Sociedade

DESIGUALDADE NA PANDEMIA

Pandemia piorou de forma expressiva o mercado de trabalho para jovens, negros e mulheres

Pesquisa do IPEA apresenta dados de uma realidade que é visível em todo o país, a de que a pandemia aprofundou as desigualdades, piorando o mercado de trabalho principalmente para jovens, negros e mulheres.

terça-feira 18 de maio| Edição do dia

Foto: Alma Preta

A pesquisa do IPEA, baseada nos dados da PNAD contínua do IBGE no período de 2012 a 2020, mostrou por meio desses indicadores que a pandemia aprofundou as desigualdades, piorando os índices de ocupação entre jovens, negros e mulheres.

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Antes da pandemia, no segundo trimestre de 2019, a taxa de ocupação entre as mulheres era de 46,2%, enquanto a dos homens era de 64,8%. Para o mesmo período em 2020, em meio à pandemia, a taxa de ocupação entre as mulheres havia caído para 39,7% e a dos homens caiu para 58,1%. Embora as diferenças entre as porcentagens entre homens e mulheres tenham praticamente se mantido, se manteve também a tendência das mulheres estarem mais suscetíveis a passar da condição de ocupada para inativa e com mais dificuldades para retornar à condição de ocupação.

Quando são considerados os indicadores por raça, a pesquisa revela uma desigualdade ainda maior entre negros e brancos, agravada pela situação da pandemia. Entre os negros, a taxa de ocupação caiu de 55,1% em 2015 para 45,9% em 2020 e entre os brancos caiu de 57,5% em 2015 para 51,2% em 2020. Reforçando a tendência à maior transição para o desemprego entre a população negra.

Em relação à faixa etária, a pesquisa comparou grupos de 19 a 29 anos e de 30 a 59 anos, e identificou que a ocupação entre os mais jovens caiu de 64,7% em 2015 para 52,4% em 2020, enquanto o grupo mais velho teve a taxa de ocupação reduzida de 72% em 2015 para 64,7% em 2020.

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Os indicadores mostram como a pandemia e a política negacionista de Bolsonaro de um lado e a demagogia de governadores por outro afetaram o conjunto da população mas principalmente os grupos que historicamente estão nos principais cruzamentos entre opressão e exploração, como os jovens, negros e mulheres.

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