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Porto Alegre | Funcionário da ZH está ajudando o prefeito a privatizar a Carris, não a greve

Resposta ao texto de Jocimar Farina, funcionário da Zero Hora que vem demonstrando sua fidelidade canina aos ricos da cidade.

sábado 4 de setembro | Edição do dia

Jocimar Farina é especialista em concreto da Zero Hora. Sim, concreto. Escreve basicamente sobre concreto, obras, pontes, condomínios, construtoras, pedágios, rodovias, coisas tão frias quanto a frieza com que ataca a vida dos rodoviários da Carris. Em texto miúdo e incolor, o jornalista da Zero Hora abusa da nossa inteligência para tentar justificar a nefasta privatização da Carris. Atua como pet dos ricos da cidade, fazendo o trabalho ideologico e sujo que a ATP terceiriza e que Melo e o bolsonarismo tanto aplaudem.

O texto chama “Funcionários da Carris estão ajudando o prefeito a privatizar a empresa” e é um acinte a quem movimenta e constrói a cidade todos os dias. A argumentação é tão rasteira que Farina sequer menciona os motivos da greve. Seu intuito é esboçar uma justificativa para quem já está contra a greve, para a turma da lacração bolsonarista que odeia trabalhador e direito trabalhista. No fundo, seu objetivo é, simplesmente, ajudar a privatizar a Carris. Curto e grosso, como a coleira apertada em seu pescoço. Se quiseres ler o texto, aperte o nariz e clique aqui.

O mais próximo que Farina chega de um argumento é no final, onde diz que a greve “pune o usuário” pois supostamente o usuário de transporte público procuraria “outra opção de transporte” como “bicicleta, compartilha viagens com moradores do mesmo bairro ou colegas de trabalho”. Acontece que a sua argumentação bate de frente com a cobertura do seu próprio jornal, a de que a greve teria sido fraca e de baixo impacto. A greve pune o usuário ou ela não impactou os usuários? Difícil questão para um pet de rico, que escreve mal, responder.

A questão é que Farina não arranha a língua portuguesa para pensar como resolver o problema do transporte público, ele atua para quebrar a greve dos rodoviários e, de tabela, engambelar alguns incautos. A greve atrasa tudo, de fato. E a depender de Melo, vai atrasar ainda muito mais a cidade na próxima semana caso outras garagens entrem junto. Isso não é punir usuário nenhum, isso é mostrar a força dos trabalhadores quando eles decidem tomar em suas mãos o controle do transporte. Senhor Farina não sabe, ou conscientemente esconde, mas a quantidade de usuários que apoia a greve não é pequena. Pelo contrário, na verdade, e quem anda de busão sabe muito bem.

O texto termina com a máxima, despropositada, de que “as manifestações não ajudam os rodoviários. Neste momento, só atrapalham.” E assim acaba o texto, como quem não quer nada. Qual alternativa, então, do alto de seus privilégios, o senhor Farina propõe para “ajudar os rodoviários”? Melhor mesmo seria não fazer nada, não é mesmo? Receber o açoite no lombo quietos, como bons explorados, não é mesmo, senhor Farina? Farina fareja prestígio da ATP e mostra sua fidelidade canina com os ricos da cidade.

Acontece que a greve é a única, e poderosa, arma às mãos dos trabalhadores. Acordos parlamentares com a direita, acordos com a justiça, crenças na benevolência de Melo, ilusões na Câmara, convencimento de vereadores – tudo isso já caiu por terra e os trabalhadores perceberam. A situação toda está desencantada e agora os trabalhadores foram pro pau em defesa dos seus direitos. Estão absolutamente corretos, como afirmou um usuário do transporte que humilhou Melo e a RBS ao vivo

Na sexta-feira, vimos uma cena maravilhosa e muito expressiva da situação. Um grupo de 5 mulheres, voltando do trabalho, passou pela assembleia dos rodoviários na Rua Albion, aplaudiram e disseram “tem que parar toda a cidade, toda as empresa, pra apoiar vocês”. Toda a categoria foi à loucura. Acontece que tem muito trabalhador, sentindo na pele os efeitos da crise criada pelo regime político, que vê na greve uma saída. “Tem que parar tudo”, disseram essas mulheres. E tem que parar tudo mesmo!

Evidentemente Farina não tem tato para ouvir pessoas reais, assalariadas, que estão sofrendo com o quilo da carne nas alturas. O seu negócio é concreto e merchandising barato. Pois nós vemos nessa greve uma oportunidade de barrar um ataque brutal que vai levar milhares à demissão, com a privatização e o fim do cobrador. E vamos além, é preciso tornar a greve uma grande causa popular de toda Porto Alegre, um ponto de apoio para resistir aos ataques de Bolsonaro, Leite, Melo, o Congresso, o STF... uma luta a dar esperança diante da difícil situação em que nos encontramos. A aliança entre a Carris, os rodoviários das empresas privadas, os usuários e demais categorias pode virar uma pedra no sapato de todos aqueles que estão nadando em rios de dinheiro enquanto a miséria cresce.

- Leia mais: E se a sua profissão fosse simplesmente extinta? É o que pode acontecer com os cobradores

Os bolsonaristas estão se movimentando para o 7 de setembro. Em Porto Alegre esse 7 de setembro deveria virar um grande grito contra Bolsonaro e também contra a privatização da Carris e a extinção dos cobradores. Ao longo desse fim de semana vamos fortalecer o piquete da Carris e ajudar a ampliar essa greve para, na segunda-feira, marchar até a Câmara Municipal de Porto Alegre. Será que Farina vai gritar junto da malta do parcão? Ou, como bom pet, ficará em sua casa, no ar condicionado, tranquilo, coleira no pescoço, escrevendo sobre alguma rodovia a ser privatizada e qual a melhor forma da ATP seguir lucrando em cima da população e dos trabalhadores. Melhor se ater ao concreto, Farina, pois da vida do trabalhador o senhor não conhece nada.




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