para organizar os estudantes desde a base, formulando em conjunto um plano efetivo de mobilização, aparecendo somente com atividades realizadas “por cima”, sem expressão de setores que estão de fora dos organismos de direção e sem a unificação com as lutas dos trabalhadores como os Metroviários de São Paulo que estão mobilizados.

Por isso chamamos esses movimentos e setores que se colocam como oposição à direção majoritária da UNE que igualmente dirige o DCE da USP, a mobilizarem e construírem reuniões abertas e assembleias nos cursos em que dirigem Centros Acadêmicos, assim como encamparem junto conosco da Faísca e do Centro Acadêmico da Faculdade de Educação (CAPPF) uma exigência ao DCE para que se realize uma Assembleia Geral dos Estudantes da USP, podendo unificar estaduais e federais contra os cortes e ameaça de fechamento das Universidades, assim como contra todos os ataques à educação e ensino superior que Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas querem implementar.

Num espaço democrático como esse, poderíamos defender a necessidade de que a nossa luta seja organizada agora, e não que esperemos passivamente até as eleições de 2022, como propõe o PT e setores do PSOL. Isso porque a única saída para conquistar nossas demandas passa por questionar o regime político de conjunto, e batalhar por uma alternativa que busque mudar as regras do jogo e não apenas os jogadores. Por isso defendemos uma assembleia constituinte livre e soberana, que imposta com a força da nossa mobilização, possa servir para revogar todas as reformas contra o nosso futuro, a lei do teto de gastos e terminar de uma vez por todas com o pagamento da dívida pública, que asfixia a saúde e a educação e destina toda a verba pública do Estado para o bolso dos banqueiros. É por isso que fazemos um debate com todos os companheiros que vêem no impeachment de Bolsonaro uma saída. É possível enfrentar a crise e os ataques substituindo Bolsonaro por Mourão sem questionar o conjunto dos atores políticos que implementaram o golpe institucional? Chamamos todos para debater essas idéias na plenária organizada para o dia 23.

Nós da Faísca, Anticapitalista e Revolucionária, estamos defendendo em todas as Universidades que estamos essas ideias. E por isso estamos construindo uma plenária nacional aberta no próximo domingo, 23, para que estudantes de todas as regiões e universidades do país, possam se reunir para pensar os passos e bandeiras da nossa mobilização. Chamamos todos a se somarem a este encontro nacional, para que tomemos em nossas mãos os rumos da luta em defesa da educação.

Por fim, nós do coletivo Faísca e do grupo internacional de mulheres Pão e Rosas, convidamos todos também para o grupo de estudos Mulheres Negras e Marxismo, baseado no livro de mesmo nome que foi recentemente lançado pelas Edições Iskra, para discutir a questão negra e de gênero vinculada ao pensamento marxista, que muito tem relação com as opressões sofridas por boa parte da juventude que ou fica de fora das Universidades ou, quando consegue entrar passando pelo filtro social e racial do vestibular, são os que mais sofrem com a falta de permanência, sendo também os primeiros a se indignar, se organizar e se levantar contra os ataques e cortes na educação.

Para participar do Grupo de Estudos da USP Mulheres Negras e Marxismo é só preencher o formulário:
Inscrição no Grupo de Estudos "Mulheres Negras e Marxismo"




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