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IV CONGRESSO DO MRT | 3º dia de congresso do MRT conta com saudações internacionais da Fração Trotskista

O 3º dia do IV Congresso do MRT contou com saudações de dirigentes da Fração Trotskista com grande debate abordando temas como o fortalecimento da rede internacional de diários La Izquierda Diario, da qual o Left Voice nos EUA faz parte, a luta no Chile pela voz de um dirigente do PTR, trabalhador das minas da região de Antofagasta, e a independência de classe com a palavra de dirigentes do PTS na Argentina.

segunda-feira 26 de abril | Edição do dia

Jimena Vergara, do Left Voice, diário-irmão do Esquerda Diário nos EUA, iniciou sua saudação dizendo: “Queria agradecer o convite para esse congresso que acontece em meio a uma grande crise econômica e social no Brasil do criminoso do Bolsonaro, que assim como Trump, no seu momento aqui nos EUA, conduziu o país a uma catástrofe sanitária. Aqui dos EUA, assim como meus camaradas do Left Voice, a gente quer enviar uma grande saudação nesse momento que o sistema imperialista está mostrando seu caráter reacionário, condenando países oprimidos como a Índia, e a gente tem visto também outros países pelo mundo, a situações como as que a gente está vendo na Argentina também, exacerbando grandemente as penúrias das massas. (...) Aqui nos EUA, começamos o trabalho com o Left Voice faz alguns anos do zero, com um projeto desafiador de criar um diário impulsionado pela Fração Trotskista na língua inglesa. Desde então, ganhou um lugar dentro das publicações da esquerda no país, com 3 milhões de visitas no ano de 2020, para ser um polo de atração de setores do trotskismo, tecendo laços com militantes de tradição e da vanguarda estadunidense”.

Muno, dirigente operário do PTR (Partido de Trabalhadores Revolucionários) em Antofagasta no Chile, saudou o IV Congresso do MRT dizendo: “Agradeço o convite, foram muito ricos esses dias de congresso para praticar o internacionalismo da Fração Trotskista acompanhando suas discussões. (...) Uma das discussões que estamos tendo no PRT desde a Revolta Chilena é que está tendo um processo de desvio protagonizado pelo governo Piñera e nós estamos nos preparando para ter novos contornos de luta de classes. É justamente no giro abrupto da luta de classes que estão os desafios da gente pensar quais são as tarefas estratégicas que a gente tem que fazer em períodos anteriores. Seja qual for a situação que a gente se encontra, precisamos pensar a situação que está por vir. Nesse sentido uma das tarefas estratégicas que estamos assumindo é a unidade dos setores precários com os setores em posições mais estratégicas do movimento operário. Como em Antofagasta, em que os trabalhadores das minas estão em uma situação de separação entre eles e os setores mais precários, trabalhadores das periferias. Então uma das tarefas é pensar como a gente diminui essa separação entre os setores das cidades, os setores mais afastados da cidade e a indústria. Por isso, é muito importante a reflexão que fazem sobre a Frente Única Operária e os exemplos da vanguarda nas lutas iniciais da classe trabalhadora, e como se ligar com os setores precários da classe”.

Claudia Cinatti, dirigente do PTS (Partido de Trabalhadores Socialistas) da Argentina começou agradecendo o convite, e seguiu: “Tem sido uma jornada intensa de elaboração e discussão coletiva nacional e internacional, no sentido de se preparar para um mundo que vai estar convulsionado. Os organismos internacionais da própria burguesia afirmam isso, que apontam que estamos caminhando para um mundo com contradições ainda mais profundas. Ainda que haja países que se recuperam e que tenham vacinação mais avançada, também aumenta a desigualdade e a pobreza dentro desses próprios países e de conjunto no mundo, é uma situação dramática. Por isso que quando a gente diz sobre mudanças bruscas, é porque a gente sabe que a gente tá se preparando para um mundo que vai para além dos momentos conjunturais que a gente possa estar vivendo em cada país. O Brasil é parte dessa situação. E ainda que a gente discuta que é uma situação reacionária aqui, a gente tem que ter em conta que essa instabilidade material dos regimes e dos governos existe e, inclusive, essas brechas que existem de tensões nas alturas entre a extrema-direita de Bolsonaro e o golpismo podem ter as oportunidades de se expressar o movimento de massas, como aconteceu no Peru e em outros países, em que vemos uma sinergia entre a crise dos de cima e a possibilidade de emergência dos de baixo. E essa é a base do nosso otimismo, não é uma abstração, é uma base material. No Brasil existe um paradoxo da preservação da mediação reformista do PT pelo golpe institucional, e ainda que ela esteja disposta novamente a prestar o papel de contenção das massas, por essas condições materiais que a gente está discutindo, é muito difícil que tenham a mesma capacidade que tiveram no passado de conter o movimento operário e o movimento de massas. Isso significa dizer que um novo governo do PT seria muito mais débil na sua capacidade de contenção do que foi no passado. Isso a gente pode prever, quando a gente vê o governo de Alberto Fernandez na Argentina, que veio com uma popularidade bastante alta e grandes expectativas, mas que no ano atravessado pela pandemia, pelas disposições de pagar o FMI, cumprir o compromisso com o capital financeiro, o que fez foi perder capital político e uma grande queda na popularidade. Se aceleram os tempos que a gente tem disponíveis para fazer nossas tarefas preparatórias, e no Brasil a gente tem o capital político da luta contra o golpe com independência de classe, com independência do próprio PT”.

Turca, também dirigente do PTS na Argentina, agradeceu o convite e disse: “Faz 30 anos que conheci o Brasil numa viagem política, que foi o I Congresso do PT. Nós participamos como convidados internacionais e foi a primeira vez que conheci um trabalhador, um operário, da USP, o Claudionor Brandão. Nos encontramos mais uma vez aqui neste IV Congresso do MRT. Essa época foi a época da queda de Collor, o primeiro impeachment. O Brasil já tem experiência de alguns impeachments e o primeiro foi há 29 anos. Naquele momento eu já vi o papel de ilusões e desvios que cumpriu o PT. Inclusive as organizações de esquerda e do centrismo trotskista, naquele momento a Convergência Socialista, que agora é o partido PSTU. É a mesma política há 30 anos. O PT já fazia seu papel de ilusões e desvios. O centrismo teve a política de Eleições Gerais, por exemplo, política sem combater o regime, acompanhando a política do PT, e até hoje não tiraram as lições dessa intervenção na luta de classes. Inclusive a sua ruptura, no caso a Resistência de Valério Arcary, também não tirou as lições daquele impeachment e do último impeachment, que foi um golpe, caráter diferente do impeachment de 30 anos atrás. As posturas políticas são as mesmas. Nesse sentido, eu queria colocar a importância das lições da luta de classes e fazer uma oportunidade nova com essas mudanças atuais no Brasil da luta política de tendências, no sentido de resgatar aqueles militantes honestos, de esquerda, que é uma oportunidade para o MRT. Claudia já falou da Argentina, então queria colocar que estou muito contente pelo convite de colaborar com vocês não só neste congresso, mas também para o partido nas intervenções futuras na construção de um partido revolucionário”.

Veja também: 2º dia do Congresso do MRT faz debate vivo sobre o Brasil e a política dos revolucionários

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