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Breque dos apps | iFood ofereceu R$ 5 a mais por corrida para desmoralizar "breque" e mentiu sobre consenso

A Ifood, durante paralisação dos entregadores em Paulínia, Jundiaí e Atibaia, tentou dividir entregadores e desmoralizar a paralisação, oferecendo R$5 a mais por entrega para quem saísse da paralisação e voltasse a trabalhar. Mas o bônus, que é uma medida antissindical, valeu apenas por algumas horas, não valendo para os dias seguintes. Além disso, em Atibaia, a empresa mentiu descaradamente, dizendo que houve um "consenso" da empresa com entregadores sobre acabar com a paralisação, o que os entregadores negam veementemente.

quarta-feira 27 de outubro | Edição do dia

A promoção foi feita aos entregadores paralisados destas três cidades, depois de alguns dias de greve, durando apenas algumas horas, com o objetivo de dividir os entregadores, isto é, fez a promoção para que entregadores que não estavam de acordo com a paralisação trabalhassem contra os que estavam paralisados, tentando jogar uns contra os outros. Além disso, alguns entregadores dizem que depois que houve essa promoção, não teve mais nenhuma, voltando tudo a ser como era antes, não mudando em nada a situação dos trabalhadores.


No oitavo dia de paralisação de entregadores em Atibaia, iFood lança promoção de R$5 a mais por corrida durante o horário do jantar / Print - Arquivo

Alguns entregadores, anonimamente, fazem declarações que demonstram que a categoria está disposta a fazer novos breques, por exemplo dizendo que iriam voltar a trabalhar, terminando com a paralisação, mas que se o aplicativo não continuar com a promoção no decorrer dos dias, eles vão brecar novamente.

Atibaia, por exemplo, foi a sétima cidade, só no mês de outubro, a ter paralisação de entregadores contra os apps de delivery. Junto com Paulínia (SP), os dois municípios tiveram os breques de maior duração da categoria no Brasil. Houve greves também nas cidades de Jundiaí (SP), Maceió (AL), São Carlos (SP), Bauru (SP) e Niterói (RJ).

Os entregadores paralisaram em protesto contra todas as empresas de entrega por aplicativo, com especial pressão no iFood, a maior do ramo no país. Entre as demandas estão o aumento da taxa mínima por corrida (hoje no valor de R$ 5,31), o fim dos desligamentos da plataforma sem justificativa e também o fim de duas entregas feitas na mesma corrida.

Em Jundiaí, o movimento dos entregadores realizou duas denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT), e a finalidade da segunda foi pedir uma atuação do órgão para investigar e coibir as promoções lançadas pelo iFood, entendidas como atos antissindicais. A argumentação se baseou no Manual de Atuação de Atos Antissindicais do próprio MPT, que faz essa caracterização a qualquer ato que busque "cercear ou dificultar a adesão e o livre exercício do direito de greve".

Segundo o manual, uma das características de um ato antissindical é, exatamente, o implemento de "prêmio ou qualquer incentivo para incentivar a trabalhadora ou o trabalhador a não aderir ou participar de greve".

A denúncia, no entanto, foi arquivada, sob o argumento de que já existe uma Ação Civil Pública com abrangência nacional em trâmite, que visa reconhecer o vínculo empregatício entre o iFood e seus trabalhadores.

Em outra mentira deslavada, na sexta-feira (22), mesmo dia em que a promoção foi lançada em Atibaia, o iFood enviou uma mensagem aos comerciantes da cidade informando que a empresa "em conjunto com os entregadores parceiros da região de Atibaia chegaram a um consenso e a greve será suspensa".


Em mensagem a donos de estabelecimentos de Atibaia, iFood anuncia a suspensão da greve após suposto consenso entre a empresa e entregadores / Print - Arquivo

Os entregadores, no entanto, afirmam que não houve contato com eles por parte do iFood e que, portanto, jamais entraram em qualquer tipo de consenso com a empresa.

Achamos extremamente importante que, nesse momento de tantos ataques aos trabalhadores, em especial ao imenso setor de precarizados tenham feito essas paralisações exemplares, com algumas paralisações se organizando por meio de assembleias, o que mostra o caminho para a classe trabalhadora se organizar, pela base, para derrotar os ataques dos patrões e dos governos.

A iFood é a cara da precarização do trabalho e da superexploração, e segue tendo lucros bilionários, ao mesmo tempo que empurra para os entregadores os custos exorbitantes dos combustíveis, desconsiderando as necessidades materiais dos trabalhadores e o seu próprio sustento e de suas famílias, que buscam conquistar de forma digna, lutando contra o aumento da carestia de vida em meio a inflação, a fome, o desemprego impostos pela burguesia e por seus políticos.




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