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Rio Grande do Norte | 1 milhão na extrema pobreza no RN: reajuste salarial igual à inflação e emprego para todos!

A situação das condições de vida e trabalho para as massas trabalhadoras e do povo pobre potiguar são estarrecedoras e revoltantes. Diante dos índices brutais de extrema pobreza, trabalho informal, denúncias de condições de trabalho, a classe trabalhadora, a juventude e os setores oprimidos já demonstraram que tem em si forças para o enfrentamento contra essa miséria, e é por isso que aqui debatemos a necessidade de um programa para que sejam os capitalistas a pagarem por essa crise.

Marie CastañedaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

segunda-feira 15 de novembro | Edição do dia

Foto: Agência Brasil

Mais de 1 milhão de pessoas vivem em situação de extrema pobreza no Rio Grande do Norte, o equivalente a cerca de ⅓ da população do estado, segundo dados extraídos do Cadastro Único (CadÚnico). De acordo com esses dados, 1.018.671 potiguares inscritos no CadÚnico sobrevivem com até R$89 por mês.

Em termos de desemprego, o índice é de 16,4% no trimestre encerrado em junho, segundo o IBGE. E a estimativa é de que, desse montante, 30% sejam de jovens de até 24 anos, escancarando a situação da juventude, que além do desemprego, sofre também com a perda das bolsas de pesquisa e docência, muitas vezes único meio de sobrevivência, nas federais, como a UFRN.

No quadro do trabalho informal, 45,6% das pessoas de 14 anos ou mais ocupadas estavam na informalidade no quarto quadrimestre do ano passado, no RN. Os informais são os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar.

Dentro do panorama das condições de trabalho, aqui mesmo no Esquerda Diário, se comprova a situação do batalhão de 10% da classe trabalhadora empregada, segundo o IBGE, que está no telemarketing, como as dezenas de denúncias que recebemos após a publicação que escancarou a demissão em massa da Teleperformance. Assim como das condições de trabalho das salinas, na região de Mossoró e outras cidades que concentram mais de 90% da produção de sal de todo o país, em que operários chegam vier condições de trabalho análogas à escravidão, jornadas exaustivas embaixo do sol. E também das pequenas facções têxteis que prestam serviço à Riachuelo, enquanto Flávio Rocha enche seus bolsos de dinheiro.

Essa situação revoltante tem como pano de fundo os culpados: Bolsonaro, Mourão, Guedes, militares e o conjunto do Congresso destinam a miséria enquanto fazem a festa com emendas parlamentares, salários exuberantes, pagam religiosamente a dívida pública, e a população padece com desemprego e fome. A miséria existe por responsabilidade de todos esses atores políticos que são parte da sustentação ao capitalismo. Nas nossas costas, descarregam Reforma Trabalhista, da Previdência, privatizações, destruição do meio ambiente para agradar o agronegócio e outros ataques que só pioram nossa vida, que deveria valer mais que o lucro dos capitalistas. A fortuna dos bilionários brasileiros cresceu 11,6%, enquanto 15 milhões estão desempregados, dezenas de milhões no subemprego, no trabalho informal ou precário.

Veja também: Bolsonaro, Guedes e Congresso impõem salários de fome: Reajuste mensal igual à inflação já

Existem focos de resistência em nosso estado, como ficou demonstrado na greve do Detran, na luta dos trabalhadores da saúde e na resistência indígena, mas para responder à situação miserável seria urgente uma campanha unificada de todos os sindicatos, junto aos movimentos de moradia, sem-terra, indígena e negro para impor o reajuste automático dos salários a cada mês de acordo com o aumento do custo de vida, ou seja, reajuste salarial mensal igual à inflação, assim como o imediato congelamento dos preços dos alimentos, gás e luz, a níveis anteriores à pandemia, demandas sentidas pelo conjunto da população.

Como resposta aos níveis de desemprego, nossa perspectiva deve ser resolver o problema do desemprego em toda a sociedade, por empregos com direitos para todos, dividindo as horas de trabalho de todo país entre empregados e desempregados, começando pela redução para jornada de 6h, 5 dias na semana. Obviamente isso precisaria ser imposto pela nossa luta epara gerar empregos, é preciso um grande plano de obras públicas para vários anos. Um plano controlado pelos trabalhadores, ligado a uma verdadeira reforma urbana, garantindo moradias, saneamento básico, transporte público rápido, hospitais, escolas, tudo o que é necessário para uma vida digna. Isso demandaria um enorme investimento estatal, que hoje é sugado pela dívida pública, um mecanismo eterno e fraudado que leva bilhões de reais aos banqueiros enquanto a classe trabalhadora amarga a fome, que devemos deixar de pagar.

E para isso, é necessário confiar nas nossas próprias forças, confiar nos trabalhadores que se colocam em luta no estado, como os trabalhadores da saúde, linha de frente do combate à pandemia que padeceram todo esse período com o aprofundamento do sucateamento dos grandes hospitais Walfredo Gurgel, Giselda Trigueiro e João Machado, por exemplo. Confiar na força dos estudantes que lutam pelas suas bolsas de pesquisa e de ensino que o governo de Bolsonaro e Mourão corta e deixa milhares de estudantes passando fome, sem bolsas. São essas forças unificadas, combatendo a demagogia eleitoral de Bolsonaro com o Auxílio Brasil e seus ataques, que ele compartilha com o Congresso e o STF, aos trabalhadores, indígenas, mulheres, negros e LGBTQIA+. Batalhando pela revogação do Teto de Gastos e contra a PEC do Calote, que ataca desde o funcionalismo público, até os setores mais precários da nossa classe.

A classe trabalhadora, a juventude e os setores oprimidos no estado demonstram essa capacidade de combate. Sejam nas manifestações que ocorreram desde o início do ano contra o governo, mas também na resistência indígena, se enfrentando contra o incêndio no Parque Boca da Mata, e na presença no Acampamento Indígena em Brasília. São exemplos também a greve dos trabalhadores do Detran, na luta por seus salários e denunciando como no governo de Fátima Bezerra (PT), que se vangloria pela pagamentos de salários atrasados de servidores, a terceirização se ampliou, e a greve dos trabalhadores da saúde, linha de frente da pandemia sem condições mínimas de EPI para atendimento de covid ou qualquer outro, sofrendo com falta de materiais, em que inclusive há denúncias do aumento do trabalho terceirizado, com base em fome e falta de salários.

Nesse sentido, é necessário também travar uma luta independente do PT, que governa nosso estado à serviço da manutenção dos lucros dos empresários. O governo de Fátima Bezerra anunciou uma bolsa-empresário chamado “RN Cresce+” isentando e oferecendo créditos milionários nas mãos de patrões no meio do aumento do desemprego da pandemia, sem nenhuma garantia de manutenção de empregos, como seria se tivesse proibido as demissões no estado. Uma medida que o escravista Flávio Rocha disse fortalecer a “a capacidade de luta” dos empresários potiguares. O setor de turismo é um dos mais golpeados pela pandemia, principalmente no RN, onde a atividade do setor de comércio e turismo são responsáveis por 65% do PIB do estado, segundo o Sistema Fecomércio. Com isolamento e risco de contaminação em atividades em grupo, redução de deslocamentos em viagens, fechamento de restaurantes e bares, localidades que tinham no turismo sua principal fonte de renda se viram totalmente abandonadas. Pensar na garantia de renda dos trabalhadores deste setor é fundamental, mas não é isso que o governo de Fátima Bezerra está fazendo.

Fátima Bezerra tem ensaiado no Rio Grande do Norte um eventual governo Lula em meio ao regime político herdeiro do golpe institucional de 2016. Isso num cenário possível de que, para as eleições de 2022 a governadora concorra tendo como vice a oligarquia dos Garibaldi Alves, que ela tanto se orgulha de dizer que venceu nas eleições de 2018. A governadora aprovou a sua própria reforma da previdência durante a pandemia, enquanto as trabalhadoras da saúde que estavam na linha de frente, provaram que o PT também é parte de descontar a crise nas costas dos trabalhadores e seguirá administrando a obra econômica do golpe.

Além disso, priorizou fortalecer as forças policiais, uma força de repressão, especialmente à juventude negra no estado, como vimos com o assassinato de Geovane Gabriel em 2020 e com as constantes repressões de eventos da juventude na capital, que ela compartilha com o prefeito Álvaro Dias (PSDB), se apoiando na demagogia do isolamento social, sendo que manteve os batalhões da classe trabalhadora espremida em ônibus, sem licença remunerada e proibição das demissões na pandemia.

Foi com esse objetivo que a governadora fez uma série de anúncios para a Polícia Civil e Militar no interior do Estado, com a oficialização de batalhões e novas companhias independentes da Polícia Militar. Desde o início da gestão, o governo já entregou R$12,4 milhões em equipamentos para fortalecer a polícia na região Oeste, e R$6,2 milhões, na região Seridó, enquanto 1 milhão de trabalhadores vivem na extrema pobreza. Durante a pandemia chegou fechar um investimento milionário com o governo Bolsonaro com compra de equipamento e armamento da polícia do estado.

Desde o RN, precisamos também exigir que a CUT, a CTB e a UNE, centrais sindicais e entidade estudantil nacionais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, rompam com o seu imobilismo, que já cancela os atos do dia 15 de Novembro contra o governo com nítida intenção eleitoreira, e organizem em cada local de trabalho e estudo assembleias por um plano nacional de lutas. Fazemos esse chamado de fazer essa exigência também ao conjunto dos ativistas e organizações de esquerda, como PSOL e PSTU, que estão nas gestões de sindicatos e do DCE da UFRN.

Entre em contato com o Esquerda Diário e o MRT e faça parte dessa campanha por reajuste salarial mensal igual à inflação e emprego para todos também no Rio Grande do Norte e por cada luta no seu local de trabalho e estudo. Você pode também enviar denúncias sobre a situação no seu local de trabalho, como as que citamos da Teleperformance, dos trabalhadores do Detran e da saúde do RN. Nossa luta é também por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo. No marco dessa luta, também viemos afirmando que uma saída como o impeachment de Bolsonaro não vai resolver. Precisamos arrancar esse fascista do poder, mas não para colocar o outro chamado Mourão. Lutamos por uma nova Constituinte imposta pela luta, onde possamos debater todos os problemas do país, como reformas agrária e urbana radicais, o não pagamento da dívida pública, através de deputados eleitos e revogáveis pelos eleitores, porque com as regras do jogo do país hoje, trocar os jogadores (presidente e outros nas eleições) não vai mudar nada estrutural. Que os grandes empresários e oligarcas do Rio Grande do Norte também paguem pela crise que eles mesmos fizeram parte de criar!

Confira a campanha nacional: Que os grandes empresários paguem pela crise




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