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USP NA PANDEMIA | Diretoria da FOUSP despreza a vida dos trabalhadores e coloca em risco toda a comunidade acadêmica

Há mais de uma semana, estudantes da turma 125, que estavam tendo aulas práticas presenciais na Clínica Odontológica desde o final de abril, manifestaram sintomas de COVID-19, sendo, em ao menos um dos casos testados, confirmada a infecção pelo vírus.

domingo 20 de junho | Edição do dia

Mais uma vez, a Direção da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, na figura do Prof. Dr. Rodney Garcia, toma decisões que, de tão irresponsáveis, beiram a conivência com a política negacionista do governo Bolsonaro.

Há mais de uma semana, estudantes da turma 125, que estavam tendo aulas práticas presenciais na Clínica Odontológica desde o final de abril, manifestaram sintomas de COVID-19, sendo, em ao menos um dos casos testados, confirmada a infecção pelo vírus.

Já viemos divulgando pela mídia do Esquerda Diário as denúncias feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) da irresponsabilidade da Diretoria da FOUSP ao reabrir a Clínica Odontológica e as aulas práticas para os estudantes de graduação em um momento no qual a pandemia segue atingindo altos níveis de contágio e mortalidade no país. Foram feitas reuniões entre os trabalhadores da unidade, e entre estes, o Sindicato e o assessor administrativo da Faculdade pra repudiar este retorno irresponsável, já que mesmo com alguns trabalhadores tendo sido vacinados, o risco de contágio e transmissão deste para sua família ainda segue o mesmo.

A Direção não atendeu as reivindicações dos trabalhadores e colocou a Clínica Odontológica pra funcionar. O Sindicato deixou claro que o Prof. Dr. Rodney e os demais professores das Comissões de Graduação e de Biossegurança que estavam levando à frente essa política negacionista seriam responsabilizados em caso de um surto de COVID e mesmo de alguma fatalidade pior que porventura ocorresse na unidade.

Pois bem, há mais de uma semana, a turma 125 foi acometida por um surto e casos confirmados. Mesmo diante desse fato, para que a Direção tomasse uma atitude, precisou que os estudantes se mobilizassem pelas redes sociais para denunciar as condições impossíveis de precaução sanitária que se dão em ambientes de atendimento odontológico, assim como as aglomerações inevitáveis nos vestiários e salas de esterilização de materiais.

Na sexta-feira, dia 18/06, a Direção da FOUSP e a Presidência da Comissão de Graduação e de Biossegurança se reuniram com o Centro Acadêmico e representantes da turma 125 pra garantir a suspensão das atividades presenciais da turma 125 por uma semana, com a garantia da reposição dos conteúdos do período (algo que os estudantes precisaram batalhar pra conseguir).

Essa decisão escancara, por um lado, tanto a insuficiência dos procedimentos de biossegurança, quanto a absurda irresponsabilidade da Direção em manter a Clínica Odontológica aberta. Por outro lado, o fato dessa decisão se direcionar unicamente a turma 125, desconsiderando o risco envolvido para os trabalhadores da Clínica que tiveram contato com estes estudantes contaminados durante uma semana, para as trabalhadoras terceirizadas da higienização/limpeza e para os pacientes, demonstra o incrível desprezo que essa Direção tem para com os trabalhadores desta Faculdade.

O SINTUSP esteve na sexta-feira, dia 18/06, no período da manhã na Faculdade de Odontologia, em um ato homenagem pelos quase 40 trabalhadores da USP mortos pela COVID e pela política da Reitoria da USP que manteve muitos deles trabalhando, mesmo sabendo dos riscos ao qual eles estariam expostos.

De acordo com Adriano Favarin, diretor de base do SINTUSP:

“O sindicato tentou marcar uma reunião com o Prof. Dr. Rodney para discutir esse caso e a necessidade do fechamento imediato da Clínica Odontologia para preservar a vida dos estudantes, trabalhadores e professores. A assessoria administrativa se comprometeu a marcar essa reunião e retornar no mesmo dia. Porém, o que ocorreu nesse dia foi um comunicado da Direção suspendendo as aulas práticas da turma 125 por uma semana, sem sequer tecer nenhum comentário sobre os demais estudantes e os funcionários que atuam na clínica. Reiteramos a necessidade da Direção receber o Sindicato, ao mesmo tempo que é urgente uma postura do Prof. Dr. Rodney que coloque a preocupação com a saúde e à vida da comunidade acima de qualquer outro interesse privado ou secundário em reabrir a clínica odontológica e seguir as aulas de graduação a qualquer custo, porque esse custo inclusive pode vir a ser a vida de alguém”.




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