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25 de Julho | Insegurança alimentar é maior entre mulheres negras, que ocupam os postos mais precários de trabalho

No Brasil de Bolsonaro, onde a fome avança, lares chefiados por mulheres negras são os mais vulneráveis. Pesquisa aponta que a cada 10 famílias chefiadas por pessoas negras 6 estão em algum nível de insegurança alimentar. Enquanto o lucro dos capitalistas cresce, a crise é lançada nas costas dessas mulheres, que ocupam os postos mais precários de trabalho.

segunda-feira 25 de julho | Edição do dia

Imagem: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Em pesquisa feita pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), entre famílias chefiadas por homens, independente da raça, o índice de insegurança alimentar é cerca de 54%, enquanto em lares chefiados por pessoas brancas, é de 46%. Mesmo com a queda na taxa de desemprego - que é a menor desde 2016, mas impulsionada pela redução dos salários e a precarização do trabalho - essas famílias vivem assoladas pela fome.

Efeito da precarização da vida da classe trabalhadora, que se aprofunda desde o golpe institucional, que abriu caminho para ataques mais profundos, como o teto dos gastos, reforma da previdência e trabalhista. Mas que se deu início ainda no governo Dilma com a PL 4330, conhecida como lei da terceirização, que regulamenta e amplia a precarização dos postos de trabalho. Com isso as mulheres negras, que já ocupavam os piores postos de trabalho, foram empurradas cada vez mais para a precariedade, sem nem saberem se vão ter como colocar comida nos pratos de seus familiares, que dependem delas.

Uma realidade que assola, por exemplo, as trabalhadoras dos Restaurantes Universitários das universidades públicas do país, como Unicamp e UFRGS, que, após trabalharem a pandemia toda sob a ameaça do vírus, agora se veem em uma situação de sobrecarga de trabalho com o retorno presencial sem contratação de mais trabalhadores, além das ameaças de demissão tão características da terceirização.

Leia mais: Unicamp planeja demissão de 330 terceirizadas do R.U: é preciso organizar a luta por nenhuma família na rua

Para enfrentar os inúmeros ataques, que Bolsonaro e sua corja de extrema direita preparam contra a nossa classe, precisamos confiar nas nossas forças apenas com uma perspectiva de independência de classe. Precisamos lutar pela revogação integral de todas as reformas, como a trabalhista e da previdência, redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução salarial, em uma luta unificada de empregados e desempregados. para que nenhuma família sofra com a insegurança alimentar é essencial a luta pela expropriação das grandes empresas do agronegócio, colocando sob gestão dos trabalhadores e do controle popular, junto a uma reforma agrária radical.

Não será nos aliando com a direita, como faz o PT em sua aliança com Alckmin e outras figuras da direita tradicional historicamente inimigas dos trabalhadores, que iremos encontrar uma saída para essa crise e para enfrentar a extrema-direita. Como o próprio ex-presidente disse em encontro com Rodrigo Pacheco, a campanha da chapa Lula-Alckmin, não é de esquerda e não vai estar a serviço de enfrentar e desmantelar a gama de ataques que assolam a nossa classe. Somente através da auto-organização da nossa classe, lutando de maneira unificada através dos nossos métodos, como as greves e mobilizações, e em aliança com a juventude, a mulheres, LGBTQIAP+, os indígenas e o povo negro, é que será possível reverter os ataques, varrer o bolsonarismo do mapa e impor uma saída onde sejam os capitalistas, e não nós, os que paguem pela crise. Nesse caminho, é preciso que os sindicatos rompam com a paralisia eleitoreira de suas direções petistas e organizem planos de luta que busquem responder à calamidade que nossa classe vive hoje.

Leia também: Enfrentar o bolsonarismo e a direita na luta de classes para revogar as reformas e ataques




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