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15N | Cancelar atos do 15N é traição das centrais sindicais que viram as costas para os trabalhadores

Enquanto a fome, a inflação massacram milhões de brasileiros no governo Bolsonaro e Mourão, as centrais sindicais cancelam os atos nacionais do dia 15 de novembro, escancarando a trégua que dão aos nossos inimigos, isolando e abandonando os pequenos e incipientes focos de resistência e luta, e apostando tudo em esperar as eleições de 2022.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 5 de novembro | Edição do dia

Vivemos em uma situação de aprofundamento da crise econômica, consequência dos ataques do governo Bolsonaro e Mourão, assim como do Judiciário, do Congresso e governadores que se unificam para aprovar reformas e ajustes que protegem o lucro dos empresários.

Enquanto mais da metade da população brasileira vive na insegurança alimentar, com milhares recorrendo à fila do osso e do lixo, e o desemprego e inflação só crescem em disparada, as centrais sindicais, como CUT e CTB, ao cancelarem os atos nacionais do dia 15 de novembro, escancaram sua política de cruzar os braços e dar as costas para as mazelas enfrentadas pelos trabalhadores, esperando pelas eleições de 2022.

Declaram que estão desconvocando os atos do dia 15 de novembro para, em seu lugar, fazer um encontro entre as lideranças dos partidos políticos que se colocam contra Bolsonaro, significando um comício fechado com claros objetivos eleitorais. Nesta ação fica clara a política das burocracias sindicais de impedir o desenvolvimento de qualquer organização e luta que queira se enfrentar com este regime político. Escancara como as centrais sindicais, dirigidas pelo PT e PCdoB, estão em trégua com todos os inimigos que descarregam duros ataques sobre as costas dos trabalhadores, da juventude, mulheres, negros, indígenas e LGBTs.

Os atos contra Bolsonaro que ocorreram este ano já apontavam que o objetivo das centrais e dos partidos que dirigem estas e outras entidades, como a UNE, é desgastar o governo federal, desmobilizando toda a raiva legítima que expressivos setores da população sentem e demonstram disposição de luta. A cada ato, cada vez mais espaçado entre os meses, foi se desmobilizando essa força indignada, chegando a dizer que a “unidade na ação” com partidos burgueses e de direita como PDT, PSDB, MBL, Cidadania, dentre outros, iria ampliar os atos, quando na prática provou-se exatamente o contrário.

Leia mais: A presença da direita e a diminuição dos atos: qual a explicação da esquerda?

Esta política do PT e PCdoB busca convencer os trabalhadores e a população de que a saída para enfrentar o governo Bolsonaro é esperar mais de 1 ano até eleger Lula, mesmo que ele tenha declarado que vai se aliar com a direita, se comprometendo a administrar parte da herança econômica do golpe institucional.

O momento que estamos vivendo necessita de organização da classe trabalhadora, através da construção de uma jornada ou plano de lutas que possa unificar toda a classe para demonstrarmos que somos maioria e termos força suficiente para barrar todos os ataques.

Por isso é traidor o papel que as centrais sindicais têm cumprido, não só ao cancelar os atos do dia 15 de novembro, mas ao não ter nenhuma política de unificação da classe. Enquanto a situação de crise só piora, vemos pequenos e incipientes processos de resistência e luta ao redor do país, como a recente mobilização dos garis no Rio de Janeiro. É papel das centrais sindicais e de todas as entidades dos trabalhadores cercar de solidariedade e, ao invés de isolar cada luta, unificar todos esses focos de resistência para que se fortaleçam, os trabalhadores vejam que não estão lutando sozinhos, através de um plano de lutas que faça nossos inimigos tremerem.

Por isso, chamamos todos os partidos, parlamentares e entidades dirigidas por estes movimentos de esquerda, como a CSP-Conlutas, a repudiar o cancelamento dos atos e exigirem a construção de um verdadeiro plano de lutas que possa avançar para uma paralisação nacional que faça nossos inimigos tremerem. É urgente construirmos uma política alternativa que levante um programa emergencial para enfrentar a fome, defendendo reajuste salarial igual à inflação e emprego com direito para todos, não abaixando a cabeça para nenhum dos ataques que nos impõem.

Veja mais: 3 propostas para movimentar as engrenagens da nossa classe diante da paralisia das burocracias sindicais




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