RACISMO ESTRUTURAL

Desemprego entre pretos e pardos tende a aumentar, aponta estudo da FGV

A crise econômica que foi aprofundada com a pandemia provocada pelo coronavírus promoveu mudanças estruturais no mercado de trabalho. Um estudo da FGV aponta o índice de desemprego entre pretos e pardos em 2021 deve se intensificar, mostrando a já conhecida realidade de que a crise sempre é mais aguda e violenta para a população negra e trabalhadora.

quinta-feira 19 de novembro| Edição do dia

Um estudo realizado pelo economista da FGV Marcelo Neri mostra que pretos e pardos foram os que mais receberam o auxílio emergencial e os que mais estão em situação vulnerável com a redução dos salários e a redução da carga horária de trabalho, através do Programa de Preservação de Emprego e Renda, a famigerada MP 936.

Marcelo Neri disse que "gradativamente, é de se esperar que as firmas aumentem as demissões. Então, a gente acha que o desemprego tende a aumentar mais depois de 31 de dezembro, quando termina a validade desse programa que pode ter sido até mais importante para pretos e pardos, porque ele tende a beneficiar mais a base do mercado de trabalho".

Isso é o que ele chama de "efeito rebote", tendo em vista a lenta recuperação da economia brasileira, uma vez que não foi alcançado mais do que 11% do total de vagas destruídas pela pandemia. O que está por trás desse "efeito rebote" é o já conhecido racismo estrutural, que coloca as vidas negras nos piores postos de trabalhos, com os salários mais baixos, sob a mira das balas da polícia e, na pandemia, foram as vidas que mais se perderam.

Os dados oficiais do mercado de trabalho divulgados pelo IBGE e pelo Ministério da Economia apontaram que pretos e pardos foram os mais afetados pela crise provocada pela pandemia. O desemprego aumentou entre todos os grupos raciais, mas com mais intensidade entre os pretos. Para Marcelo Neri esses efeitos tendem a ser de médio a longo prazo: “A pandemia trouxe piores efeitos trabalhistas, e esses efeitos são importantes porque vão persistir após a pandemia, porque são estruturais”.

Outro efeito do racismo estrutural que foi aprofundado pela pandemia, segundo o pesquisador, ocorreu na educação. “A pandemia representou uma quebra de uma série de 40 anos da educação. A escolaridade vinha crescendo mais entre pretos e pardos, mas caiu com a pandemia. Os dados do IBGE mostraram que o tempo de estudo em casa caiu mais para os mais pobres, e eu diria que isso é uma tendência e que efeito tende a ser de longo prazo”, enfatizou.

Essa pesquisa apenas mostra em números a realidade que já é vivida pela maioria da população: que o racismo é uma das ferramentas utilizadas pela burguesia para manter os lucros capitalistas. Em meio ao aprofundar da crise econômica, é nas costas da população trabalhadora negra que seus efeitos são lançados, assim como é justamente esse setor os mais afetados pela pandemia.

Como disse Letícia Parks recentemente, "O racismo se materializa com salários menores e perda de direitos trabalhistas – e também com moradia precária, violência policial, evasão escolar e uma infinidade de exemplos. [...] A nossa luta, hoje, separada das empresas, incansável na denúncia dos bancos que terceirizam mulheres negras, das empresas por aplicativo que retiram direitos e salário da juventude negra, da mídia burguesa que promove racismo institucional e apoia reformas contra a classe trabalhadora, serve para apontar um caminho da grande aspiração histórica que podemos ter: a de derrotar esse sistema capitalista e abandonar a divisão do mundo entre classes, e nesse caminho, varrer todo racismo da sociedade.

Saiba mais: A luta contra o racismo e as contradições do discurso liberal




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