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QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE | Mortes, desemprego e fome: que sejam os capitalistas que paguem pela crise!

Cerca de 3 mil mortes por dia no Brasil, “maior colapso sanitário da história do país”, desemprego em massa, pobreza e fome crescentes no mundo, enquanto os mais ricos enriqueceram durante a pandemia. A barbárie capitalista que já saltava aos olhos a partir da crise econômica de 2008 foi completamente desnudada pela chegada da covid-19. O vírus impôs problemas que a irracionalidade absoluta do capitalismo e suas crises é incapaz de resolver. É preciso apontar tarefas para que sejam os capitalistas que paguem essa conta.

quinta-feira 18 de março | Edição do dia

Foto: Mauro Pimentel / AFP

No regime político apodrecido do país, Bolsonaro, filho indesejado do golpe institucional, negou a doença incansavelmente, se recusando deliberadamente a tomar medidas efetivas para enfrentá-la. Os golpistas, do Judiciário, do Congresso, nos governos estaduais e municipais e da grande mídia, que agora tentam se desvencilhar retoricamente do negacionista, tentam lavar as mãos, se fazem de coitados, mas como parte desse mesmo regime que deu um golpe institucional para poder atacar mais os trabalhadores, comemoram juntos cada nova reforma aprovada que jogue nas nossas costas o ônus da crise.

Para enfrentar o conjunto da crise, somos os trabalhadores e nossa força social capaz de mover o mundo os únicos que podem virar o jogo, começando pelas necessidades mais imediatas e sensíveis que precisam ser enfrentadas com um plano de emergência para a crise sanitária, com testagem massiva e gratuita para possibilitar um isolamento racional, expropriando hotéis para a quarentena dos doentes, garantia de todos os insumos necessários, de proteção da população e profissionais da saúde, com a reconversão de setores da indústria para atender a demanda de respiradores, EPIs de qualidade. Vacina e tratamento gratuito para todos, com a quebra das patentes, para que não especulem e lucrem com nossas vidas. Centralização de todo o sistema de saúde, incluindo os recursos privados, sob controle dos trabalhadores, assim a prioridade será a vida e não quem pode pagar pelo lucro dos mercenários da saúde privada.

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Além da morte pelo vírus, os trabalhadores temem a fome pelo desemprego. É preciso lutar pela revogação de todas as reformas que atacam direitos e precarizam ainda mais as condições de trabalho e vida da população, assim como impor a proibição das demissões e suspensões de contrato. Enquanto dure a pandemia, todos os trabalhadores que não são de setores essenciais devem ser liberados, assim como todos do grupo de risco, com pagamento integral dos salários e direitos (nas grandes empresas privadas, o salário deve ser pago pelos empresários com seus lucros acumulados, não pelos governos). É urgente auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo para socorrer a ampla camada de trabalhadores informais que estão sem poder trabalhar diante da situação.

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O desemprego não é “natural”, mas uma das demonstrações mais absurdas do caráter irracional deste sistema, que é baseado na exploração do trabalho, mas sequer isso garante a todos. Precisamos unir nossa classe, empregados e desempregados, em defesa deste direito mínimo que é o emprego e a existência digna para todos. Nas empresas que tiveram que baixar a produção, não podemos aceitar que haja demissões. As horas de trabalho da empresa devem ser divididas entre todos os trabalhadores, sem redução salarial.

A pandemia escancarou uma vez mais o absurdo da favelização no Brasil, que faz o povo negro ser o mais exposto ao vírus, sem saneamento básico, água ou espaço que permita isolamento social. Nas favelas estão os que mais necessitam trabalhar para não morrer de fome. Parte da solução emergencial deste problema está na ocupação imediata das milhões de moradias vazias, ligado a um grande plano de obras públicas que resolva esses problemas estruturais de urbanização descontrolada nas grandes cidades e seja fonte de oferta de milhares de novos empregos, atacando também o problema do desemprego.

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A alegação dos capitalistas e do Estado é sempre a mesma, de que não há dinheiro para tudo isso, mas é mentira! Primeiramente, o dinheiro pode vir da taxação progressiva das grandes fortunas, começando pelas poucas famílias aristocráticas do país, tirando daí o necessário para as demandas mais urgentes. Depois há muito dinheiro do Estado também, como se mostra nos resgates bilionários que fazem, mas principalmente nos que escondem, como é o assalto cotidiano que é feito pelos bancos através do pagamento da dívida pública, com o orçamento público submetido aos interesses dos banqueiros com mecanismos como a Lei de Responsabilidade Fiscal. Na última década, somente do orçamento de saúde e seguridade social, retiraram mais de 1 trilhão de reais para o financiamento e pagamento da dívida, o que poderia financiar a construção e a manutenção de 1,3 milhões de leitos de UTI.

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Estes são apenas alguns pontos que defendemos para que sejam os capitalistas que paguem por essa crise, começando pelo mais urgente, que já passa por enfrentar os interesses dos capitalistas e do Estado que os servem. Para levar a frente essas tarefas é preciso unificar a força dos trabalhadores, impor às direções dos movimentos de massa que se movimentem, com uma política de independência de classe que alimente a confiança apenas em nossas forças, e não em saídas políticas por dentro das instituições desse regime podre.




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