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CORTES NA EDUCAÇÃO | Após cortes de Bolsonaro, UnB deixa alunos pobres sem auxílio-alimentação neste mês

Situação ainda é incerta para mais de 3 mil estudantes que receberam a bolsa durante o semestre passado. A reitoria da universidade divulgou um novo edital com promessa de pagamentos para março, mas o número de vagas ainda não foi definido e a burocracia exigida pode deixar muitos alunos sob a ameaça da fome

terça-feira 2 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Alexandra Martins/Secom UnB

O ano de 2021 começou com mais um obstáculo na vida dos estudantes pobres que conseguiram atravessar o filtro excludente do vestibular. A reitoria decretou o início do semestre letivo ontem enquanto 3 mil estudantes estão sem dinheiro para comer. O auxílio-alimentação, que estava sendo pago desde 2020 em virtude do Restaurante Universitário ter sido fechado pela pandemia, teve seu pagamento suspenso neste mês.

A reitoria alega que houve um corte severo no orçamento da assistência da estudantil. De fato, o projeto de Lei Orçamentária Anual tem um redução milionária nas verbas dos programas destinados para os estudantes mais necessitados tentarem se manter na universidade. Além disso, a situação está agravada pelo fato de que o projeto sequer foi votado ainda no Congresso Nacional, o que dá margem a partir da legislação autoritária do nosso país para que o governo federal fracione a transferência do dinheiro a um patamar ainda pior do que planejado.

Dessa forma, enquanto Bolsonaro esbanja com milhões em chiclete e leite condensado, tortura os filhos e filhas da classe trabalhadora, negando-lhes o direito mínimo de comer para frequentar as aulas. Seu projeto é apoiado de perto pelo centrão, na medida em que são esses partidos corruptos e herdeiros da ditadura militar que dão aval a um orçamento irrisório para a educação pública cujo único objetivo é sucatear para depois privatizar as instituições federais de ensino.

Por outro lado, esse cenário aterrorizante não pode ofuscar o fato de que a reitoria desde o começo tem agido de forma a se colocar ao lados dos patrões diante de todos os cortes. Afinal de contas, dizem não sobrar dinheiro para nada, mas nunca explicam porque nunca falta para as empresas terceirizadas que distribuem demissões e avisos prévios para seus trabalhadores ao longo de toda a pandemia.

Além disso, a gestão de Marcia Abrahão aparenta fazer de tudo para dificultar o acesso ao edital que foi publicado recentemente para o auxílio com promessa de pagamento só em março, ou seja, fevereiro não haverá nada. Apesar de já terem todos os documentos em seus arquivos, a UnB exige que os estudantes entreguem toda a papelada novamente, mas agora em um prazo curto e sem direito a recurso após o resultado final. Também não existe previsão alguma de vagas, o que coloca os mais de 3 mil estudantes que estavam recebendo essa bolsa em uma situação de total incerteza.

Tudo isso é feito sob um verniz falso de democracia, pois a reitoria diz manter canais de diálogo com os estudantes por meio de um espaço chamado “Fórum Estudantil”. Contudo, o “diálogo” se resume a enrolar por horas sem responder uma pergunta simples: por que os terceirizados e o estudantes pobres são sempre os primeiros a pagarem a conta da crise na universidade?




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