Sociedade

Em iniciativa demagógica, multinacionais assinam compromisso pela equidade racial

Iniciativa de multinacionais alimentícias, como Nestlé e Coca-Cola, foi divulgada na última segunda-feira, 23.

terça-feira 24 de novembro de 2020| Edição do dia

Foto: Diego Vara/Reuters

Onze empresas multinacionais divulgaram acordo com plano de ações por equidade racial após a grande repercussão do brutal assassinato de João Alberto espancado até a morte por segurança e PM em uma loja do Carrefour em Porto Alegre.

Entre as que assinam o comunicado estão Coca-Cola, Danone, L’Oréal, Mars, Mondeléz, Nestlé, Pepsico, General Mills, Heineken, Kellogg’s e BRF.

O documento afirma que “O primeiro passo é assumirmos a realidade do racismo e admitirmos que ainda ocorrem diariamente atitudes que perpetuam o preconceito, a exclusão, as desigualdades e a violência. E, por isso, precisamos fazer mais (...) Criaremos um plano de ação em parceria com organizações e especialistas que possuem conhecimento legítimo dessa causa. Tornaremos o documento público o mais rápido possível — e prestaremos contas regularmente"

Essas empresas fazem demagogia com o combate ao racismo, frente as grandes mobilizações por justiça por João Alberto, tentando se diferenciar da rede de varejo na qual essas empresa são grandes fornecedoras.

Entretanto, assim como o Carrefour, essas multinacionais utilizam do racismo e da exploração de seus funcionário para seguirem potencializando seus lucros ao custo da vida dos trabalhadores, como é o caso da BRF em Santa Catarina, onde um dos seus frigorífico apresentou surto de Covid-19 após empresa funcionar a todo vapor sem dar o mínimos de proteção aos funcionários. E casos como o deJosé Antonio, trabalhador terceirizado que morreu após ser esmagado dentro de máquina da cervejaria Heineken em 2019, assim como amorte de quatro trabalhadores terceirizados em 2016 na fábrica da mesma empresa no interior de São Paulo. Além de serem responsáveis por deixarem famílias na rua não só no Brasil, mas em outros países do mundo, como fez a Pepsico em 2017, na Argentina.

Esses fatos nos mostram de forma clara que essas empresas nunca poderão estar ao lado da população negra e de todos que lutam contra o racismo, pois é por meio exploração do trabalho potencializado pelo racismo, oferendo menores salários , aprofundando a terceirização e a precarização do trabalho, que no Brasil tem rosto de mulher negra, para garantir seus lucros.

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