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Acampamento Indígena | 5 motivos para os estudantes da UnB apoiarem ativamente a luta indígena contra o Marco Temporal

A luta dos indígenas em Brasília contra o Marco Temporal já tem proporções históricas e nos mostra o caminho que poderíamos seguir para barrar não apenas esse ataque brutal de Bolsonaro, Mourão, Congresso e STF, mas também o conjunto de reformas que atinge os trabalhadores e a juventude.

quinta-feira 26 de agosto | Edição do dia

A juventude historicamente cumpriu um papel decisivo em muitas lutas, sendo um fator determinante para massificar conflitos que estavam sendo ignorados pela opinião pública.

Nesse texto queremos dialogar com cada estudante que se sensibiliza com a ofensiva assassina do agronegócio, do judiciário e do governo Bolsonaro contra os indígenas, mostrar que os estudantes da UnB tem um papel a cumprir apoiando a luta indígena:

1) Romper o cerco midiático

A imprensa dos ricos e poderosos está conscientemente ignorando a enorme luta dos 10 mil indígenas de cerca de 170 povos que estão acampados desde domingo e ontem fizeram uma enorme marcha até o STF para lutar contra a aprovação do marco temporal. Muitas das mídias como a Globo que demagogicamente dizem ser contra Bolsonaro mostram que quando se trata de divulgar essa forte mobilização contra o governo preferem ficar caladas, até porque todas elas têm seus laços com os grandes empresários e o agronegócio, no fundo também estão unificados com Bolsonaro, Mourão, Congresso e STF quando se trata de atacar os direitos dos trabalhadores, estudantes e povos oprimidos.

A solidariedade das e dos estudantes, participando ativamente das marchas e do acampamento indígena, divulgando nas redes sua luta é um dos elementos que poderia ajudar a romper esse cerco que as grandes mídias tentam impor. O Esquerda Diário está acampando com os indígenas e estamos diariamente fazendo ecoar a voz destes guerreiros. Divulgamos também o apoio de artistas como DJ Alok que também participaram das atividades no acampamento em solidariedade a luta indígena.

2) Defender o meio ambiente e seus guardiões

Os jovens de hoje são aqueles que terão de lidar e conviver ao longo de sua vida com as consequências da destruição causada pelo agronegócio, grandes extrativistas, mineradoras, empreiteiras e indústrias poluentes, que em nome de seus lucros destroem a natureza, nossos recursos naturais e condições de vida. Por isso saíram às ruas e protagonizaram uma grande greve pelo clima em todo o planeta protestando para ter direito a um futuro.

No Brasil do negacionismo de Bolsonaro, dos desastres das barragens e das queimadas na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado, os indígenas representam a resistência dos povos originários contra toda essa destruição e os estudantes também são aliados destes que são os guardiões das florestas, que lutam para garantir sua sobrevivência e seu futuro assim como os jovens e estudantes de todo o país.

Veja mais : Tirem as mãos da Chapada dos Veadeiros, enfrentar o agronegócio em defesa do meio ambiente

3) Estudantes e indígenas são alvos dos ataques de Bolsonaro

Os estudantes assim como os indígenas são alvos dos ataques de Bolsonaro e Mourão, com seu reacionarismo várias foram as declarações de Bolsonaro dizendo que os estudantes fazem “balbúrdia” nas universidades, que os estudantes seriam “massa de manobra” da esquerda, mesmo argumento que utilizou agora frente a enorme mobilização dos indígenas que segundo o presidente “querem tumultuar”.

A verdade é que os estudantes lutam contra o sucateamento da educação e das universidades federais e que há pouco tempo queriam levar a frente cortes no orçamento que levariam ao fechamento da maior universidade federal do país a UFRJ, que ainda segue em risco, e que também impactam universidades como a UnB, tudo para manter o teto de gastos que garante que o dinheiro arrecadado pelo governo vá diretamente para os banqueiros para pagamento da fraudulenta dívida pública.

A luta dos indígenas contra o marco temporal também deve ser tomada nas mãos pelos estudantes porque também é parte da resistência contra a política de Bolsonaro, Mourão, Congresso e STF que querem nos fazer pagar com nossas vidas pela crise capitalista.

4) Promover a unidade entre estudantes, trabalhadores e setores oprimidos

A juventude já cumpriu inúmeras vezes o papel de ser a caixa de ressonância da sociedade, sendo a faísca para incendiar muitas lutas. Os indígenas estão na vanguarda da mobilização, mas o apoio popular, de estudantes e trabalhadores, é um elemento decisivo para tornar a luta vitoriosa.

Diferente das concepções identitárias que defendem que os indígenas estejam sozinhos nessa luta, sabemos que apenas a unidade de estudantes, trabalhadores e todos os setores oprimidos podem derrotar esse e todos os ataques. Os estudantes podem cumprir um papel tribuno do povo se irmanando das demandas elementares dos indígenas em defesa de suas terras e de suas vidas.

5) indígenas mostram o caminho

Os indígenas estão mostrando o caminho para enfrentar os ataques do governo Bolsonaro, mas também das instituições desse regime como o STF. Nós estamos acampados junto a eles pra lutar juntos contra a PL490 e o Marco Temporal, defender suas demandas como a demarcação de terras, mas consideramos que pra arrasar com toda opressão sofrida pelos indígenas e povos originários e defender inclusive seu direito autodeterminação é necessário enfrentar o conjunto desse regime porque ainda que derrotemos esses ataques prevalece um regime autoritário que em breve voltará com novos ataques.

Por isso, essa força indigena que se levantou em Brasília poderia sacudir os sindicatos que hoje estão numa trégua com o governo, para que organizem a classe trabalhadora em cada fábrica e local de trabalho, levantando a bandeira dos indígenas, e mais do que isso pra que se unifique a luta indigena com a luta da classe trabalhadora numa potente e explosiva aliança para derrotar não somente o PL 490 e o Marco Temporal, mas todos os ataques.

A potência dessa aliança poderia, inclusive, demonstrar que contra Bolsonaro e todo esse regime é preciso defender uma nova Constituinte, imposta por essa luta, que debata os grandes problemas do país como a necessidade por exemplo de uma reforma agrária radical e do não pagamento da dívida pública abrindo espaço para uma saída abertamente revolucionária.




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