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Negacionismo e desmatamento | Agronegócio impulsiona palestras negacionistas climáticas em Mato Grosso

Bancados por setores diversos do agronegócio, principal setor responsável por queimadas, desmatamentos e destruição de biomas no país, professores negacionistas, que contrariam a esmagadora maioria da comunidade científica, realizam palestras onde espalham a falácia de que não existe aquecimento global causado pelo homem.

sexta-feira 19 de novembro | Edição do dia

Foto: Reprodução

Ricardo Felício, professor de geografia da Universidade de São Paulo (USP) e filiado ao PSL, antigo partido de Bolsonaro (legenda pela qual se elegeu em 2018), é um dos nomes dos professores que vem dando palestras de cunho negacionista para fazendeiros, produtores e até mesmo estudantes de agronomia, dentro das faculdades.

Em entrevista concedida após um evento em 2019, Felício chegou a afirmar que "Os objetivos [de quem fala em mudanças climáticas] são congelar os países em desenvolvimento. O Brasil é o principal foco dessas operações que envolvem meio ambiente e clima. A ideia da mudança climática e dessas questões ambientais são para segurar o nosso desenvolvimento", citando sem provas e sem embasamento científico algum.

Ao menos 20 palestras de teor negacionista foram dadas pelo Mato Grosso, em 2 sindicatos e nove faculdades. Não por acaso, todas elas financiadas pela Aprosoja Mato Grosso, a associação de produtores de soja e milho do Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil. e principal setor responsável pelas queimadas e destruição ambiental.

Entre outras coisas, na lista de absurdos negacionistas de Felício estão suas colocações em seu canal no site Youtube acerca da pandemia, onde negava a crise sanitária que já vitimou mais de 600 mil pessoas no país, chamando-a de “fraudemia” e afirmando que as vacinas causam maiores danos que a covid, sem ser da área da saúde e sem apresentar prova alguma.

Juntamente a ele, também realiza tais palestras o professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion que chega a chamar o aquecimento global de “farsa”

Molion já expôs seus absurdos inclusive em seminários sobre a Amazônia, com participação, inclusive, de líderes do governo Bolsonaro, como o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas.

Ricardo Felício, ostentando um título de uma das principais universidades do país, passa a negar a ciência e proferir absurdos com financiamento do agronegócio não por acaso. Alinhado com o governo negacionista e obscurantista de Bolsonaro, Felício chegou, a concorrer ao cargo de deputado pelo PSL no mesmo ano da eleição presidencial de Bolsonaro e, inclusive, chegou a ser cotado para ministro do meio ambiente, após as eleições. É a representação da destruição da educação e da ciência pelo governo, com cúmplices dentro das próprias universidades, tal como seus interventores nas reitorias das federais, para acobertar e relativizar desde sua gestão assassina da crise sanitária até questões da destruição ímpar do bioma nacional que o governo promove em favor dos capitalistas do agronegócio e de seus lucros.




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