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EDUCAÇÃO NATAL

Trabalhadores da educação de Natal protestam contra demissão de 400 terceirizados

São cerca de 400 trabalhadores terceirizados da rede municipal de educação que foram pegos de surpresa com a demissão pela empresa e a prefeitura de Álvaro Dias (PSDB). O protesto contra as demissões ocorreu na manhã dessa quinta-feira (18) em frente à secretaria de educação do município de Natal e foi marcada por uma forte expressão de solidariedade entre trabalhadores efetivos e terceirizados.

Jojo de Paula

estudante de Design da UFRN e militante da Faísca

sexta-feira 19 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Ayrton Freire / Intertv Cabugi

No mesmo dia ocorreu o retorno das aulas da rede municipal na modalidade remota. Segundo denúncias dos professores, não é possível retomar as atividades sem a presença dos trabalhadores terceirizados, que são porteiros, merendeiras, auxiliares de cozinha e de secretaria, entre outras. Os trabalhadores presentes no protesto levantaram cartazes com o nome dos seus colegas demitidos e denunciando a gestão do prefeito Álvaro Dias.

Francisca da Paz, de 52 anos, foi uma das demitidas. Trabalhava há 7 anos no CMEI Lourdes Godeiro como auxiliar de cozinha. Confira seu depoimento à TV Cabugi abaixo:

“Eu dava a vida por aquele trabalho. A gente era pra tudo, o que precisasse lá eu estava disponível. Fui pega de surpresa. Mandaram assinar um papel, eles chamaram na firma, e eles disseram que era da secretaria e que não podiam fazer nada pela gente”.

Representando a prefeitura, a secretária de educação de Natal, Cristina Diniz, joga a responsabilidade das 400 demissões na empresa terceirizada, alegando que ela tem autonomia para contratar e demitir os trabalhadores.

Na verdade Álvaro Dias e os empresários donos das empresas terceirizadas estão
juntos nesse ataque, que desconta a crise nas costas dos trabalhadores mais precários, em sua maioria mulheres e negros. Jogam a responsabilidade um para o outro, mas no fim das contas quem paga a conta são esses trabalhadores, enquanto a prefeitura sequer os considera como parte da comunidade escolar.

A prefeitura com hipocrisia ainda afirma “Nós lamentamos a saída de funcionários que já estão há algum tempo nas escolas e CMEIS, que fazem vínculos com as crianças, com os gestores, professores, mas nós não podemos obrigar as firmas a contratar todos os mesmos funcionários sempre”.

Essas demissões se somam a outros ataques de Álvaro Dias à educação e a vida dos trabalhadores de Natal. Uma medida que João Doria, governador pelo PSDB de São Paulo, também levou a frente junto com a volta presencial das aulas. Descontar a crise nos terceirizados é parte do projeto desse regime golpista que ele sustenta, que durante a pandemia gerou mais de 14 milhões de desempregados, resultando no aumento da fome no paí. Essas demissões são produto do avanço da terceirização, da informalidade, da retirada de direitos trabalhistas, aprofundando a divisão entre trabalhadores com direitos e sem direitos. A união das trabalhadoras e trabalhadores efetivos e terceirizados da educação de Natal é um exemplo para fortalecer a luta contra os ataques da prefeitura e dos patrões o regime golpista.

Nenhuma demissão nas escolas! Pela volta das 400 famílias demitidas e efetivação dos contratos terceirizados, sem necessidade de concurso público!




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