Política

"MILAGREIRO ACADÊMICO" IRÁ PARA STF

Alexandre de Moraes tem “carreira acadêmica recorde”, com pós-doutorado antes do doutorado

Curriculo Lattes de ministro da justiça indicado ao STF apresenta uma formação acadêmica "milagrosa" com seu pós-doutorado se iniciando antes do doutorado e um intervalo de apenas três anos entre o início do doutorado e a titulação como livre-docente. O que explicaria essas façanhas?

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 10 de fevereiro de 2017| Edição do dia

O polêmico indicado de Michel Temer para o STF, Alexandre de Moraes, já havia realizado uma "façanha acadêmica" de ter escrito uma tese de doutorado que se contrapunha à sua própria nomeação.

Contudo, o verdadeiro "milagre acadêmico" está registrado em seu Currículo Lattes. O Currículo Lattes é uma plataforma comum para todos aqueles que possuem uma carreira acadêmica registrarem seu percurso formativo, linhas de pesquisa e atuação, publicações e participações em eventos, etc.

O favorito de Temer para o STF apresenta nesse seu documento uma façanha pra lá de improvável: em primeiro lugar, um doutorado feito em apenas metade do prazo regular de quatro anos (entre 1998 e 2000), e sem um mestrado prévio. Até aí, poderíamos pensar que ele "cortou etapas" e defendeu sua tese com grande celeridade. É pouco comum, mas acontece.

Mas há algo ainda mais estranho: ele iniciou seu pós-doutorado, que seria a sequência da carreira acadêmica posterior ao doutorado, antes de iniciar seu doutorado. Consta como data de realização de seu pós-doutorado o período entre 1997 e 2000, ou seja, um ano antes de ter iniciado o doutorado.

Para finalizar a carreira do "menino prodígio", apenas um ano depois da conclusão de seu pós-doutorado, ele se tornou Livre Docente, um percurso que a maioria dos docentes universitários realiza em décadas de pesquisas e estudos aprofundados, chegando a esse patamar acadêmico no auge de sua carreira.

Talvez essa "formação relâmpago" seja parte dos planos que Temer tenha para a educação após destruir o Ensino Médio: que todos concluam suas pesquisas de décadas em três anos. Moraes, agora, tem pela frente a carreira do mais alto posto do magistrado brasileiro, onde decidirá questões de imensa importância sem ter sequer sido eleito por ninguém. E seu "notório saber" o gabarita para tal, na opinião de Temer.




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