Educação

PRECARIZAÇÃO DO ENSINO

Estudantes da UERJ relatam a precarização do Ensino Remoto Emergencial

Estudantes da UERJ relatam as dificuldades consequentes do excludente e racista Ensino Remoto, implementado de forma autoritária pela reitoria de Ricardo Lodi evidenciando a conivência com o governo e seu projeto que carrega em seu cerne o caráter da lógica capitalista de precarizar ao máximo a educação, que em meio a crise econômica e política agravada pela crise sanitária, afetou de conjunto as condições de vida da classe trabalhadora, e na UERJ, sobretudo as estudantes negras, pobres e trabalhadoras.

segunda-feira 19 de outubro| Edição do dia

Reproduzimos alguns relatos dos estudantes:

"Olá, Boa tarde! Meu nome é Roberta, e sou estudante do curso de pedagogia da Uerj. Vim falar um pouco sobre as minhas impressões, com relação ao Ensino remoto. Então, com base nos meus estudos, tenho percebido que, estamos tendo muitos textos para serem lidos, levando em consideração que a maioria de nós puxamos mais de duas matérias, entendo que no momento das inscrições, a sugestão era que puxassemos entre duas, ou três matérias, porém, muitos de nós ficamos preocupados, com relação ao atraso da graduação. Sobre as atividades assincronas, que são publicadas nos fóruns, para serem realizadas, com base na leitura dos textos, um fator que tem me incomodado e provavelmente provoca um desconforto em outras pessoas também, é que essas atividades são respondidas, de maneira que todos os inscritos da disciplina têm acesso às respostas, e não apenas o professor, o que pode provocar um desconforto no momento da publicação das respostas no fórum. Outro fator que considero importante falar é que estamos vivendo uma pandemia, e com isso, quase ninguém está com a saúde mental 100%, levando em consideração todo esse contexto, junto ao isolamento social, que é um desafio para todos nós. Também precisamos pensar que as pessoas têm outras responsabilidades, e não apenas o ensino remoto. Muitos precisam trabalhar, cuidar dos filhos, da casa, tentar manter a saúde mental, e se concentrar no ensino à distância, mesmo com várias outras responsabilidades. Logo, diante do cenário que estamos vivendo, e dos desafios, com relação a internet de qualidade, podemos perceber que o ensino à distância não é nada inclusivo e acessível."

Também relata a estudante de Serviço Social, Clarice: "Eu tranquei o curso, pela inacessibilidade mas também uma coisa que me fez trancar foi o conteúdo da minha matéria porque é um conteúdo muito interessante para mim, pra estudar sobre gênero e sexualidade, sobre democracia racial. a matéria do meu período é antropologia. ter antropologia à distância é horrível. no começo do período quando os professores distribuem o programa da matéria, tinha até uma pauta, uma unidade que era da gente ir para um lugar pra fazer uma leitura social do lugar, e antes da pandemia as pessoas iam para um bloco de carnaval fazer a leitura social das pessoas e passavam isso para o trabalho acadêmico e na pandemia não tem como fazer isso, então a professora teve que cortar essa unidade por causa do ERE. então tranquei porque não queria perder a oportunidade de estudar sobre essas coisas pessoalmente e aproveitar realmente a matéria, e também pela inacessibilidade. eu não tinha acesso ao chat pelo meu celular, não tinha acesso a microfone, porque não tenho microfone e no meu celular não funciona não sei porque."

Saiba mais: UERJ: Um mês de aulas remotas escancarando a exclusão e a precarização

"Me Chamo Caio Felipe, sou aluno do curso de Ciências Sociais da UERJ e através dessa carta gostaria de expor o meu descontentamento com o Ensino Remoto Emergencial. Inicialmente puxei 6 disciplinas e logo na primeira semana percebi que maioria dos professores não fizeram uma redução significativa dos conteúdos e exigências, correlação a leitura e trabalhos, levando em consideração que estamos diante de uma pandemia, um momento o qual eles deveriam demonstrar sensibilidade e empatia por nós. Dessa forma, cancelei 3 e ainda assim esta difícil de acompanhar. Não recebemos os tabletes ainda e além disso não possuo um espaço apropriado em casa para os meus estudos. É muito custoso a impressão dos textos exigidos. É um absurdo essa mobilidade de ensino frente ao cenário que tá colocado na realidade, de problemas na saúde e na economia e o processo de implementação do ERE não foi consultado nenhum estudante.

Relata o estudante de Serviço Social, Raphael: "A triste realidade do ERE, implementado na UERJ, praticamente já no final do ano letivo. Para fazer mal feito seria melhor não fazer e, esperar até o ano que vêm. Ai sim, teria tempo para pensar a melhor forma das voltas as aulas, se o número de mortes continuar caindo. E poderia se debatido uma fora de volta as aulas juntos com os alunos, coisa que não aconteceu na aplicação do ERE, onde os alunos não tiveram nenhum poder de opinião sobre o assunto. Se tivesse sido anulado o ano letivo, daria tempo para se pensar em varias formas de volta as aulas, como, diminuição de matérias nos cursos integras, manter um afastamento entre as cadeiras do aluno e, todos com máscaras e álcool em gel espalhado pela UERJ e em todos os banheiros. Isso era o ideal e, não a instalação de um ERE que funciona muito mal para a maioria dos alunos, sem contar os alunos que não tem acesso a internet e, até hoje não receberam seu chip, e tem casos piores que a reitoria finge não ver, e os alunos que não tem smartphone e estão esperando os tablets prometidos até hj. Enfim, somos completamente contra a instalação do ERE, que representa a mais covarde forma de precarização da educação pública, que é nossa por direito."




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