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CONGRESSO DA UNE | CONUNE: Não compactuamos com uma plenária final onde os estudantes não têm voz e voto

Declaração da Juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária.

domingo 18 de julho | Edição do dia

Hoje se encerra o Congresso Extraordinário da União Nacional dos Estudantes, um congresso que poderia ter sido um marco para impulsionar a auto-organização dos estudantes para fortalecer a luta nas ruas contra Bolsonaro e Mourão, rumo à construção de uma greve geral. Diante do nosso ódio a esse governo reacionario, para vingar cada um dos nossos mortos pelo negacionismo e a sede de lucro dos capitalistas, esse congresso que poderia apontar caminhos para superar a fragmentação imposta pela pandemia e o ensino remoto, fortalecendo o papel das entidades estudantis em todo país, para que pudessem ser verdadeiras ferramentas de organização desde a base, buscando construir uma unidade entre os estudantes, a classe trabalhadora e os movimentos sociais.

Mas o que vimos foi um congresso que desde o início estava ainda mais anti-democrático do que nos outros anos, com uma direção burocrática que buscava apenas referendar formalmente suas posições. Um congresso que não elegeu delegados, deixando de fora os ingressantes de 2020 e 2021, justamente os que não puderam ter experiência com o ensino presencial universitário. Um congresso que teve como convidados de honra um deputado acusado de corrupção do MDB, partido que foi um dos grandes articulistas do golpe institucional e aprovou o Teto dos Gastos e a reforma trabalhista junto com políticos do PSB e Rede, partidos golpistas que votaram privatizações, do PDT que privatizou a água no Amapá e apoiou a intervenção das Forças Armadas no RJ, além de reitores, como da UFG que cortou 613 bolsas. Não foram os indígenas que lutam contra Bolsonaro e o agronegócio que tiveram espaço de destaque no congresso, tampouco trabalhadores de diversas categorias que travaram importantes batalhas recentemente, como os da Eletrobrás, Correios, metroviários de SP, operárias da LG. Foram figuras da direita, como do MDB, partido que esteve junto a todos os ataques contra nós até agora.

Enquanto isso, os Grupos de Discussão do congresso eram espaços formais, onde não se podia propor encaminhamentos e resoluções, e acabaram servindo apenas para que a UJS, PT e Levante reafirmassem suas posições enquanto majoritária, assim como as organizações da Oposição de esquerda, que legitimaram o nível de burocratismo do congresso e reforçaram sua unidade em torno da frente ampla com a direita. Nesses espaços houve relatos de estudantes cujas falas foram cortadas, como ocorreu também no Encontro LGBTQI+ . Mesmo com a pandemia e as dificuldades de não poder ser presencial, ao contrário do que defende a UJS, já tivemos exemplos de que seria possível garantir condições democráticas mínimas para articular nacionalmente nossa luta em espaços de discussão online.

Diante desse cenário, nós da Faísca Revolucionária, que juntamente com estudantes de 28 universidades construímos a tese “Transformar nosso ódio em Revolução! Fora Bolsonaro e Mourão”, batalhamos ao longo de todo congresso contra essa política burocrática da direção da entidade (UJS, PT e Levante Popular). Chamando todas as organizações que fazem oposição de esquerda à majoritária para que pudéssemos construir em unidade uma plenária, um espaço em que, apesar das nossas diferenças, poderíamos dar voz aos estudantes para debater como organizar a luta contra Bolsonaro, Mourão e os ataques, e como podemos colocar os estudantes na linha de frente de construir uma greve geral lado a lado com a classe trabalhadora, como parte de superar a burocracia no movimento estudantil que estrangula nossas lutas e nossa organização.

Essa plenária poderia estar em função de fortalecer uma política dentro da UNE para exigir que a direção majoritária organize assembleias de base em todas as universidades do país rumo à construção do dia 24 de julho. Batalhamos até o último minuto pela realização desse espaço, em todos os grupos de discussão onde foi possível ter voz, no Esquerda Diário, nas redes sociais, e em especial nas discussões com os estudantes e as organizações nos cursos e universidades que estamos. No entanto, infelizmente, as correntes do PSOL (Afronte, Juntos, Rua, CST, entre outras), UP/Correnteza, PCB/MUP e PSTU não quiseram levar adiante a construção desse espaço e compactuam com as decisões da majoritária. Politicamente, essas correntes se unificam na defesa do impeachment, que levaria o reacionário general Mourão à presidência, a ponto de apresentarem um "superpedido" de impeachment em Brasília junto a figuras da direita como Joice Hasselmann, Kim Kataguiri e Alexandre Frota, sem qualquer crítica às burocracias sindicais e estudantis petistas por paralisarem a batalha para enfrentar Bolsonaro e seus ajustes nas ruas. Como debatemos nos poucos espaços de debate que ocorreram ao longo do congresso.

Nós seguiremos batalhando para que a UNE construa assembleias de base rumo ao dia 24 e o dia 11, para que os estudantes possam estar na linha de frente de decidir os rumos da luta contra os cortes nas universidades, a privatização dos Correios e todos os ataques, defendendo a necessidade de uma greve geral, onde a classe trabalhadora possa parar o país e atacar os lucros capitalistas, o que em aliança com a juventude e os movimentos sociais pode colocar em movimento a verdadeira força que pode derrotar Bolsonaro, Mourão e os ataques.

E justamente por isso, não compactuamos com essa plenária final, que será a última atividade do Conune e deveria encaminhar os debates do Congresso. Porém, a plenária final que supostamente deveria aprovar as resoluções políticas do Congresso e eleger a nova gestão da Diretoria da UNE para o próximo período, não terá a participação dos estudantes com direito a voz e voto, e organizações que não compõem a diretoria não poderão apresentar e defender suas teses e propostas. Ou seja, depois de um congresso ultra burocrático, a plenária final vai servir apenas para deixar público um acordo de gabinete sobre a divisão dos cargos entre organizações. Não aceitamos compactuar com esse espaço que na prática é somente para referendar a linha política da majoritária, inclusive a defesa de alianças com a direita. Seguiremos batalhando dentro da UNE por nossas posições e concepções, e para que essa e as demais entidades estudantis possam ser ferramentas de luta e organização dos estudantes nacionalmente. Por isso, estaremos em todas as universidades defendendo um movimento estudantil democrático, que impulsione a auto-organização dos estudantes, a aliança com os trabalhadores e os setores oprimidos e explorados por esse sistema, com uma política de independência de classe. Essa é a aliança que defendemos para a UNE e todas as entidades, essa batalha que seguiremos dando apesar desse congresso extremamente burocrático, que apenas serviu para referendar uma nova direção burocrática.

É cada vez mais urgente organizar a luta contra Bolsonaro e Mourão, e por isso, chamamos a todas organizações da esquerda, as entidades estudantis e sindicais que eles dirigem, como os DCEs da UFMG, UFRJ, UFRGS, UFRN, a CSP-Conlutas, entre outros, para conformarmos um Comitê Nacional pela Greve Geral, onde possamos exigir das centrais sindicais como a CUT e CTB, e da UNE, todas dirigidas majoritariamente pelo PT e PCdoB, que convoquem uma paralisação nacional e construam um plano de lutas organizado desde a base. Nossa aposta tem que estar na luta de classes e na auto-organizacao de trabalhadores e estudantes ao invés de apostar na estratégia eleitoral de desgastar Bolsonaro para fortalecer Lula em 2022, em atos dispersos que tem como objetivo pressionar a cpi ou o congresso pelo impeachment enquanto a classe trabalhadora sofre com a fome, o desemprego e os ataques implementados por Bolsonaro, Mourão, mas também pela direita, como o PSDB, que defende o mesmo programa econômico de defesa dos capitalistas. Esse é o chamado que fazemos, essa é a unidade necessária nesse momento. E essa é a política que estaremos defendendo nas ruas, nos locais de trabalho e estudo de todo país.




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