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LATAM ARGENTINA

Trabalhadores da Latam e terceirizados fecham entrada para o aeroporto Ezeiza em Buenos Aires

“Não queremos um Natal com famílias na rua” dizem os trabalhadores da Latam, que, junto com os terceirizados da GPS e Securitas, operários e organizações solidárias, realizam um protesto contra os ataques que as empresas do setor vêm realizando.

terça-feira 15 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Sebastián Linero, Enfoque Rojo

Trabalhadores e trabalhadoras aeronautas continuam firmes com suas reivindicações. “Enquanto abrem para o turismo e se reativa a indústria, fazem isso enquanto as famílias [de trabalhadores] da Latam seguem na rua. Não queremos um Natal com famílias na rua”, explica um comunicado enviado à redação do La Izquierda Diario argentino pelos trabalhadores delegados da Latam. É por isso que está acontecendo um corte na Autopista Richieri, impedindo o acesso ao único aeroporto da área metropolitana que está funcionando no momento, o de Ezeiza.

Às 8 horas (horário da Argentina) começaram a cortar a Autopista Richieri, próxima a Ezeiza.

A redação do La Izquierda Diario conversou com Eduardo Lusa, delegado de base da Latam, que disse “seguimos lutando em defesa dos postos de trabalho. Aqui, estão as bases de aeronautas, viemos pedindo aos sindicatos que se somem. Mas, além de boas maneiras, não há respostas concretas das autoridades ao nosso pedido”. “Aqui, estamos junto com trabalhadoras e trabalhadores da Latam, terceirizados da Latam e trabalhadores da Aerolíneas Argentinas, lutando.

Martín Brat, delegado da terceirizada GPS, assinalou “votamos fazer uma ação junto aos efetivos e terceirizados da Latam. No nosso caso, temos o acordo coletivo vencido há um ano. Além disso, a empresa nega que os delegados estejam no aeroporto de Ezeiza. Nesse momento, estamos paralisados [trabalhadores da Aerolíneas Argentinas].

Fabián, delegado da empresa Securitas, terceirizada da Latam, contou os ataques que eles vêm sofrendo: “Sabiam que estavam vindo atrás de nós, que iam tocar no ativismo. Dizem que precisam reduzir o número de pessoas, o que é uma desculpa, porque há voos. Estão extorquindo com as transferências compulsórias e retiradas voluntárias. Por isso, nos organizamos com outros setores aeronautas”.

Também estiveram presentes trabalhadores de outros setores e integrantes da Assembleia Permanente das Famílias de Guernica.

Uma das trabalhadoras da GPS, Cinthia, tinha um cartaz que dizia “Cristina, as aeronautas querem trabalhar”. “Aqui, muitas somos donas de casa, trabalhamos em bases de contêineres, com banheiro químicos. Cada vez estamos pior, mais crianças na rua, mais pobreza”.

Entre as referências políticas que foram ao aeroporto se solidarizar estão Vilma Ripoll, Celeste Fierro (MST-FITU) e Claudio Dellecarbonara, deputado provincial do PTS-FITU, que disse “nos chamaram de essenciais, nos aplaudiram, mas aqui vemos as demissões, ajustes, os ataques às condições de trabalho”. Além disso, exigiu às autoridades que intervenham atendendo as reivindicações dos trabalhadores, que seja respeitado seus postos e condições de trabalho, assim como as negociações coletivas congeladas.

Diego, trabalhador da Securitas, contou que “com a desculpa da pandemia, estão querendo apagar a gente com demissões voluntárias. Sou o único sustento da minha família, Obrigada, Sasa (Securitas), por me fazer passar estas festas tão lindas”.

Paula, trabalhadora da Latam, disse que “há 8 meses que estamos cobrando a metade do nosso salário, ainda que tenhamos uma decisão favorável. O Ministério do trabalho não faz nada. A maioria de nós somos mulheres, e a situação está muito complicada. Da parte do governo, não temos resposta, nos aceitaram como trabalhadores auto-organizados em luta, os sindicatos não fizeram nada. De 1.700 trabalhadores, sobrou 400 ou 500. Isso por causa da atitude do sindicato. Queremos saber onde e quando vamos trabalhar”.

Latam não é a única empresa que ataca seus trabalhadores, enquanto segue operando no país e gerando lucros para os seus cofres: “trabalhadores da Securitas também vem sofrendo no Aeroparque e em Ezeiza, transferidos compulsoriamente, não são mais do que demissões encobertas e perseguição”, continua o comunicado. “Além disso, os trabalhadores da GPS (terceirizados da Aerolíneas Argentinas) estão com as negociações coletivas congeladas há um ano, e a empresa não deixa que os delegados entrem nas bases operativas de Ezeiza, ainda que haja uma decisão judicial a favor dos trabalhadores que obriga a empresa a deixar. Suspensões, cortes de salários e demissões encobertas são contadas aos milhares nos aeroportos”, descreve a dramática situação.

Segundo relatam os trabalhadores, longe da “normalidade” que tenta mostrar o governo, os ministros Mario Meoni (transporte) e Claudio Moroni (trabalho) vêm deixando passar todos os ataques empresariais contra esses trabalhadores que foram considerados essenciais desde o começo da pandemia e agora sofrem as consequências da avidez empresarial.




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