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O Estado é responsável | Flavia Valle: "em MG é preciso lutar por Justiça por Bruno e Dom e enfrentar a mineração predatória"

Hoje haverá uma manifestação na Praça Sete em BH por Justiça por Dom e Bruno às 17h. A professora e pré-candidata a deputada federal Flavia Valle, do MRT, disse ao Esquerda Diário como em MG essa luta se liga também ao combate à mineração predatória, que no momento avança contra a Serra do Curral.

segunda-feira 20 de junho | Edição do dia

O Esquerda Diário procurou Flavia Valle, que é professora da rede estadual de MG e pré-candidata a deputada federal do MRT pelo Polo Socialista e Revolucionário, para saber sua opinião sobre o repugnante assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips.

ED: Flavia, hoje haverá uma manifestação em Belo Horizonte por Justiça por Dom e Bruno. O que você tem a dizer sobre a importância dessa luta?

FV: Bom, em primeiro lugar quero convocar todas, todos e todes a estarem na manifestação de hoje às 17h na Praça Sete. Às 16h30 haverá uma oficina de cartazes no mesmo lugar. Isso é fundamental porque o assassinato brutal do jornalista e do indigenista são expressão dos quase quatro anos de um governo que fez campanha dizendo que iria acabar com o ativismo no Brasil e que se dependesse dele, não haveria um palmo de terra indígena no país. O Brasil de Bolsonaro, dos militares, dos ruralistas, que são os principais responsáveis por esse crime, vive hoje um regime fruto do golpe institucional pelo qual são responsáveis também o Congresso, o STF, o centrão e a direita de conjunto. Temos a expressão disso em MG com o governador Romeu Zema, que é o melhor amigo das mineradoras e o queridinho da patronal organizada na FIEMG, contra quem lideranças de indígenas, de atingidos por barragens, de direitos humanos e ambientais se enfrentam dia após dia. Esses atores construíram o país que mais mata ativistas ambientais do mundo.

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Por todos esses motivos, precisamos denunciar que o Estado é responsável. E justamente por isso, lutamos por uma investigação independente, sem nenhuma confiança na Polícia Federal e em nenhuma polícia, que é a instituição que protagonizou recentemente a chacina da Vila Cruzeiro e o assassinato com inspiração nazista de Genivaldo. É um grande ponto de apoio para uma investigação independente que os indígenas do Vale do Javari tenham sido os mais consequentes em buscar garantir o aparecimento de Dom e Bruno com vida, e os que tomaram a frente de buscar as pistas que levaram a encontrar seus corpos. O Estado deve garantir todas as condições materiais e de segurança para a mais segura investigação independente, composta por familiares das vítimas, representantes dos povos indígenas, de ativistas ambientais e dos direitos humanos, da esquerda, etc.

ED: Pelo que você diz, a conquista de Justiça por Bruno e Dom e de uma investigação independente só pode ser feita por via da luta, certo?

FV: Exatamente! Diante dessa barbárie tem quem esteja defendendo "fazer Justiça em Outubro", remetendo à estratégia institucional de supostamente responder as demandas das maiorias populares pela eleição de Lula e Alckmin. Mas basta lembrar que o "dono da boiada" Ricardo Salles chegou à política pelas mãos de Geraldo Alckmin; basta retomar os dados de crescimento da devastação ambiental e o fortalecimento da bancada do boi, da bala e da bíblia nos governos do PT; basta olhar para o programa e as alianças que PT e Lula têm para essas eleições. É possível conquistar direitos para os povos originários e avanços nas pautas ambientais por exemplo ao lado de Alexandre Kalil, que é de um partido do centrão que foi base do governo Bolsonaro em todos os ataques que ele passou e que o sustentou até aqui? A classe trabalhadora, os setores oprimidos, a esquerda, os sindicatos e as entidades estudantis devem dizer veementemente que não! Por isso também temos discutido em cada local de trabalho e estudo que, como disse meu camarada Marcello Pablito, a UNE e as Centrais Sindicais devem convocar grandes mobilizações por Justiça.

Nós, socialistas e revolucionários, devemos batalhar para que os trabalhadores, organizados em seus sindicatos, levantem as bandeiras dos povos indígenas e da defesa do meio ambiente. Isso é diferente do que as direções sindicais do PT e do PCdoB fazem, e a minha categoria é um exemplo, pois nosso sindicato tenta nos fazer confiar no STF que está sentado em cima do direito do nosso reajuste salarial, mas é o mesmo STF contra quem a marcha de dez mil indígenas teve que se enfrentar no ano passado para impedir o ataque do marco temporal, é o mesmo judiciário que permite com que a Vale assassina siga impune e não tenha pagado nada nem perto do reparo necessário pelos seus crimes em MG.

ED: E falando nisso, como você vê a ligação da luta por Justiça por Dom e Bruno com as frequentes lutas contra a mineração predatória em MG?

FV: Em MG é preciso lutar por Justiça por Bruno e Dom e enfrentar a mineração predatória. MG tem uma ferida aberta que é incurável no capitalismo, porque a ganância dos donos da mineração assassinou quase 300 trabalhadores em duas cidades, poluiu irremediavelmente dois rios, causou um impacto ambiental, humano e cultural que a Vale até hoje não chegou nem perto de reparar. Aliás, não só essa, mas também outras mineradoras seguem tendo lucros recordes dia após dia, e Bolsonaro e Zema seguem flexibilizando tudo o que elas pedem. O ataque à Serra do Curral aprofunda essa situação.

Zema ter a cara de pau de colocar a prima do chefe da mineradora Tamisa no órgão público que define sobre a mineração é expressão do que os revolucionários disseram ao longo da história: o Estado é o balcão de negócios da burguesia. Isso tem toda semelhança com os assassinatos de Dom e Phillips que, repito, o Estado é responsável. Portanto vejo como lutas indissociáveis, que devem ser feitas com os trabalhadores tomando em suas mãos, se organizando em seus sindicatos, sem confiança no regime nem nas eleições. Isso também significa não ver em Kalil "o menos pior" nessas eleições, pois ele é um político de direita independente da demagogia que faça quando fala da Serra do Curral pensando apenas nas eleições. Não podemos perder o princípio da independência de classe nas eleições, é isso que temos discutido no Polo Socialista e Revolucionário e minha pré-candidatura busca fortalecer essa alternativa.

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