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Precarização da saúde | Flavia Valle: "A tragédia na Santa Casa de BH é a mostra de que Kalil não foi exemplo na pandemia"

Na última terça, em cenas de guerra, um grande incêndio na Santa Casa de BH deixou três mortos e ao menos 25 trabalhadores hospitalizados. Flavia Valle comentou ao Esquerda Diário como esse caso desmente a falácia de que Alexandre Kalil foi um exemplo no combate à pandemia.

quarta-feira 29 de junho | Edição do dia

"Me solidarizo com as famílias das três vítimas fatais no incêndio na Santa Casa de BH e desejo força a todos e todas as trabalhadoras hospitalizadas, que trabalharam bravamente na transferência dos pacientes mesmo correndo risco de vida. A direção da Santa Casa tem a coragem de dizer que ’acha’ que o sistema de segurança falhou e, segundo denúncias de trabalhadores da saúde, está escondendo a real gravidade da situação. É urgente uma séria investigação desse incêndio e a divulgação de todas as informações, sobretudo para as famílias envolvidas.

Mas não temos dúvida de esse incêndio é criminoso porque poderia ser evitado se não fosse a enorme precarização da saúde. Enquanto alas do regime degradado que vivemos diziam que, diante do indubitável fato de que Bolsonaro foi um verdadeiro genocida na pandemia, o então prefeito Alexandre Kalil (PSD) foi um exemplo de combate à COVID. Isso é uma mentira que as trabalhadoras da saúde nesse momento já denunciavam ao Esquerda Diário, que sempre recebeu inúmeras denúncias também dos ataques de Romeu Zema à saúde.

Dentre as denúncias que escancaram essa mentira, estão a de falta de EPIs, falta de contratações, um adicional de insalubridade irrisório, além de que vários trabalhadores até hoje não receberam o adicional de combate à COVID. Eu já li denúncias de trabalhadoras negras contando como eram tratadas pelas chefias da Santa Casa com muito racismo, e de como inclusive "dormiam como porcos" amontoados nas salas de descanso para as que estavam de plantão, enquanto Kalil fazia demagogia de preocupado com as aglomerações.

Eu sou professora da rede estadual e lutamos contra o retorno inseguro de Zema ao mesmo tempo que as trabalhadoras da rede municipal lutavam por vacinas, enquanto Kalil acelerava o retorno presencial para cumprir com as vontades da patronal do ensino privado em BH. Kalil cortou o ponto dessas trabalhadoras em greve e até hoje elas não receberam o que ele não pagou para puní-las por lutar pelas vidas de seus estudantes, suas famílias e as suas próprias vidas.

Kalil, que governou BH por mais de 6 anos, saiu a prefeitura para concorrer ao governo do estado deixando o legado de precarização e desmonte que essa semana deixou três mortos e mais de 25 feridos em um incêndio em um hospital filantrópico, ou seja, de parceria público privada, escancarando também a enorme contradição de que o sistema de saúde não seja completamente público, gerido pelos trabalhadores do SUS.

É com Kalil que vamos derrotar a extrema direita genocida, negacionista, os seus ataques e defender o SUS enquanto lutamos para conquistar avanços na saúde pública que não foram implementado nem mesmo nos governo do PT? Jamais. Lula, que parece simpatizar com espancadores de professores, se alia com Kalil como pré-candidato ao governo do estado de Minas Gerais. Será que para governar o estado Kalil se inspira mais em Fernando Pimentel (PT) que enquanto governador de MG deixou os trabalhadores sem reajuste salarial, ou em Zema, o carrasco que quer retirar até mesmo as ajudas de custo dos trabalhadores que batalham desde o governo anterior pela incorporação delas no seu salário? Diferente do que propõem Lula e o PT, essas eleições exigem dos trabalhadores, oprimidos e da esquerda nos manter com independência e classe e, por isso, não tecer nenhum elogio a Kalil como bom prefeito na pandemia."




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