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Eleições | Bolsonaro lança campanha com discurso reacionário, demagogia com mulheres e jovens e evita questionar as urnas

Bolsonaro fez a promessa de manter o Auxílio Brasil de R$600 caso seja reeleito, um apelo aos setores mais empobrecidos e de milhões de trabalhadores, mulheres e jovens que mergulharam na miséria, no desemprego e na fome pelas políticas ultraliberais da extrema direita.

segunda-feira 25 de julho | Edição do dia

Neste domingo (24), Bolsonaro fez o discurso de lançamento de sua candidatura à Presidência na convenção do PL, no Rio de Janeiro.

Atravessado pelo reacionarismo abjeto típico, teve destaque sua demagogia para o eleitorado feminino (onde é fraco) e uma notável modificação de tom quanto ao questionamento dos procedimentos eleitorais, que vinha tomando o primeiro plano nas últimas semanas após a reunião com os embaixadores. Também fez a promessa de manter o Auxílio Brasil de R$600 caso seja reeleito, um apelo aos setores mais empobrecidos e de milhões de trabalhadores, mulheres e jovens que mergulharam na miséria, no desemprego e na fome pelas políticas ultraliberais da extrema direita.

A convenção eleitoral do PL oficializou o lançamento da candidatura de Bolsonaro à presidência, com Braga Netto como vice. Bolsonaro discursou por pouco mais de uma hora para 10.000 pessoas no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Não só despejou seu reacionarismo e ultraconservadorismo típicos, buscando firmar o apoio dos setores mais odiáveis de sua base de extrema-direita entre evangélicos, ruralistas e policiais, como também reajustou seu discurso, tentando gerar simpatia em setores sociais e etários em que demonstra suas principais fraquezas: as mulheres, os jovens e os nordestinos. Apesar de falar sobre a necessidade de “eleições limpas”, decidiu não repetir o questionamento aos procedimentos eleitorais como eixo político.

Busca de votos e elogio a aliados

Elogiando Teresa Cristina (PP) e seu trabalho de organizadora da boiada como ex-ministra da Agricultura em seu governo, Bolsonaro buscou amenizar seu repúdio entre as mulheres, que somam a maioria do eleitorado e onde ele concentra o maior rechaço. Bolsonaro e sua extrema-direita se consolidaram como inimigos declarados dos direitos das mulheres, representantes e perpetuadores do machismo e da misoginia, responsáveis por uma série de ataques e brutalidades - do veto à distribuição de absorventes aos casos de assédio na Caixa, os feminicídios e a proibição do acesso ao direito de realizar um aborto por meninas de 12 anos vítimas de estupro.

Teresa Cristina, Damares e Michele Bolsonaro, estão longe de poder ser consideradas aliadas das mulheres trabalhadoras e dos setores mais empobrecidos da sociedade. A “musa do veneno” é uma das principais lideranças da bancada ruralista, e vinha sendo a preferida do Centrão para o posto de vice de Bolsonaro. Bolsonaro tentou aparelhar-se das representantes mais reacionárias do obscurantismo e do capitalismo para melhorar sua imagem entre o público feminino. Uma medida difícil de engolir para as milhões de mulheres trabalhadores que perderam empregos, passam fome na fila do osso, conhecem companheiras que morrem por abortos clandestinos ou que são obrigadas a deixar a vida em trabalhos precários fruto da reforma trabalhista e dos ataques ultraliberais de Bolsonaro e Guedes.

Marco Feliciano também foi lembrado por Bolsonaro em seu discurso, buscando agradar o ultraconservadorismo reacionário das igrejas evangélicas e sua bancada da bíblia. Bolsonaro voltou a falar no fantasioso Kit Gay, para atacar as comunidades LGBTQIAP+ com sua intolerância homofóbica, e a se colocar contra o direito elementar ao aborto, cuja proibição leva à morte de milhares de mulheres, principalmente negras, todos os anos em procedimentos inseguros.

Bolsonaro também teceu diversos elogios à Arthur Lira (PP), presidente da Câmara e que vestia uma camiseta escrito “Bolsonaro 2022”. Lira vem sendo um dos principais pontos de apoio de Bolsonaro, transmitindo dentro do Legislativo a agenda de medidas de demagogia eleitoral e ataques estruturais, como os cortes, reformas neoliberais e privatizações, tudo garantido através da compra do centrão com os fundos bilionários do “orçamento secreto” de Bolsonaro.

Planos para o 7 de setembro e mudança de tom sobre as eleições

Seguindo Trump, no último período o questionamento dos procedimentos eleitorais vinha sendo uma das principais linhas de agitação de Bolsonaro para sua base de extrema-direita. No lançamento da candidatura, por advertência da equipe de campanha, foi muito mais circunspecto quanto ao tema. Falou de eleições limpas, sem adentrar o discurso de fraudes pré-fabricadas que estampou na reunião com os embaixadores. A mudança de tonalidade, que não implica que Bolsonaro deixará de fazer referência a isso para galvanizar seus eleitores diante de resultados negativos, deve, entretanto, ser notada, especialmente pelo desafio de tentar atrair mulheres e jovens que não compactuam com as ameaças golpistas.

A mudança de tom foi o reconhecimento de uma correlação de forças desfavorável, aprofundada pelo fracasso internacional de sua reunião com mais de 70 embaixadores, onde questionou os procedimentos eleitorais com sua retórica golpista contra as urnas eletrônicas, atacou Lula e também ministros do STF, expressando sua situação eleitoral difícil, principalmente diante do aprofundamento da crise nas condições de vida das massas. A reação negativa diante do imperialismo estadunidense (que cinicamente disse "apoiar a democracia e eleições livres no Brasil", tendo o Partido Democrata um histórico de participação em golpes na América Latina) e de vários governos estrangeiros também foi um fator de disciplinamento de Bolsonaro, que tratou de uma "agenda positiva" no lançamento.

Ao passo que modificou esse elemento de seu discurso para evitar um maior desgaste no lançamento da candidatura, Bolsonaro fez um chamado à mobilização de sua base no próximo 7 de setembro, como um último palanque e demonstração de forças antes do pleito em outubro. Assim, busca manter ativo um setor militante de sua base, seja para possíveis questionamentos do resultado eleitoral, seja para se conservar enquanto força política no regime, diante da consolidação de uma derrota.

Para enfrentar o bolsonarismo, os militares, os reacionários e as reformas e privatizações que os unem com o conjunto da direita tradicional e golpista, é preciso uma política de independência de classe e um programa que coloque em primeiro lugar a necessidade de responder à crise econômica e social com a revogação imediata de todas as reformas e ataques - como as reformas trabalhista e da previdência, o teto de gastos e as privatizações da Eletrobrás e da Petrobrás - bem como a organização da classe trabalhadora, ao lado do conjunto dos setores explorados e oprimidos, para enfrentar a extrema-direita no nosso terreno: o das greves e mobilizações.

Nesse sentido, não podemos depositar uma gota de confiança em Lula e Alckmin, que foi a cara do PSDB por mais de uma década: eles mesmos afirmam que vão manter as reformas e governar com a direita, refazendo o caminho que levou ao fortalecimento das bases do bolsonarismo.

Devemos enfrentar toda e qualquer ameaça golpista ou bravata autoritária da extrema direita, algo que, ademais, exige enfrentar-se contra os falsos portadores de credenciais “democráticas” em instituições autoritárias como o Supremo Tribunal Federal, o TSE e demais frações do Judiciário brasileiro, primeiro violino do golpe institucional de 2016. É necessário estar na linha de frente desse combate na luta de classes, única maneira de enfrentar verdadeiramente a extrema direita, e não com a conciliação de classes petista.

Mas tão importante quanto esse combate independente contra a política da extrema direita é a batalha por derrotar e revogar todas as reformas econômicas, todos os ataques ultraliberais do governo. Nossa batalha contra Bolsonaro e suas chantagens golpistas deve andar lado a lado com a luta por revogar todos os ataques e reformas, o que anda na contramão de projetos de conciliação de classes.

A chapa Lula-Alckmin, à qual se adapta plenamente o PSOL-REDE, não defende a revogação das reformas que vieram a partir do golpe institucional de 2016, pelo contrário: se propõe a preservar e administrar esse legado de ataques.

Por isso temos de defender um caminho de independência. Por isso, é necessário defender, além da revogação integral de todas as reformas, a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais (6 horas, 5 dias na semana), sem redução salarial, no marco de uma luta unificada de empregados e desempregados. Contra a fome, é decisivo lutar pela expropriação de toda grande empresa do agronegócio, colocando-as sob gestão de trabalhadores e do controle popular, junto com a reforma agrária radical, para colocar essa capacidade produtiva a serviço da produção de alimentos saudáveis para toda população. Um programa assim significaria um enfrentamento direto com os lucros de grandes empresários, batalhando por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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