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Eleições 2022 | Maíra Machado: “Lançamento misógino e reacionário da campanha de Bolsonaro só deixa mais claro que a saída é pela luta de classes”

Confira declaração da pré-candidata a Deputada Estadual, professora Maíra Machado, sobre o discurso reacionário e a tentativa de demagogia com a questão da mulher no lançamento da campanha de Bolsonaro.

terça-feira 26 de julho | Edição do dia

No último domingo, dia 24, Jair Bolsonaro fez o discurso de lançamento de sua candidatura à Presidência na convenção do PL, no Rio de Janeiro. Conforme analisamos aqui, seu discurso foi permeado por seu típico reacionarismo, e destacou-se sua tentativa de fazer demagogia para o eleitorado feminino (onde é mais fraco), além de ter baixado o tom sobre os questionamentos aos procedimentos eleitorais, e também de fazer a promessa de manter o Auxílio Brasil de R$600 caso seja reeleito. Confira abaixo o que disse a pré-candidata a Deputada Estadual pelo MRT em São Paulo, e professora Maíra Machado sobre esse discurso:

“Em primeiro lugar é preciso dizer que o que vimos não foi um lançamento, foi praticamente um culto, com direito à exaltação da “mulher virtuosa” com versículos da bíblia lidos por Bolsonaro, seguidos pelo discurso de Michelle dizendo que estão no poder “às custas de sangue" e graças ao senhor. No lançamento de sua campanha para a reeleição, Bolsonaro destilou novamente todo seu reacionarismo. Apesar de baixar o tom sobre o questionamento das urnas eletrônicas, ainda insiste na sua retórica golpista, convocando a extrema direita às ruas no 7 de setembro, afirmando ‘vamos para as ruas uma última vez’ e que ‘todos tem que jogar dentro das quatro linhas da Constituição’, em alusão ao artigo que preserva a tutela dos militares.

Aliás, sobre os militares, defendeu as Forças Armadas ao lado da figura asquerosa do general Braga Netto, seu vice, que foi peça importante na ocupação do Haiti e também da repressão cotidiana aos pobres e negros pobres do Rio de Janeiro. Reivindicou a condução dos militares na pandemia, uma condução que levou à farra corrupta no ministério da saúde, ao triste dado (subnotificado) de meio milhão de mortos e às cenas absurdas de pessoas morrendo por falta de oxigênio em Manaus.

Sobre a Amazônia, Bolsonaro tentou fazer uma demagogia deplorável, dizendo que a preserva, quando na verdade atua contra os povos indígenas e o meio ambiente, sob direção dos militares, enquanto a entrega ao garimpo que matou Dom e Bruno e busca ampliar a proteção aos garimpeiros. O caso Dom e Bruno é a expressão mais gráfica de que a defesa de Bolsonaro ao meio ambiente não passa de uma enorme mentira.

E as mentiras não param por aí. O presidente afirma ainda que governa para todos sem distinções, mas seu governo de extrema direita é racista, com uma das polícias que mais mata negros e indígenas do mundo, extremamente misógino, contando com a bancada evangélica contra mulheres e LGBTQIAP+, apoiado por conservadores que se fortaleceram nos governos do PT. Michele Bolsonaro discursou tentando dialogar com as mulheres, que desde o início do governo são a base de apoio mais fraca do presidente, mas falhou miseravelmente. Apesar da tentativa, o lançamento só reafirmou o ódio de Bolsonaro a nós quando ataca novamente o direito ao aborto legal, enquanto mulheres morrem por abortos clandestinos a cada ano, um direito que inclusive o PT se negou a nos dar nos seus 13 anos de governo, se aliando e fortalecendo a bancada da bíblia, da bala e do boi que hoje são base desse governo reacionário…

É por isso que, contra Bolsonaro e toda a extrema direita, a saída não pode ser novamente a de conciliar e se aliar com nossos inimigos históricos, como o PT tem feito se aliando com setores como o Alckmin, deixando claro que não vai revogar as reformas e privatizações, não vai atacar o agronegócio que destrói o meio ambiente e nem garantir direitos como o do aborto legal. É na luta de classes que vamos combater a extrema direita, e precisamos batalhar para que as grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, rompam com a sua paralisia eleitoreira e organizem a força da classe trabalhadora em cada local de trabalho e estudo. É preciso de um plano de lutas real, com greves e mobilizações e um programa dos trabalhadores para enfrentar a crise, revogando em primeiro lugar as reformas e ataques. É daí que emanará a nossa força contra toda essa corja reacionária.”




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