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Independência de classe | Enfrentar o bolsonarismo e a direita na luta de classes para revogar as reformas e ataques

Para combater Bolsonaro, sua retórica golpista, a extrema-direita e os militares, é preciso organizar a força dos trabalhadores, das mulheres, negros, indígenas, da juventude e LGBTQIAP+ pela revogação das reformas e ataques, sem sucumbir à conciliação petista, que se alia com nossos inimigos de classe.

segunda-feira 25 de julho | Edição do dia
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A situação econômica dramática da classe trabalhadora e do povo pobre no Brasil emana do programa ultraliberal capitalista de Bolsonaro e Guedes. Fome, miséria, desemprego já atravessavam o país antes mesmo da alta internacional da taxa de inflação com a guerra na Ucrânia. A crise internacional agrava os efeitos da pandemia no Brasil, que puderam causar estragos pela tremenda irracionalidade capitalista, e pelos ataques impostos pelas reformas aplicadas desde o golpe institucional. A reforma trabalhista e a reforma da previdência, por exemplo, transformaram a vida da população trabalhadora num inferno, com retirada de direitos, facilidade de demissões, baixos salários, rotatividade e precarização do trabalho. Bolsonaro e Guedes atenderam aos interesses da patronal brasileira, dos grandes financistas e industriais: prova disso é o “apelo democrático” da FIESP, que ao pretender-se defensora do direito do sufrágio no país, tem o mesmo programa de reformas e ataques que Bolsonaro . Estes cínicos industriais assinam embaixo de tudo o que foi feito desde Temer até Bolsonaro.

Esse dado é importante, porque não podemos separar a política da economia. Apesar das divergências entre segmentos da burguesia brasileira e internacional com o questionamento dos procedimentos eleitorais feito por Bolsonaro, apoiam seu programa econômico integralmente. Ao contrário do que diz Reinaldo Azevedo, não estão interessados em enfrentar Bolsonaro. Querem preservar seu legado econômico, e disciplinar a dócil e pró-empresarial chapa Lula-Alckmin a administrar os maiores ataques realizados em décadas contra a população trabalhadora.

Sem dúvida, devemos enfrentar toda e qualquer ameaça golpista ou bravata autoritária da extrema direita. Algo que, ademais, exige enfrentar-se contra os falsos portadores de credenciais “democráticas” em instituições autoritárias como o Supremo Tribunal Federal, o TSE e demais frações do Judiciário brasileiro, primeiro violino do golpe institucional de 2016. É necessário estar na linha de frente desse combate na luta de classes, única maneira de enfrentar verdadeiramente a extrema direita, e não com a conciliação de classes petista.

Entretanto, tão importante quanto esse combate independente contra a política da extrema direita é a batalha por derrotar e revogar todas as reformas econômicas, todos os ataques ultraliberais do governo. A política é “economia concentrada”.

Na reunião com os embaixadores, Bolsonaro questionou os procedimentos eleitorais com sua retórica golpista contra as urnas eletrônicas e atacou também ministros do STF, como Fachin, Barroso e Moraes, escancarando uma disputa entre as alas da burguesia que, sim, existe, embora comunguem do objetivo econômico de atacar os trabalhadores. .

O discurso golpista de Bolsonaro expressou sua situação difícil, em um cenário eleitoral que aponta para sua derrota, sendo responsável pelas terríveis condições de vida das massas. Entretanto, a extrema direita, mesmo com a eventual derrota de Bolsonaro, seguirá existindo enquanto corrente, e isso fica claro num Brasil em que uma mulher grávida é estuprada durante seu parto, em que militantes opositores são perseguidos e até mesmo assassinado por bolsonaristas, como aconteceu com o petista em Foz do Iguaçu, ou então com o pré-candidato à presidência, Leonardo Péricles (UP), que sofre ataques racistas repugnantes. Esses episódios estarrecedores são fruto da militância bolsonarista que se inflama e coloca suas mangas de fora, mostrando que não irão desaparecer após as eleições, independente do seu resultado.

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Tampouco irão desaparecer os militares que se fortaleceram no regime do golpe institucional. Nem as milícias, nem o agronegócio e nem a violência policial, que acaba de matar 18 no Complexo do Alemão. Quando se trata de privatizar e destruir nossos direitos, Bolsonaro não está sozinho, o Judiciário, a direita, o centrão, os golpistas de 2016 e os patrões estão unificados com ele para impor uma vida de miséria e fome às massas trabalhadoras, oprimidas e pobres, com a inflação, a reforma trabalhista, a reforma da previdência, o teto de gastos, a lei da terceirização irrestrita e as privatizações da Eletrobras e da Petrobrás. O combate ao Bolsonaro, ao bolsonarismo e à direita deve ser independente do STF e do conjunto do Judiciário, e tem que ser pela luta de classes, com a unificação dos trabalhadores com os setores oprimidos e o povo pobre, com os métodos da classe trabalhadora, de greves e paralisações, para revogar as reformas e ataques. Afinal, mesmo com suas disputas, as alas da burguesia estão unificadas em nos atacar para salvar os lucros dos capitalistas na crise.

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Um ponto de apoio fundamental para essa permanência da extrema direita enquanto corrente e para a persistência dos militares e outras instituições bonapartistas na política é a agenda de ataques econômicos realizada. Os privilégios dos militares, dos magistrados e dos políticos do regime estão fundados nos serviços prestados para os grandes banqueiros e empresários, como aqueles que na FIESP que, já tendo sido muito bem atendidos pelas contrarreformas ultraliberais que empobrecem milhões de pessoas, exigem flexibilização das normas trabalhistas e diminuição dos custos da força de trabalho (!).

Nossa batalha contra Bolsonaro e suas chantagens golpistas deve andar lado a lado com a luta por revogar todos os ataques e reformas.

Por isso, é necessário defender em primeira linha a revogação integral de todas as reformas, como a trabalhista e a previdenciária, a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais (6 horas, 5 dias na semana), sem redução salarial, no marco de uma luta unificada de empregados e desempregados. Contra a fome, é decisivo lutar pela expropriação de toda grande empresa do agronegócio, colocando-as sob gestão de trabalhadores e do controle popular, junto com a reforma agrária radical, para colocar essa capacidade produtiva a serviço da produção de alimentos saudáveis para toda população. Um programa assim significaria um enfrentamento direto com os lucros de grandes empresários batalhando por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

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Estão sendo convocadas reuniões em diversas cidades pelo país para chamar manifestações contra o discurso golpista de Bolsonaro, assim como são chamadas manifestações no dia 11 de agosto contra os ataques na educação. A realidade é que a retórica golpista de Bolsonaro se eleva, mas não há uma unidade da burguesia, nem apoio do imperialismo para que isso ocorra, como pudemos ver com Biden soltando posição em suposta “defesa da legalidade democrática (um cinismo enorme vindo do imperialismo estadunidense, com a ampla história de golpes organizados na América Latina).

É necessário se enfrentar na luta de classes contra nossos inimigos, por uma saída unificada dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, das LGBTQIAP+ e do povo pobre, e não sucumbirmos à conciliação de classes. Enfrentar o bolsonarismo e a extrema direita anda lado a lado com a revogação de todas as reformas e ataques, e essa precisa ser uma bandeira central de todas as manifestações, exigindo das centrais sindicais um plano de luta com greves e paralisações para realmente derrubar a reforma trabalhista, da previdência e todos os ataques.

A chapa Lula-Alckmin, à qual se adapta plenamente o PSOL-REDE, não defendem a revogação das reformas que vieram a partir do golpe institucional de 2016, pelo contrário: se propõe a preservar e administrar esse legado de ataques. A saída de conciliação, eleitoral e institucional, defende que para Bolsonaro não vencer as eleições será necessário se aliar com a direita, golpistas e patrões, como é Alckmin, um tucano revestido de PSB. Dessa forma o PT nos propõe um único caminho conciliar com nossos inimigos de classe, que historicamente sempre fortaleceram os setores mais reacionários e que estão unificados em nos atacar. Conciliar e se propor a administrar o capitalismo já foi o que vimos durante os 13 anos de governo do PT. Foi isso que o PT fez quando deu espaço às Forças Armadas com a ocupação do Haiti, comandada por Lula com Augusto Heleno e militares que hoje estão na cúpula bolsonarista. Quando ajudaram o lobby da mineração e os magnatas da soja e do agro, hoje aliados de Bolsonaro, a enriquecerem às custas da fome enquanto traziam a bancada ruralista para base do seu governo. Quando enviaram uma carta ao povo de deus da bancada evangélica, hoje base importante do bolsonarismo, prometendo que o aborto não seria legalizado.Também quando potencializou o judiciário que a partir disso se sentiu um “poderoso partido” para fazer todo o tipo de autoritarismo. Tudo isso também fortaleceu o centrão, atual base de sustentação do governo Bolsonaro.

Levantar um programa de enfrentamento com os empresários e patrões por uma saída proletária dessa crise exige avançar na auto-organização da nossa classe para superar as direções burocráticas dos sindicatos e impor que organizem a luta, unindo o conjunto dos trabalhadores, empregados e desempregados, efetivos e terceirizados, e movimentos sociais contra todos os ataques em curso e para se preparar para os combates que virão depois das eleições de outubro. Por isso, também são importantes as iniciativas de agrupar os setores de vanguarda que rechaçam a conciliação, como no Polo Socialista Revolucionário, em que o MRT debate suas posições políticas, incluindo divergências, em debate com todas as correntes que o constroem, lançando suas candidaturas estaduais, e apoiando na eleição presidencial a companheira Vera Lúcia.

Somente uma perspectiva de independência de classe é que pode preparar os combates do futuro, em cada greve, em cada eleição sindical, em cada luta estudantil, com um programa dos trabalhadores, o que também não fazem as candidaturas que se separam de maneira meramente organizativa do petismo mas com programas bastante semelhantes, como as correntes stalinistas do PCB e da UP - esta última em chapa com as burocracias do PT e do PCdoB e com o PSB nas eleições do sindicato de metroviários em São Paulo - com Sofia Manzano e Leonardo Péricles.

O Esquerda Diário se coloca como instrumento para levar a voz dos trabalhadores em todo o país e retomar o marxismo como ferramenta da nossa classe, com entrevistas, debates com outras organizações da esquerda, análises, estudos teóricos e todo o arsenal que precisamos para afiar também, as armas da crítica como parte da luta por construir uma ferramenta política dos trabalhadores, um partido revolucionário, que esteja a serviço de todas essas batalhas.




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