Gênero e sexualidade

PRECARIZAÇÃO UNICAMP

Terceirizados denunciam que têm que improvisar local de descanso no CAISM - Unicamp

Recentemente no Caism, hospital referência no atendimento à mulher, e que fica ao lado do Hospital das Clínicas da Unicamp, outro importante hospital da região, trabalhadoras terceirizadas denunciaram as condições precárias às quais são obrigadas a trabalhar. No pior momento da pandemia, com o país alcançando o gritante patamar de 400 mil mortes, é inaceitável que os trabalhadores considerados essenciais não tenham condições adequadas para exercer suas funções.

sábado 1º de maio| Edição do dia

As trabalhadoras terceirizadas do Hospital da Mulher, o Caism, encaminharam um documento à ouvidoria do órgão denunciando as condições que enfrentavam para trabalhar. Uma das denúncias diz respeito à inadequação do espaço destinado a descanso. As funcionárias devem descansar em meio a cadeiras inapropriadas, e há registros e fotos de trabalhadoras que são obrigadas a dormir em papelões.

Não é a primeira vez que essas denúncias ocorrem, mas neste caso as trabalhadoras decidiram por recorrer à ouvidoria, entretanto, o documento não chegou às mãos do setor, sendo burocraticamente barrado pela chefia. Não obstante, as trabalhadoras ainda foram intimidadas a não continuar com a denúncia, sob ameaça de serem reportadas à empregadora, o que causaria um “mal-estar” entre a terceirizada e a Unicamp, sendo que uma representante do sindicato de trabalhadores da Unicamp (STU) que acompanhava o caso foi até mesmo exposta a uma situação de assédio moral.

Tais métodos de intimidação são exemplos do descaso com o qual são tratados trabalhadores e trabalhadoras essenciais durante a pandemia, que mesmo garantindo os serviços de saúde, limpeza e alimentação não recebem salários dignos e por vezes não são fornecidos nem mesmo os EPIs adequados para evitar que se contaminem, além de serem obrigados a se amontoar nos transportes públicos para ir ao trabalho, aumentando ainda mais o risco de se contrair Covid.

Os trabalhadores tercerizados da Unicamp garantem serviços essenciais durante anos, e em especial durante a pandemia como o bandejão e a limpeza, e mesmo assim sofrem as piores condições de trabalho, com salários menores, assédio da chefia e enfrentando situações de insalubridade.

Um setor dos estudantes vieram mostrando bastante solidariedade a esses trabalhadores, como foi no recente caso da morte de Edvânia e Lourdes que morreram de covid pouco tempo após serem demitidas em meio a pandemia,e organizaram uma vakinha online para ajudar as famílias dessas trabalhadoras. Também organizando ações de solidariedade a esses trabalhadores.

Assim como faz os estudantes é necessário que todas as organizações de esquerda e o Sindicato dos trabalhadores da Unicamp se mobilizem ativamente para combater a precarização que ameaça a vida dos trabalhadores terceirizados. O trabalhadores efetivos também tem um papel fundamental nessa luta, se entendendo como parte da mesma classe desses trabalhadores que morrem fruto do covid e da precarização. É preciso unificar as demandas dos terceirizados a luta dos trabalhadores efetivos, pois se hoje fazem isso com os trabalhadores que são fundamentais nesse momento de crise é porque também preparam ataques ao conjunto dos trabalhadores da Unicamp. Nossa luta e nossa classe é uma só, devemos lutar e nos unificar às demandas dos terceirizados encarando como parte também de nossa luta.

É nessa perspectiva que o Esquerda Diário abre seu site para receber quaisquer denúncias de trabalhadores que passam por assédio moral e outras situações em seus postos. Envie sua denúncia para nós, garantimos o anonimato, e unifiquemos às lutas de nossa classe.




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