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Universidades | Preconceituoso, Guedes critica pobre na faculdade: “deram bolsa pra quem não sabe ler”

Sem saber que estava sendo gravado, o ministro teceu uma série de comentários defendendo a iniciativa privada na educação e saúde, além de criticar o acesso as universidades por via do programa Fies, dizendo que o filho de seu porteiro, que zerou o vestibular, foi bancado pelo programa para entrar numa universidade.

quinta-feira 29 de abril | Edição do dia

IMAGEM: ADRIANO MACHADO/REUTERS

Em mais um episódio escandaloso, o ministro da Economia, Paulo Guedes se queixou do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), colocando de forma extremamente preconceituosa como a partir do programa, o governo federal concebeu bolsas universitárias para “todo mundo” e para pessoas sem a “menor capacidade” e que “não sabia ler, nem escrever”, chegando ao cúmulo de dizer que o governo federal deu bolsas ao filho do seu porteiro, que zerou a prova do vestibular.

Tais comentários aconteceram em uma reunião gravada com a presença de outros membros do gabinete de Bolsonaro, como o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e o da Justiça, Anderson Torres. Inclusive parte das falas dos ministros foram transmitidos nas redes sociais do Ministério da Saúde, sendo retiradas posteriormente. Pelo fato da própria reunião apresentar falas e discussões associadas a pandemia e saúde, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou um requerimento na CPI da Covid-19 no Senado para ter acesso à íntegra da reunião.

Como o próprio ministro só soube que estava sendo gravado depois de 40 minutos de reunião, antes disso, o mesmo teceu comentários criticando o acesso as universidades, contando sobre uma história acerca do filho de seu porteiro ter tido o acesso a uma universidade por conta do programa. A fala foi colocada em um momento da reunião onde o ministro defendia a eficiência da iniciativa privada perante o poder público, porém o mesmo enxergou como programa demonstra que a necessidade de se ter cautela ao subsidiar o acesso ao serviço privado.

Segundo, Guedes:
“O porteiro do meu prédio, uma vez, virou para mim e falou assim: ’Seu Paulo, eu estou muito preocupado’. O que houve? ’Meu filho passou na universidade privada’. Ué, mas está triste por quê? ’Ele tirou zero na prova. Tirou zero em todas as provas e eu recebi um negócio dizendo: parabéns, seu filho tirou...’ Aí tinha um espaço para preencher, colocava ’zero’. Seu filho tirou zero. E acaba de se endereçar a nossa escola, estamos muito felizes”

Comentários como esses só demonstram como o regime e o governo, a começar por seus representantes desprezam qualquer possibilidade dos trabalhadores e do povo pobre de serem minimamente contemplados com seus direitos. O mesmo encara o acesso à universidade enquanto uma questão de investimento ou algo condicionado a algum filtro social como o desempenho em vestibulares, isso em meio as inúmeras desigualdades que existem na própria formação educacional entre a população, e não enquanto um direito universal, que inclusive não é garantido na íntegra para a população até hoje.




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