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GOVERNO BOLSONARO

Defensor de torturadores, Bolsonaro determina que quartéis comemorem o Golpe de 64

Ao se aproximar o dia 31 de março, data do início golpe militar de 64, que marcou os de 21 anos de ditadura militar, que seguiram com perseguição, torturas e aprofundamento de ataques aos trabalhadores, Jair Bolsonaro determinou que os quartéis façam as “comemorações devidas” para a data.

terça-feira 26 de março| Edição do dia

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta segunda-feira (25) que o presidente Jair Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa que faça as "comemorações devidas" pelos 55 anos do golpe que deu início a uma ditadura militar no país.

Já é conhecido que Bolsonaro é um claro defensor da ditadura e de seus métodos, como a direta criminalização da esquerda e a tortura. São incontáveis os episódios em que o presidente e seus filhos deram declarações exaltando o que foi o período, relativizando as atrocidades que aconteceram, defendendo a tortura e homenageando o declarado ídolo de sua família, o Coronel Brilhante Ustra.

Ustra foi chefe do DOI/CODI em São Paulo e um dos mais conhecidos torturadores da ditadura. Durante a campanha eleitoral, Jair Bolsonaro declarou que seu livro de cabeceira é “A verdade sufocada” de Ustra. Nessa ocasião, Bolsonaro disse que o que aconteceu na ditadura não deveria mais ser lembrado. Claramente o que ele queria era acobertar todas as atrocidades cometidas e não ter que falar sobre os crimes cometidos na época. Crimes que até hoje não foram investigados e punidos e não se sabe ao certo a quantidade e nem os nomes dos milhares de mortos e desaparecidos pela ditadura. Ao querer comemorar a data do golpe, mais uma vez se confirma que é a perspectiva dos torturadores que Bolsonaro defende.

O atual governo é o que reúne a maior quantidade de militares desde o período da ditadura. São nomes como General Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e o General Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo. Esses e outros generais que estão no governo tiveram papel central na opressão do povo negro no Haiti nos 13 anos em que o Brasil, durante o governo do PT, auxiliou a intervenção imperialista dos EUA no país.

O peso e a influência que os militares têm no governo gera várias consequências. Uma delas é o aprofundamento do projeto reacionário de Bolsonaro, que inclusive quer aumentar a quantidade de escolas militares junto com o combate à suposta doutrinação de esquerda que diz existir nas escolas. Mas também essa relação escancara a falácia do combate aos privilégios que o presidente tanto tenta se embandeirar: enquanto deseja que a classe trabalhadora trabalhe até morrer com a nefasta reforma da previdência, seu governo faz uma proposta de reforma para os militares, junto com a reforma da previdência especial onde terão uma série de auxílios e regalias.

é extremamente repugnante que seja comemorada a data de um golpe militar que aprofundou vários ataques à classe trabalhadora e várias perseguições a opositores com sequestros, torturas e assassinatos. Uma decisão dessa que é tomada por um governo de extrema direita misógino, racista e homofóbico que deseja ampliar a repressão e opressão a esses setores ao mesmo que deseja aplicar vários ataques à classe trabalhadora, onde a maioria é formada por mulheres negras.




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