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PROFESSORES RJ | RJ: escolas abertas, polícia vacinada e professores não

No auge da pandemia no estado do Rio de Janeiro três medidas ilustram a irracionalidade do podre regime político carioca: Paes recorreu à justiça e insistiu na reabertura das escolas no município, Castro fez demagogia e inverteu a fila de vacinação no estado, propondo que a polícia e professores passassem na frente de pessoas com comorbidaddes, acontece que o Tribunal de Justiça, por sua vez, vetou os professores e manteve os policiais, ainda que com limitações. Resultado: escolas reabrindo nesta terça (07), professores sem prioridade de imunização, enquanto a polícia que reprime e mata a juventude passa na frente.

quarta-feira 7 de abril | Edição do dia

Polícia reprime manifestação de professores no centro do Rio - Foto: Agência Brasil

Conversamos com Carolina Cacau, que é professora em Nova Iguaçu na Baixada Fluminense e fundadora do Quilombo Vermelho – Luta Negra Anticapitalista sobre a situação revoltante a qual os governos estão submetendo os professores no Rio de Janeiro.

Esquerda Diário: Cacau, você pode explicar pra gente como os políticos e instituições cariocas tentam se justificar dessas decisões tão contraditórias?

Cacau: Tanto o prefeito Eduardo Paes quanto o governador Cláudio Castro estão tentando a todo custo fazer demagogia com a vacinação e as medidas de restrição na pandemia. Paes insiste na abertura das escolas, diz que tem que ser “a última coisa a fechar e a primeira a abrir”, porque se trataria de valorizar a educação, mas não se importa com a vida dos professores e estudantes que aumentam em muito as chances de contaminação, em estruturas escolares que mesmo antes da pandemia não ofereciam condições sanitárias básicas, imaginem agora? Mas a gente sabe a verdade, ele quer favorecer as empresas de educação privada e a base de direita que insiste minimizar a pandemia. Outra demonstração disso é como Paes está determinado a aprofundar a crise no Rio arrochando salários e atacando servidores municipais com uma Reforma da Previdência absurda.

Entenda: Cacau: "Paes aprofunda crise do Rio arrochando salários e atacando servidores municipais"

Castro foi por outro ângulo, para agradar a base Bolsonarista dura propôs vacinar as forças policiais na frente até de pessoas com comorbidades, um absurdo por si só. Ele incluiu os professores como prioridade, mas parece que já sabia que o judiciário racista, através do Tribunal de Justiça, iria suspender a prioridade dos professores, enquanto pros policiais apenas colocou limitações. A verdade é que não tem explicação que não seja a de que pouco se importam com a vida dos trabalhadores da educação e da juventude, apenas em agradar a polícia que serve como base eleitoral fundamental da extrema direita, além de cumprir um papel estratégico de para conter, a partir da repressão e massacre cotidiano, a revolta que tá entalada na nossa garganta, mas que uma hora vai explodir. Não esqueçamos que a polícia no governo Cláudio Castro matou mais que a polícia no governo de seu antecessor Witzel, provas de que o governador carioca em exercício estreita aliança com bolsonarismo não apenas no negacionismo em relação a pandemia, mas também no aprofundamento do racismo estrutural.

Saiba mais: Polícia no governo Cláudio Castro é mais letal que no governo de Witzel

Esquerda Diário: Como você acha que deveria ser a organização da volta às aulas presenciais? O que os professores estão discutindo sobre isso?

Cacau: Todos nós queremos que as aulas possam retornar assim que possível, em especial nós professores que estamos sentindo na pele há mais de um ano como a precarização do ensino a distância atinge nosso trabalho, o aprendizado dos nossos alunos e a vida das famílias. Nós realmente entendemos. E isso só reforça a importância de que deveria ser a gente, comunidade escolar, trabalhadores das escolas, efetivos e terceirizados, junto com as famílias, os que decidem quando e como voltar.

Nós conhecemos os problemas estruturais da educação pública e sabemos como resolvê-los. Esse momento poderia ser de uma reformulação do projeto de educação no país, que começa pela valorização dos profissionais e vai até a reestruturação dos espaços. Para isso, em primeiro lugar é necessário que toda a comunidade escolar entenda a importância de lutar para derrubar a lei do Teto de Gastos que congela nossos salários e qualquer investimento até 2036, um absurdo! Essa lei, assim como as Reformas Trabalhista e da Previdência são alguns dos ataques que vieram como resultados econômicos do golpe institucional de 2016, quando, os que hoje falam de oposição ao Bolsonaro da boca pra fora, estavam juntos e unificados nos ataques contra nossos direitos.

O dinheiro necessário para investir em educação, num plano emergencial de combate à pandemia na área da saúde, auxílio emergencial de no mínimo um salário mínimo e garantir direitos trabalhistas e previdenciários para toda a população, poderia vir em primeiro lugar da taxação das grandes fortunas, como da mafiosa família Barata aqui no Rio, assim como do não pagamento da dívida pública nacionalmente, um verdadeiro roubo do nosso dinheiro público.

Paes, Castro e o judiciário carioca, todos golpistas, assim como todas as instituições repressivas, com uma das polícias que mais mata jovens negros nesse país, tem interesses opostos aos nossos porque sustentam esse regime pós-golpe onde os militares tem mais poder que o nosso voto sequestrado nas eleições de 2018. Não nos enganam, não confiamos e mais que isso precisamos combatê-los.

ED: O que você acha que as entidades e organizações da esquerda poderiam estar fazendo nessa situação?

Cacau: A esquerda precisa sair dessa trégua com Paes aqui no Rio. Ele não é, nunca foi e nunca será nosso aliado. O apoio político das organizações de esquerda a ele nas eleições cobram seu preço, sedimentando uma passividade que precisamos superar. Não basta criticar o projeto em suas redes sociais ou mesmo no parlamento, o PSOL precisa colocar suas bancadas para chamar os trabalhadores e sindicatos a se mobilizarem.

Diferente de Freixo, que constrói um caminho para se unir com o próprio Paes e Maia em 2022, e não a toa não fala uma palavra sobre a reforma da previdência municipal, nós temos que construir uma força que responda agora aos ataques que estão sendo feitos, que busque organizar os trabalhadores e trabalhadoras em suas categorias, para lutar contra os ataques, em defesa da vida, e dos empregos e por vacina para todos. Nessa luta nossos inimigos são Paes, Castro, Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe. A CUT, dirigida pelo PT e CTB, dirigida pelo PcdoB, precisam mobilizar suas bases para combater essa reforma da previdência.




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