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Moradia Recife | Mais um protesto por moradia fecha a BR-101 no Recife. É urgente uma reforma urbana radical!

Um grupo de cem pessoas cortou a rodovia BR-101 com pneus em chamas nesta manhã de sexta-feira, 16 de julho, contra o Governo Federal, contra os cortes na verba da habitação e por mais vacinas e cestas básicas. A manifestação aconteceu na altura do bairro Barros.

sexta-feira 16 de julho | Edição do dia

Um grupo formado por cerca de cem pessoas, cortou a rodovia BR-101 com pneus em chamas nesta manhã de sexta-feira, 16 de julho, contra o Governo Federal, contra os cortes na verba da habitação e por mais vacinas e cestas básicas. A manifestação aconteceu na altura do bairro Barros, durou aproximadamente uma hora, gerando um congestionamento de pelo menos dois quilômetros.

O direito à moradia é um problema estrutural no Recife, que atinge as famílias pobres, as mesmas que têm sido afetadas pelos enormes índices de desemprego e insegurança alimentar agravados pela pandemia e pela falta de auxílio emergencial do governo genocida de Bolsonaro.

Pernambuco tem a maior taxa de desemprego do país junto ao estado da Bahia, atingindo a maior taxa nos últimos nove anos, com 23% da população em situação de desemprego. A região também tem os maiores índices de insegurança alimentar, chegando a mais de 70% em todo o nordeste.

Os protestos contra despejos de comunidades e pelo direito à moradia já se tornaram parte da paisagem urbana de Recife, junto dos arranha céus milionários que dominam a orla de Boa Viagem e os barracos de madeira que acompanham os rios em forma de palafitas. Recife é a capital com o maior índice de desigualdade social do país, e as moradias populares são um retrato explícito desta desigualdade.

Uma pesquisa realizada em 2019 revela que no estado de Pernambuco 47,5% dos domicílios contam com algum tipo de deficiência no saneamento básico. Segundo os dados, com certeza subnotificados, da própria prefeitura de Recife, o déficit habitacional na cidade é de 71 mil famílias, mais de 280 mil pessoas. Enquanto isso, prédios inteiros seguem abandonados espalhados por toda a cidade, que poderiam estar servindo para abrigar e oferecer moradia digna, mas permanecem vazios aguardando a valorização da especulação imobiliária para se tornarem mais alguns milhões no bolso de um empresário.

A burguesia da especulação imobiliária e seus políticos, como o prefeito de Recife João Campos (PSB), e o governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB), que tem como vice Luciana Barbosa (PCdoB), assistem essa tragédia do alto de seus prédios mansões e em cada comunidade e casa popular, que ainda resiste margeando os rios e de baixo das sombra do edifícios, veem apenas mais terreno para seus futuros empreendimentos milionários.

Mesmo em meio a pandemia, com recordes do índice de desemprego e da pobreza, a especulação imobiliária segue desalojando famílias, ameaçando com mandatos de reintegração de posse, empurrando os trabalhadores precarizados e desempregados para as margens dos rios, córregos e encostas, onde o pouco que possuem vai por água abaixo, literalmente, todos os anos, na temporada de chuva com as enchentes, alagamentos e desmoronamentos, levando não apenas seus pertences, mas também a vida de muitos de seus amigos e familiares.

É urgente um plano emergencial de reforma urbana radical na Região metropolitana de Recife, começando pela desapropriação imediata de todos edifícios abandonados, seguindo por sua reforma para destinar às famílias mais necessitadas. Também a construção de moradias populares próximas às regiões urbanas e das regiões onde se empregam os trabalhadores. Cada comunidade e moradia ameaçada pela reintegração de posse precisa ser imediatamente entregue legalmente nas mãos de seus moradores. Basta de despejos e famílias nas ruas e em palafitas!




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