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Contra PEC e cortes | Estudantes da UFRGS aprovam exigência à UNE para que construa pela base os atos do 9J

A assembleia geral da UFRGS, que aconteceu nesta terça-feira (31), aprovou a participação no ato nacional em defesa da educação dia 09/06, a construção dessa data através de assembleias por curso e uma exigência à UNE para que o dia 9 seja construído desde as bases e nele se realize uma forte paralisação nacional nas universidades que estão tendo aulas.

Giovana PozziCoordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

quinta-feira 2 de junho | Edição do dia

Aconteceu nesta terça-feira (31) a primeira assembleia geral presencial na UFRGS pós começo da pandemia. Um momento importante para o movimento estudantil e sindical da UFRGS, que está a duas semanas do retorno 100% presencial, e particularmente para os estudantes que há tempos não possuíam um espaço aberto e democrático como uma assembleia geral para expressarem suas opiniões. A assembleia contou com a presença, além de estudantes, da Associação de Terceirizados, do Andes, da Assufrgs e da APG para nos organizarmos contra a reacionária PEC 206, os cortes na educação e os ataques de Bolsonaro e da extrema-direita, representados na UFRGS pelo interventor Bulhões. Infelizmente a importância da assembleia e o tamanho dos desafios colocados não corresponderam à quantidade necessária de estudantes presentes, principalmente por conta de algumas organizações que boicotaram a construção da assembleia.

Foram inúmeras as falas que retomaram a urgência dos estudantes se mobilizarem contra os ataques incessantes à educação pública, contra Bolsonaro, a reacionária PEC 206 e também por justiça a Genivaldo. Além disso, a disposição de luta que os estudantes presentes demonstraram é um importante ponto de apoio para impulsionar um verdadeiro plano de lutas contra a PEC, os cortes e todos os ataques que Bolsonaro, centrão e a direita aplicam contra a juventude e os trabalhadores.

Ainda mais tendo em vista que a UFRGS é uma das universidades mais atingidas pelo novo corte bilionário de Bolsonaro na educação, aprofundando a crise orçamentária histórica das universidades federais que se arrasta desde 2015. Os primeiros a serem atingidos por esses cortes dentro da universidade são os setores mais precarizados, como os cotistas e os terceirizados, que como bem remarcou a representante da Associação dos Terceirizados, são invisibilizados pela reitoria. Particularmente essa reitoria interventora de Bulhões e Pranke que atuam como correia de transmissão do bolsonarismo na UFRGS, reprimindo, perseguindo e criminalizando a luta dos estudantes e servidores, como fizeram com a recente mobilização do Instituto de Artes.

Veja também: Entidades estudantis e sindicais impulsionam moção contra repressão da reitoria

Frente a isso, as intervenções na assembleia tiveram um ponto em comum importante: a necessidade de construir uma forte mobilização no dia 9. Porém, para que isso aconteça, as organizações que estão a frente das nossas entidades estudantis, seja no DCE e nos Centros Acadêmicos da UFRGS ou então na UNE a nível nacional, precisam construir de fato desde as bases, algo que não aconteceu sequer para a própria assembleia geral da UFRGS. Um dos únicos centros acadêmicos que convocou publicamente e construiu entre seus colegas a assembleia geral foi o Centro Acadêmico Dionísio, onde nós da Juventude Faísca Revolucionária estamos presentes junto a independentes. Infelizmente, nem mesmo os centros acadêmicos dirigidos pela oposição de esquerda da UNE, como o CA e das ciências sociais, e os CAs dirigidos pelas organizações que fazem parte do DCE, como o CA da história, convocaram para a assembleia. Como iremos construir uma forte mobilização dessa forma?

Nós da Faísca Revolucionária intervimos na assembleia buscando demonstrar que para enfrentar os grandes desafios que estão colocados ao movimento estudantil e de fato derrubar a PEC 206, os cortes, todos os ataques do bolsonarismo e arrancar justiça por Genivaldo e todos os assassinados na chacina da Vila do Cruzeiro no RJ, precisaremos massificar a mobilização em base a auto organização dos estudantes em aliança com os trabalhadores. Porém a atuação da UNE a nível nacional, através da direção do PT, UJS e Levante Popular da Juventude, que aqui em Porto Alegre atua como "Eu Defendo a UFRGS", é de manter os estudantes na passividade, à espera eleitoral de outubro, alimentando ilusões de que as eleições, a aliança com a direita, como Alckmin, e a pressão institucional é a saída. E por isso o "Eu Defendo a UFRGS" não postou absolutamente nada de convocação em suas redes para a assembleia geral da UFRGS, muito menos construíram nos cursos que estão presentes.

E infelizmente essa prática é seguida pelas organizações que se dizem de oposição de esquerda. O Afronte/PSOL e a UJC diretamente abandonaram a via da mobilização, nem se deram ao trabalho de aparecer na assembleia, com Afronte girado para a atividade da chapa Lula-Alckmin em Porto Alegre, que aconteceu um dia após a assembleia. Já o Juntos/PSOL, Alicerce/PSOL e Correnteza/UP tampouco construíram a assembleia geral em seus cursos, pois também se encontram adaptados à prática política e burocrática do próprio PT e UJS. Isso precisa ser dito para que possamos enxergar os erros e corrigi-los, apostando na estratégia correta que transforme a indignação dos estudantes que se expressou através das redes em mobilização real. Para alcançar esse objetivo, é preciso apostar na auto-organização dos estudantes em unidade com os trabalhadores, não com a direita, com o centrão e Alckmin, ou então semeando ilusões de que o Congresso da reforma da previdência, trabalhista e do teto de gastos estará ao nosso lado. Só a nossa mobilização e organização desde as bases em aliança com os trabalhadores pode colocar a extrema-direita na lata de lixo da história.

Por isso que nós da Juventude Faísca Revolucionária fizemos um chamado na assembleia para que todos os centros acadêmicos construam assembleias de base em seus cursos rumo dia 9, assim como uma moção unificada de chamado ao CPERS, DCE da UFCSPA, da PUCRS e demais entidades estudantis e sindicais da cidade e do estado para se somarem dia 9, transformando essa data num dia unificado de luta contra a PEC 206 e os cortes, em defesa da educação pública e por justiça a Genivaldo e pela Vila do Cruzeiro no RJ. Nós achamos que o Brasil deveria estar parando tudo por essas demandas, contra Bolsonaro, militares, a extrema-direita e todos os ataques, por isso também propusemos uma exigência à UNE a que construa pelas bases o dia 9 e dessa forma construa uma paralisação nacional nas universidades que estão tendo aulas. Essa exigência também está sendo feita pela assembleia geral dos estudantes da UFMG, confira aqui.

Como fruto dessas discussões, foram votados os seguintes encaminhamentos da assembleia geral da UFRGS:

- Estado de Greve;
- 09/06 - Ato nacional em defesa da educação - Faced 17h;
- 13/06 - Plenária unificada (retorno presencial);
- 21/06, às 16h em frente a Prefeitura, aula pública sobre transporte e defesa do TRI Escolar;
- 22/6 Ato expulsão do neonazista Álvaro, na Faced;
- Calendário de panfletagens. As entidades ficarão responsáveis de propor datas.
- Reuniões/assembleias/plenárias por cursos/institutos;
- Exigência à UNE que se construa o dia 09 pela base, por uma paralisação nacional nas universidades que estão tendo aula e atos espalhados por todo país;
- Chamado ao CPERS, DCE da UFCSPA, da PUCRS, e todas entidades estudantis e sindicais do estado e da cidade pra se somarem e construir dia 9.




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