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Luta por justiça | Barco de Dom e Bruno foi encontrado no Amazonas. O Estado, Bolsonaro e os ruralistas são responsáveis!

Com sacos de areia para não flutuar, embarcação e pertences de Dom e Bruno foram encontrados. Esse assassinato é fruto direto da guerra declarada por Bolsonaro, militares e ruralistas aos indígenas, a floresta e aos seus defensores.

segunda-feira 20 de junho | Edição do dia

A embarcação do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips foi encontrada no Rio do Itacoaí, nas proximidades da comunidade de Cachoeira na noite de domingo (19).

O local foi indicado por Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, preso no sábado (18), como um dos oito suspeitos de ter assassinado Bruno e Dom.A lancha estava a cerca de 20 metros de profundidade com seis sacos de areia para não flutuar a uma distância de 30 metros da margem direita do rio. Além do casco da embarcação, também foram encontrados um motor Yamaha 40 hp, e quatro tambores que eram de Bruno, sendo três em terra firme e um submerso.

Nos próximos dias, a embarcação passará por exames periciais que visam entender como o assassinato de fato ocorreu. Entretanto, apesar de dizerem buscar respostas às perguntas em aberto sobre o caso, a justiça por Dom e Bruno não virá das mãos desse Estado e nem tão pouco das instituições desse regime fruto do golpe institucional de 2016. Como visto desde o início das investigações foi a mobilização indígena que pressionou para que aparecessem os corpos de Dom e Bruno, mostrando o caminho para impor justiça.

A justiça burguesa que mantém em aberto e impune tantos crimes contra ativistas e a população indígena de conjunto não vai conduzir efetivamente uma investigação que mostre os verdadeiros culpados por essa atrocidade e pelos recordes de assassinatos e perseguição daqueles que lutam em defesa da natureza. Dom e Bruno não são apenas profissionais que estavam na região, mas ativistas políticos que, com seus próprios projetos, contribuíam para favorecer a demanda dos povos indígenas da região e da preservação da Amazônia.

Esse caso não pode se encerrar com a responsabilização dos executores diretos do crime, ele deve escancarar a responsabilidade do regime e do Estado nesses assassinatos. O assassinato de Bruno e Dom não é resultado da omissão do Estado Brasileiro, como muito vem sendo dito, mas resultado da atuação desse Estado que historicamente atua para preservar os interesses dos capitalistas, dos setores com os quais Dom e Bruno se enfrentaram na sua luta em defesa da Amazônia e dos povos indígenas.

Desde o seu primeiro dia de governo, Bolsonaro afirmou que acabaria com o ativismo ambiental, declarando guerra contra as reservas e povos indígenas, o ativismo ambientalista e a Amazônia enquanto protege a pesca ilegal, o garimpo, os militares, a bancada ruralista e o agronegócio. Todos esses setores incentivam a perseguição aos indígenas e ativistas ambientais e defendem a exploração capitalista no território amazônico, promovendo ódio e perseguição a todos que lutam contra a destruição dos recursos naturais e aos que buscam protegê-los. Exemplo disso é que logo após ao desaparecimento de Dom e Bruno, Bolsonaro emitiu declarações odiosas os responsabilizando pelo ocorrido.

Como disse Marcello Pablito, “as centrais sindicais deveriam parar o país e junto à luta indígena exigir uma investigação independente com organismos de direitos humanos, sindicatos e universidades, com todo o suporte necessário para descobrir os mandantes e punir todos os envolvidos”.

É ilusória a confiança de que as polícias federais, a mesma que fez uma câmara de gás à luz do dia para assassinar Genivaldo, responsabilizará todos os culpados por esses assassinatos. Bolsonaro, os militares e seu governo, com os deputados da bancada ruralista sustentam a destruição capitalista do meio ambiente.

Sérgio Moro, por exemplo, quando ministro da Justiça, exonerou Bruno do cargo de coordenador da Funai, após ação que apreendeu e queimou dezenas de embarcações do garimpo no Vale do Javari. Depois disso, Bruno se licenciou e passou a trabalhar na Unijava, organização que estava vinculado quando foi assassinado.

Como outro exemplo, o ex-ministro da boiada Ricardo Salles é cria de Geraldo Alckmin que o tinha como secretario do meio ambiente em seu governo de São Paulo. Todos esses setores são cúmplices dos assassinatos de indígenas e daqueles que os apoiam e isso evidencia que, como viemos alertando, que submeter nossas forças de luta à chapa Lula-Alckmin é abrir mão de nos enfrentar e combater verdadeiramente o bolsonarismo. O PT e sua política conciliação sempre buscou fortalecer setores reacionários do regime.

Somente com a força da mobilização da classe trabalhadora, aliada aos indígenas e todos os setores explorados e oprimidos sem abrir mão da independência de classe é que conseguiremos impor justiça com uma investigação independente e enfrentar a destruição da Amazônia.




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