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1º DE MAIO INTERNACIONALISTA DA FRAÇÃO TROTSKISTA | Espanha: “O rechaço à monarquia, herdeira do franquismo, é massivo entre os jovens”

Confira a intervenção de Pablo Castilla, do Estado Espanhol, no Primeiro de Maio Internacionalista da Fração Trotskista - Quarta Internacional. Pablo é estudante e militante da Contracorrente Barcelona e da Corrente Revolucionária dos Trabalhadores (CRT) do Estado Espanhol.

sábado 1º de maio | Edição do dia

Militante do movimento estudantil pela Contracorrente em Barcelona e membro da Corrente Revolucionária de Trabalhadores (CRT), partido irmão do MRT e parte da Fração Trotskista Quarta Internacional, Pablo Castilla discursou no Ato Virtual do Primeiro de Maio Internacionalista. Ele esteve na linha de frente dos protestos da juventude contra a prisão do rapper Pablo Hasel e em repúdio à monarquia, um resquício da ditadura de Franco.
Confira abaixo sua fala:

“Há algumas semanas, milhares de jovens saíram aqui, nas ruas de Barcelona, Madri e nas cidades de todo o Estado Espanhol contra a prisão de um rapper. Pode parecer inacreditável que uma música dizendo que a monarquia dos Bourbons são uns ladrões seja um delito de injúria contra a Coroa. Os Bourbons! Uma família que vive no luxo às custas do povo, enquanto a miséria e o desemprego se alastram. O rechaço à monarquia é massivo entre os jovens, como demonstramos há dois anos, quando nós da juventude Contracorriente organizamos referendos nas universidades, nos quais centenas de milhares de jovens votaram contra essa monarquia herdeira do franquismo, pilar desta democracia dos ricos e parte dos negócios das grandes empresas e do imperialismo espanhol.

Na Catalunha, sabemos bem o que significa este regime monárquico e repressor, que encarcerou dezenas de políticos catalães por organizarem um referendo. Querem liquidar todo impulso de luta pelo direito à autodeterminação. Mas esta é uma luta que segue viva e da qual somos parte, batalhando por uma política independente das direções burguesas independentistas.

Mas, nas últimas semanas, não nos manifestamos só por isso. Saímos nas ruas também para expressar nosso ódio contra a repressão policial ordenada pelo governo progressista e pelo governo catalão. Também para expressar nossa raiva contra este sistema que nos rouba o futuro, com uma paralisação de 50% dos jovens, com a maioria dos que não podem pagar um aluguel nem estudar na universidade.

Hoje vemos como aumentam os discursos racistas e xenófobos da extrema direita no Estado Espanhol e em toda a Europa. Querem capitalizar de forma reacionária a indignação com a crise econômica e com as democracias dos ricos em todo o continente. A juventude vai estar na linha de frente para enfrentar a extrema direita. Porque, nativos ou estrangeiros, somos a mesma classe trabalhadora.

Mas não vamos barrar a extrema direita de mãos dadas com os partidos conservadores ou socialdemocratas que administram a União Europeia há décadas. Durante a pandemia na Europa, vimos como todos os governos aproveitaram a oportunidade para reforçar os aparatos repressivos, suas políticas imperialistas e a criminosa política de fronteiras, que transformou o Mediterrâneo numa vala comum.

No Estado Espanhol, temos um governo formado pelo velho PSOE e pelo Unidas Podemos, com cinco ministros do Partido Comunista e do Podemos. Se apresentaram como o governo “mais progressista da história” e, no entanto, desde que chegaram suas políticas sociais foram apenas remendos numa crise descomunal, enquanto dão bilhões de euros às grandes empresas. Não é possível frear a direita com uma política tão parecida com as de direita. Sem revogar as reformas trabalhistas, sem impor a taxação extraordinária das grandes fortunas, sem intervir na saúde privada no meio da pandemia, sem expropriar os imóveis desocupados nas mãos dos bancos, sem atacar o saque imperialista aos países semicoloniais que leva milhões de pessoas a migrarem, e sem defender o direito dos imigrantes a fazê-lo.

Pablo Iglesias e Podemos passaram muito rapidamente de dizer que iriam tomar o céu de assalto a dizer que não se pode fazer quase nada. Diante de seu discurso de que só podemos conseguir algumas migalhas, nós queremos transformar tudo. Por isso, queremos transformar o ódio em organização, agrupando esta juventude estudantil e precarizada na perspectiva de lutar, junto à classe trabalhadora, contra um sistema capitalista ao qual não devemos nada. O que está em jogo é nossa vida e nosso futuro.”

Leia aqui o Manifesto internacional O desastre capitalista e a luta por uma Internacional da Revolução Socialista




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