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Movimento estudantil | Por novas eleições no DCE UFRGS para fortalecer as entidades contra a extrema-direita!

No retorno às aulas presenciais da UFRGS, é necessário fortalecer as entidades estudantis para enfrentar os ataques de Bolsonaro e da extrema-direita. É nesse sentido que nós da juventude Faísca Revolucionária defendemos que ocorram o quanto antes novas eleições para o DCE da UFRGS, processo que não ocorre há 3 anos, como parte de um direito democrático elementar dos estudantes decidirem sobre a direção de sua entidade e para fortalecer o movimento estudantil em base a amplos debates políticos e programáticos

terça-feira 14 de junho | Edição do dia

O retorno às aulas presenciais na UFRGS precisa ser uma alavanca que impulsione o movimento estudantil às alturas dos desafios colocados. Isso porque para combater a extrema-direita bolsonarista, representada por Bulhões em nossa universidade, os cortes na educação, a PEC 206, arrancar justiça por Genivaldo e também por Bruno e Dom, necessitamos de entidades estudantis fortalecidas, que sejam verdadeiras ferramentas de luta e impulsionem a auto-organização dos estudantes em unidade com os trabalhadores de dentro e fora da universidade.

Nesse sentido, a principal entidade estudantil da UFRGS, o DCE, não vem correspondendo a essas necessidades. E agora, em pleno recomeço das aulas presenciais, vê sua gestão completamente desgastada e explodida após 3 anos de gestão, reafirmando a necessidade de um novo processo eleitoral para o DCE ainda nos primeiros meses do semestre, onde os estudantes possam decidir democraticamente sobre a direção de sua entidade em base a amplos debates de programa e política.

Na última semana, o “Eu Defendo a UFRGS", coletivo formado por organizações do PT (JPT e Kizomba) e PCdoB (UJS), publicou junto do Afronte/PSOL um manifesto para chamar eleições na UFRGS em nome de “fortalecer o movimento estudantil”. Apesar de concordarmos com a necessidade de novas eleições para o DCE e defendermos isso, não nos enganamos com a hipocrisia do discurso do PT e UJS que buscam se alçar na decadência da atual gestão do DCE para enganar os estudantes com sua política oportunista. Na carta, esses setores dizem defender as entidades como "ferramentas de organização, debate e mobilização”, quando na verdade atuam no sentido oposto dentro do movimento estudantil. Para se ter ideia, essas organizações (PT, UJS/PCdoB e Levante) são as mesmas que dirigem a maior entidade estudantil do Brasil, a UNE, de maneira totalmente burocrática, sem impulsionar a auto-organização dos estudantes através de assembleias de base e sempre atuando para dividir a luta da juventude e dos trabalhadores enquanto desviam nossa mobilização para as vias institucionais. Não à toa a UNE não organizou es estudantes contra as intervenções bolsonaristas que hoje infestam nossas universidades, por exemplo, ou então sempre que surge um ataque recomenda que os estudantes enviem email para os deputados para fazer “pressão parlamentar”, desviando o descontentamento dos jovens para as mãos do mesmo Congresso Nacional que passou as reformas e o teto de gastos que estrangula o orçamento para a educação. No mais, também vemos que a "democracia estudantil" defendida pelo PT e UJS não passa de mera retórica, já que a atual direção da UNE sequer foi eleita democraticamente, já que no último CONUNE não houve delegados eleitos pela base e a nova direção foi apenas referendada por eles mesmos.

Por isso é extremamente hipócrita o “Eu Defendo a UFRGS” criticar a deplorável prática do DCE de restringir sua atuação ao CONSUN (Conselho Universitário, órgão ligado e controlado pela burocracia universitária), pois na verdade a prática de desviar o descontentamento e potencial de luta para as vias institucionais é uma prática de praxe do PT e UJS, à qual as organizações que se dizem oposição de esquerda, como o Juntos/PSOL, Correnteza/UP e UJC se adaptam. A consequência dessa política pode ser vista recentemente no dia 9J, onde a disposição de luta de uma vanguarda dos estudantes e a indignação contra os ataques não encontrou nas entidades uma política de auto-organização e aliança com os trabalhadores. Pelo contrário, sem batalhar para massificar desde a base a mobilização, PT e UJS atuam na UNE e nas demais entidades que dirigem para manter uma espera passiva de outubro e assim desviar o potencial de luta, que inúmeros jovens demonstraram, para a via eleitoral e de conciliação com a direita representada pela chapa Lula-Alckmin.

Leia mais: Entre a disposição de luta e a conciliação eleitoral, por que o 9J não foi um tsunami da educação?

Para enfrentarmos de maneira consequente a extrema-direita, derrotarmos Bulhões, defendermos os cotistas, a assistência estudantil e os direitos dos terceirizados, é preciso superar essa prática burocrática e política conciliatória do PT e UJS, resgatando as entidades estudantis para as mãos dos estudantes e batalhando por DCEs e uma UNE que impulsione a auto-organização da juventude, numa concepção de aliança entre estudantes e trabalhadores. É a esse serviço que a esquerda na direção do DCE da UFRGS deveria se colocar. No entanto, elas se adaptam a essas burocracias e à política petista de canalizar para a via da pressão institucional e aliança com a direita e sequer convocam assembleias de cursos nos CAs que dirigem, tampouco aparecem na primeira assembleia presencial na UFRGS de preparação para o dia 9J, como fizeram Afronte/PSOL e UJC, diretamente boicotando esse espaço e não batalhando para que servisse para organizar o movimento estudantil frente aos ataques.

Demos essa batalha enquanto Faísca Revolucionária em todas universidades onde estamos, aprovando em assembleias da UFRGS, UFMG, UFRN e outras, uma exigência para que a UNE convocasse assembleias de base em todas as universidades pelo país. Também, durante toda a pandemia, o DCE da UFRGS, dirigido Juntos, Alicerce, Correnteza e, até há poucos meses, também por Afronte e UJC, não organizaram es estudantes para lutar contra a intervenção bolsonarista e contra o excludente ERE, na prática, deixando com que esse projeto responsável por enorme evasão, passasse sem resistência. Hoje, depois de 3 anos de gestão, esse mesmo DCE encontra-se desgastado e aos pedaços, restando apenas Juntos, Alicerce e Correnteza, o que prova que meras alianças para eleger uma chapa, sem um acordo programático, promovem ainda mais paralisa, o que acaba fazendo coro com a política das burocracias. É também nesse sentido de adaptação ao PT que o PSOL se alia com a REDE de Marina Silva e apoia a candidatura Lula-Alckmin, semeando ilusões de que a extrema-direita será combatida nas urnas, e não com a organização dos estudantes aliados aos trabalhadores, quando já temos exemplos de que a extrema-direita não irá desaparecer depois das eleições, como nos Estados Unidos que, em pleno governo dos democratas, a extrema-direita quer retirar das mulheres o direito ao aborto.

Frente à necessidade de combater o bolsonarismo e a extrema direita desde a UFRGS, é imprescindível fortalecer as entidades estudantis no sentido de impulsionar que es estudantes sejam sujeitos dessa luta. Por isso, frente a esses desafios, defendemos que ocorra, o quanto antes, eleições de DCE na UFRGS, para que se que valorizem os espaços de debates políticos das diferentes posições que se expressam, construindo desde essas discussões pela base a unidade necessária para enfrentar os ataques, elegendo um programa que defenda não uma unidade cega e acrítica a conciliação eleitoral que nos trouxe até aqui, como querem as direções majoritárias da UJS e PT, na qual o PSOL, em particular o Afronte, está totalmente diluído e adaptado. Mas forjando uma unidade na luta pela ampliação das cotas, contra os cortes e pelo fim do filtro social que é o vestibular. Por isso, nós da Faísca batalhamos para que os estudantes sejam sujeitos da política nacional, confiando em suas próprias forças, aliados aos trabalhadores, apontando o caminho para revogar a reforma trabalhista, da previdência, do ensino médio e teto de gastos, por mais verbas para a educação.

Estamos ao lado dos que querem derrotar o Bolsonarismo e a extrema-direita e, por isso, queremos ampliar e democratizar os espaços de discussões, o que um momento de eleições de DCE permite, para que possamos apresentar à juventude na UFRGS um programa realmente consequente para enfrentar de fato os ataques e a direita. Convidamos todes que concordam com essas ideias a conhecer e construir a Faísca Revolucionária na UFRGS, entendendo que essas batalhas estão conectadas com a necessidade de derrubar esse sistema que existe às custas da miséria da maioria. Queremos que a juventude e a classe trabalhadora tenham direito ao futuro livre de miséria, onde o conhecimento, a arte e a ciência estejam à serviço de desenvolver a humanidade em seu mais pleno potencial.




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