Juventude

DENÚNCIAS OPERÁRIAS

“Tiraram fotos das minhas nádegas enquanto dormia” conta terceirizada do hospital da mulher da Unicamp

Como denunciamos no Esquerda Diário, as trabalhadoras terceirizadas estão sendo submetidas a uma condição de precarização e humilhação. Em sua maioria mulheres e negras, elas relatam muitas dificuldades no trabalho e até situações de assédio moral e sexual dentro do CAISM, escancarando o machismo que humilha e divide os trabalhadores em um hospital que é referência no atendimento à mulher.

quinta-feira 6 de maio| Edição do dia

No pior momento da pandemia, com cada vez mais pessoas próximas de nós morrendo pela covid, as trabalhadoras terceirizadas que estão na linha de frente do combate a pandemia, tanto na saúde quanto na limpeza, sofrem muito em um hospital que é referência à saúde da mulher na região.

Trabalhadoras terceirizadas relataram situações de assédio moral e sexual e o desrespeito pelas suas vidas e trabalhos. Como escrevemos aqui, essas trabalhadoras não têm lugar adequado para descanso e muitas vezes são privados da hora de descanso, tem que bater o ponto e continuar a trabalhar. Tudo em jornadas de trabalho que são extenuantes e insalubres para essas trabalhadoras.

Elas relatam que têm que chegar ao trabalho às 20h da noite e esperar até as 22h, pois não tem oferta de linhas de ônibus para que possam chegar perto do horário de trabalho. Enquanto esperam ficam em salas de descanso, as mesmas que usam durante o trabalho, totalmente improvisadas, tendo até mesmo que dormirem no chão forrado com papelão para descansarem, as acordam com lanterna no rosto para que saiam da poltrona. Uma trabalhadora relatou o absurdo que enquanto dormia, tiraram fotos de suas nádegas, com aval e desrespeito por parte da chefia. Além disso, zombam e humilham seus trabalhos, falando que está mal feito e fazendo elas refazerem novamente a limpeza de forma sádica e com deboche.

Além disso, apesar de trabalharem a noite elas tem que fazer escala 6x1, em que elas têm que trabalhar 6 dias seguidos durante todas as noites para folgar outro dia. Elas reivindicam que essa escala mude para 12x36 para que consigam descansar e não ficar trabalhando noites seguidas, o que acaba com a saúde delas e um lugar digno e adequado para que elas possam descansar.

Quando começam o trabalho, os carrinhos são velhos e quebrados e muitas vezes não tem nem os produtos de limpeza adequados para trabalhar. Além disso, mesmo em meio a pandemia não recebem EPI’s adequados, tendo apenas uma máscara descartável para todo o turno, quando na verdade se deveria ter trocas a cada duas horas, com uso de uma máscara mais resistente e que cubra todo o rosto, para que elas não se contaminem pelo covid.

Noticiamos aqui, a morte de duas ex-trabalhadoras do bandejão, que haviam sido demitidas em meio a pandemia, inclusive uma delas logo após saber que estava infectada, e que causou revolta em ampla comunidade na Unicamp. Mortes que não são apenas fruto da covid-19, mas também de condições precárias de trabalho em que se mostra que não há preocupação com a vida das trabalhadoras por parte da reitoria e das empresas terceirizadas. A Unicamp, assim como as empresas, é responsável por essa precarização do trabalho e por cada assédio que ocorre dentro da universidade.

O machismo é uma arma na mão da chefia que serve para desmoralizar, humilhar e dividir as trabalhadoras. Sendo usada para aumentar a precarização do trabalho das terceirizadas e para fazer com que se sintam impotentes frente à situações de tamanha barbaridade.

Desde o Esquerda Diário, a juventude Faísca e a agrupação de mulheres Pão e Rosas, nos solidarizamos com cada trabalhadora e trabalhador tão essencial para salvar vidas durante a pandemia e para garantir o funcionamento do HC e do CAISM. Lutamos ao lado deles pela efetivação dos terceirizados, sem necessidade de concurso público, para que possam ter os mesmos direitos de qualquer trabalhador da Unicamp.

Esses casos de assédio evidenciam a importância de uma campanha em solidariedade às terceirizadas na Unicamp, que juntasse o STU, centros acadêmicos e as organizações de esquerda da juventude e dos trabalhadores, para lutar em defesa das terceirizadas na Unicamp. Os trabalhadores efetivos da universidade, precisam também encarar como sua a defesa dos terceirizados e o combate ao machismo que divide nossa classe, pois se atacam esses trabalhadores também é porque preparam ataques aos efetivos. Como visto pela proposta de terceirizar técnicos de enfermagem e enfermeiros do HC e CAISM, precarizando trabalhadores que estão na linha de frente do combate à pandemia.

Nesse sentido, está colocada a urgência da unificação das fileiras dos trabalhadores, com efetivos e terceirizadas batalhando juntos contra a precarização do trabalho e contra o machismo e o racismo, em uma só luta contra os que querem arrancar ainda mais os direitos dos trabalhadores em plena pandemia.




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